Cap. 21 / 21

Alma Gêmea II

Alma Gêmea II

por Valentina Oliveira

Alma Gêmea II

Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 21 — O Sussurro do Mar e a Promessa Esquecida

O sol acariciava a pele de Helena com um calor familiar, quase um abraço reconfortante depois de tantas noites gélidas. A brisa salgada do Atlântico trazia consigo o cheiro inconfundível de maresia e de esperança, uma fragrância que parecia lavar a alma, levando embora as amarguras dos últimos tempos. Ela estava sentada em uma das pedras polidas pela água na praia de Ponta Negra, um lugar que antes compartilhara com Rafael em tantas tardes ensolaradas. Agora, a solidão era uma companhia amarga, mas não insuportável. A cada onda que quebrava suavemente na areia, uma parte do peso em seu peito parecia diminuir.

Os últimos dias haviam sido um borrão de dores e de descobertas. A verdade sobre a chantagem de Lúcia e o plano cruel de seu pai, o implacável Dr. Armando Vasconcelos, ainda ecoavam em sua mente como um trovão distante, mas a fúria incandescente de Rafael e a sua decisão de se afastar, mesmo que temporariamente, tinham aberto uma ferida profunda. Ele acreditava que precisava de tempo, de espaço, para lidar com a traição, para se reconstruir. E Helena, dilacerada pela dor da separação e pela culpa por ter sido usada como peão no jogo de poder, respeitava sua decisão, por mais que a alma gritasse por ele.

O som suave de passos na areia a tirou de seus devaneios. Levantou o olhar e viu Sofia se aproximando, o vestido branco esvoaçando com a brisa, os cabelos escuros presos em um coque elegante. Sofia era a âncora de Helena naquele mar de turbulências, a amiga inabalável que oferecia um ombro para chorar e palavras de conforto sem julgamento.

"Helena?", chamou Sofia, com a voz suave. "Pensei que te encontraria aqui."

Helena sorriu fracamente. "É o meu lugar, não é? O lugar onde o mar parece levar embora tudo o que me machuca."

Sofia sentou-se ao lado dela, o olhar fixo no horizonte. "O mar tem essa sabedoria antiga, não é? De levar e trazer, de recomeçar a cada maré." Ela pegou a mão de Helena, apertando-a com carinho. "Como você está, meu amor?"

As lágrimas vieram sem aviso, quentes e salgadas, escorrendo pelo rosto de Helena. "Eu sinto tanta falta dele, Sofia. Cada canto dessa cidade me lembra dele. O cheiro do café pela manhã, a melodia daquela música antiga que ele adorava... tudo me grita o nome dele."

"Eu sei", disse Sofia, abraçando-a com força. "Mas Rafael é um homem bom. Ele vai entender. Ele vai superar isso. E você também vai, Helena."

"Mas ele não me ouviu, Sofia. Ele não me deixou explicar tudo. Aquele momento... ele me viu nos braços do meu pai, assustada, acuada. E acreditou no pior." A voz de Helena embargou. "Ele achou que eu o traí."

"Ele estava em choque, Helena. Ele viu o que Lúcia queria que ele visse. A frieza dele, a raiva... era o reflexo da própria dor. Dê tempo a ele. E dê tempo a você. Você precisa se curar também. Você foi vítima, e não culpada."

"Culpa...", Helena suspirou, olhando para as próprias mãos. "Eu me sinto culpada por não ter percebido antes. Por ter sido tão cega para as intenções do meu pai. Por ter confiado nele, mesmo com aquele frio na espinha que eu sentia de vez em quando."

"É natural se sentir assim. Mas não carregue esse fardo sozinha. Seu pai é um mestre em manipulação. Ele plantou as sementes da dúvida e as regou com mentiras. Você não é responsável pelas ações dele." Sofia deu um leve aperto no ombro de Helena. "O que você vai fazer agora?"

Helena respirou fundo, o ar marinho enchendo seus pulmões. "Eu vou me recompor. Vou juntar os cacos. Não posso ficar parada, esperando que tudo se resolva sozinho. Meu pai e Lúcia não vão sair impunes. E Rafael... ele precisa saber a verdade completa, sem filtros, sem manipulações."

"E como você pretende fazer isso?", perguntou Sofia, curiosa.

"Eu vou expor tudo. Vou reunir as provas que Lúcia usou contra mim, vou juntar os depoimentos das pessoas que meu pai prejudicou com suas armações. Eu vou até o fim, Sofia. Por mim, pela minha dignidade, e por ele." Helena sentiu uma determinação nova florescer em seu peito, uma chama que a dor não conseguira apagar. "Eu não posso deixar que ele pense que o nosso amor era uma mentira. Não posso deixar que ele vá embora com essa dúvida no coração."

O sol já começava a se pôr, pintando o céu com tons alaranjados e rosados. O mar, agora mais calmo, refletia a beleza efêmera do entardecer. Helena se levantou, sentindo um renovado senso de propósito.

"Eu preciso ir. Tenho muito o que fazer." Ela olhou para Sofia. "Obrigada, minha amiga. Por tudo."

Sofia se levantou também, um sorriso orgulhoso em seus lábios. "Estou aqui para você, sempre. E lembre-se, Helena, o amor que vocês compartilham é forte. Ele é capaz de atravessar qualquer tempestade."

Enquanto Helena se afastava pela praia, o som das ondas parecia sussurrar uma antiga promessa, uma melodia de esperança e de um reencontro que ela se recusava a deixar escapar. A memória de Rafael, com seus olhos intensos e seu sorriso acolhedor, era um farol em meio à escuridão. Ela sabia que a jornada seria árdua, mas seu coração, embora ferido, estava firme em seu propósito: resgatar a verdade, recuperar sua própria vida e, quem sabe, reconquistar o amor que parecia ter se perdido nas sombras. O mar, testemunha silenciosa de tantas emoções, parecia ecoar sua promessa: o amor verdadeiro sempre encontra um caminho de volta.

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