Cap. 9 / 21

Alma Gêmea II

Capítulo 9 — O Isolamento Forçado e a Confissão Sincera

por Valentina Oliveira

Capítulo 9 — O Isolamento Forçado e a Confissão Sincera

Os dias que se seguiram ao confronto com André foram um borrão de dor e isolamento para Sofia. Ela se sentia presa em uma teia de culpa e desespero, a imagem do rosto furioso e magoado de André ecoando em sua mente a cada momento. O casamento, que antes representava um futuro promissor, agora se desintegrava diante de seus olhos, deixando-a à deriva em um mar de incertezas. Ela se trancou em seu apartamento, recusando ligações, evitando sair, buscando um refúgio inútil contra a tempestade que a assolava.

Gabriel, por outro lado, estava igualmente abalado, mas por motivos diferentes. Ele sabia que a confissão de Sofia a André seria dolorosa, mas a magnitude da dor que ele imaginava que ela estivesse sentindo o consumia. Ele tentou contatá-la diversas vezes, mas suas chamadas não eram atendidas, suas mensagens permaneciam sem resposta. A frustração e a preocupação se misturavam em seu peito. Ele se sentia impotente, incapaz de oferecer qualquer conforto ou ajuda. O beijo em Paraty, que havia sido um momento de descoberta e paixão, agora parecia um erro catastrófico, cujas consequências se estendiam de forma devastadora.

Ele sabia que precisava fazer algo. Não podia simplesmente esperar que a poeira baixasse. Ele precisava falar com ela, confrontar a situação de frente, mesmo que isso significasse enfrentar a raiva de André ou a decepção de Sofia. Naquela tarde, munido de uma coragem renovada, Gabriel decidiu ir até o apartamento de Sofia.

Ele tocou a campainha, o coração batendo forte no peito. A porta se abriu lentamente, revelando Sofia, com os olhos inchados e um semblante abatido. Ela parecia mais magra, mais frágil. Ao vê-lo, seu rosto se contraiu em uma mistura de surpresa, dor e uma ponta de raiva.

"Gabriel? O que você está fazendo aqui?" A voz dela era fraca, quase inaudível.

"Eu precisava falar com você, Sofia", ele disse, a voz embargada. "Eu tentei te ligar, mas você não atendeu. Eu estava preocupado."

Ela suspirou, abrindo a porta um pouco mais, mas sem convidá-lo a entrar. "Eu não queria falar com ninguém, Gabriel. Principalmente não com você." Havia um tom de mágoa em sua voz que o atingiu como um golpe.

"Eu sei que você está chateada. E você tem todo o direito de estar. Eu também estou. O que aconteceu em Paraty... foi um erro." As palavras saíram com dificuldade, como se cada sílaba fosse um peso.

Sofia riu, uma risada sem alegria, que logo se transformou em soluços. "Um erro? É só isso que você tem a dizer? Um erro? Você sabe o que aconteceu depois que eu contei para o André? Ele me humilhou, Gabriel. Ele me acusou de ser uma interesseira, de brincar com os sentimentos dele. Ele me disse que eu destruí a confiança dele." Ela se apoiou no batente da porta, o corpo tremendo.

Gabriel sentiu uma pontada de dor ao vê-la sofrer tanto. Ele sabia que não podia se isentar de sua parcela de responsabilidade. "Sofia, eu sinto muito por tudo isso. Eu nunca quis que você se machucasse, ou que machucasse o André. Eu também estou sofrendo com tudo isso. A culpa me consome."

"Culpa?", ela repetiu, a voz cheia de ironia. "E o que você espera que eu faça com essa culpa, Gabriel? O André me tratava tão bem. Ele me amava. E eu, por um momento de fraqueza, estraguei tudo. E agora, eu estou sozinha."

"Você não está sozinha, Sofia", ele disse, dando um passo à frente. "Eu estou aqui. E eu sei que o que aconteceu entre nós não foi um erro. Foi algo que surgiu, algo que, eu acredito, tem um significado maior."

Ela o encarou, os olhos cheios de lágrimas, mas com uma centelha de curiosidade. "Um significado maior? O quê? Que eu sou uma traidora? Que você é um destruidor de relacionamentos?"

Gabriel balançou a cabeça. "Não, Sofia. Um significado que mostra que nós temos uma conexão. Uma conexão que vai além da razão. Eu sei que você está confusa, que está magoada. Mas eu também sei que você sente algo por mim, assim como eu sinto por você."

A sinceridade em seus olhos, a vulnerabilidade em sua voz, desarmaram Sofia. Ela abriu a porta, convidando-o a entrar com um gesto hesitante. Ele entrou no apartamento, que parecia um reflexo do estado de espírito de Sofia: escuro, silencioso e melancólico.

Sentaram-se no sofá, a distância entre eles ainda palpável, mas o silêncio não era mais de acusações, mas de uma tristeza compartilhada.

"Eu não sei o que fazer, Gabriel", Sofia sussurrou, a voz embargada. "Eu destruí tudo. E a culpa é minha."

"Não é só sua, Sofia", ele disse, pegando a mão dela. A pele dela estava fria, mas ele sentiu um leve tremor em seus dedos. "Eu também tenho minha parcela. E eu assumo. Mas nós não podemos ficar parados no passado. Precisamos encontrar um caminho para seguir em frente."

"Mas qual caminho?", ela perguntou, olhando para ele com desespero. "O André nunca vai me perdoar. E eu nem sei se eu consigo me perdoar."

"Eu sei que é difícil", Gabriel admitiu. "Mas você precisa se perdoar, Sofia. Você errou, sim. Mas você teve a coragem de ser honesta com ele, mesmo sabendo que seria doloroso. Isso é digno de respeito." Ele apertou a mão dela. "E quanto ao que aconteceu entre nós... eu sei que foi precipitado. Mas eu não me arrependo de ter sentido o que senti. Eu não me arrependo de ter te beijado. Porque naquele momento, Sofia, eu senti como se tivesse encontrado algo que estava procurando há muito tempo."

As palavras dele, tão sinceras e cheias de uma emoção crua, tocaram profundamente Sofia. Pela primeira vez desde o confronto com André, ela sentiu uma pequena fresta de esperança se abrir em seu coração. O isolamento forçado havia sido doloroso, mas também a levara a um lugar de honestidade consigo mesma. E a presença de Gabriel, naquele momento de vulnerabilidade, era um bálsamo inesperado.

"Eu também sinto isso, Gabriel", ela confessou, a voz mal saindo. "Eu me sinto confusa, assustada... mas não me arrependo de ter te conhecido. E talvez... talvez você tenha razão. Talvez haja um significado maior em tudo isso."

O olhar deles se encontrou, e naquele momento, a promessa de um futuro incerto, mas repleto de uma atração inegável, pairou no ar. A confissão sincera havia aberto uma porta, e embora o caminho à frente fosse nebuloso, a possibilidade de um novo começo, por mais complexo que fosse, começava a se desenhar.

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