Cap. 1 / 21

Sua para Sempre

Claro, aqui estão os capítulos 1 a 5 de "Sua para Sempre", com o estilo e os requisitos que você solicitou:

por Camila Costa

Claro, aqui estão os capítulos 1 a 5 de "Sua para Sempre", com o estilo e os requisitos que você solicitou:

Sua para Sempre Autor: Camila Costa

Capítulo 1 — O Despertar de Um Sonho Esquecido

O sol da manhã, teimoso e dourado, esgueirava-se pelas frestas da persiana, desenhando listras de luz sobre o chão de madeira desgastada do quarto. Helena suspirou, um som suave de quem tenta afastar um véu invisível. O aroma de café fresco, que vinha da cozinha, era a única promessa de que o dia, apesar da leve melancolia que a envolvia, teria algum sabor. Seus olhos, de um verde intenso que lembrava a mata atlântica sob a chuva, abriram-se lentamente. O teto branco, familiar e sem graça, a acolheu de volta à realidade. Outro dia. Outra rotina.

Sentou-se na cama, os lençóis de algodão amassarando sob o peso do seu corpo. O edredom, um presente de aniversário de uma tia distante, era a única nota de cor vibrante no quarto, um azul cobalto que contrastava com a palidez das paredes e dos móveis. Helena sempre fora assim, um pouco fora de sintonia, como uma música tocada em outra frequência. Vivia em sua própria melodia, um pouco melancólica às vezes, mas sempre cheia de nuances.

Olhou para a mesinha de cabeceira. Ao lado de um pequeno abajur que jamais acendia, repousava uma moldura com uma foto desbotada. Ela, mais jovem, com os cabelos soltos e um sorriso que parecia carregar o peso do mundo em sua inocência. Ao seu lado, ele. A imagem congelada de um tempo que parecia ter pertencido a outra pessoa, outra vida. O coração de Helena apertou, uma dor familiar, surda, que nunca desaparecia por completo. Era a memória de Lucas.

Lucas. O nome ecoou em sua mente como um sino distante. O amor da sua juventude, o homem que jurou amar para sempre e que, de alguma forma cruel do destino, se tornara o fantasma que assombrava seus dias. Fazia cinco anos. Cinco anos desde a última vez que o vira, cinco anos desde que aquele abraço apertado na estação de trem selara a promessa de um reencontro que nunca veio.

Levantou-se, os pés descalços tocando o chão frio. Caminhou até a janela, afastando a persiana com um movimento quase mecânico. A rua, ainda quieta, começava a ganhar vida. Um padeiro distribuindo pães quentes, um casal de idosos passeando com o cachorro, o barulho distante de um carro. A cidade de Porto Alegre, sua cidade, pulsava em um ritmo que, para Helena, parecia cada vez mais apressado e impessoal.

Ela trabalhava em uma pequena livraria no centro. Um refúgio de papel e histórias, onde podia se perder entre as páginas e esquecer, por algumas horas, a realidade. A livraria era seu santuário, um lugar onde o tempo parecia desacelerar e onde os personagens de outros mundos a consolavam. Era um trabalho simples, mas que a alimentava de uma maneira que poucos outros aspectos de sua vida conseguiam.

Desceu para a cozinha. Dona Aurora, sua mãe, já estava em sua labuta matinal. O fogão fumegava com o cheiro reconfortante de pão de queijo e café. Dona Aurora, uma mulher forte, com as mãos calejadas de anos de trabalho na costura e no cuidado da casa, sorriu ao ver a filha.

"Bom dia, minha filha. Dormiu bem?" A voz de Dona Aurora era rouca, mas carregada de carinho.

"Bom dia, mãe. Dormi sim, mais ou menos", Helena respondeu, sentando-se à mesa. Serviu-se de café, o calor da xícara aquecendo suas mãos.

"Ainda pensando nele, não é?" Dona Aurora pousou uma cesta de pães de queijo quentinhos na mesa.

Helena deu um suspiro resignado. "É difícil não pensar, mãe. É algo que fica… marcado."

Dona Aurora sentou-se à sua frente, os olhos experientes de quem já vira muito na vida pousando na filha. "Eu sei, meu amor. Mas o tempo, ah, o tempo é um curandeiro sábio. Ele vai amenizando as dores, vai nos ensinando a viver com as lembranças sem nos deixar afogar nelas."

"Eu queria que fosse tão simples, mãe. Às vezes, me pego imaginando como seria se ele tivesse ficado. Se a vida tivesse tomado outro rumo." Helena olhou para a janela da cozinha, o céu azul límpido parecendo zombar de seus anseios.

"Sonhar faz parte, Helena. O importante é não deixar que os sonhos se tornem âncoras que te prendem ao passado. O futuro tem tantas outras surpresas guardadas." Dona Aurora pegou um pão de queijo, o vapor escapando dele. "Você é uma mulher forte, minha filha. Mais forte do que imagina. E merece ser feliz."

Helena sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. Sabia que sua mãe estava certa. Sabia que precisava seguir em frente. Mas como apagar uma marca tão profunda? Como reescrever um capítulo que parecia ter sido escrito com tinta permanente?

Após o café, Helena arrumou-se para o trabalho. Escolheu um vestido simples, de algodão floral, um pouco desgastado nas mangas. Nada que chamasse atenção, nada que a fizesse se destacar. Era assim que gostava de ser: discreta, quase invisível. Na livraria, o cheiro de livros antigos e papel novo a envolveu como um abraço. Era seu refúgio, seu mundo.

Enquanto arrumava uma pilha de romances recém-chegados, um livro específico chamou sua atenção. A capa era um azul profundo, com letras douradas que brilhavam sob a luz artificial. O título: "O Amor em Tempos de Solidão". Parecia um convite, uma provocação. Hesitou por um instante, mas a curiosidade venceu. Pegou o livro, sentindo a textura da capa entre os dedos.

Abriu na primeira página. Uma dedicatória escrita à mão, em uma caligrafia elegante, chamou sua atenção. "Para meu amor, para que as palavras nos guiem quando a distância nos separar. Com todo o meu coração, L."

L. O coração de Helena disparou. L. Lucas. Um arrepio percorreu sua espinha. Aquela caligrafia… era inconfundível. Era a letra dele. A dedicatória parecia ter sido escrita para ela. Mas como? Como aquele livro, com aquela dedicatória, poderia ter chegado ali, naquele exato momento? Um misto de pavor e esperança a invadiu. Seria um sinal? Uma coincidência impossível?

"Helena! Chegou o Sr. Almeida para buscar os livros que encomendou", a voz de Seu Antônio, o dono da livraria, a tirou de seu devaneio.

Ela colocou o livro de volta na pilha, a mão tremendo levemente. "Já vou, Seu Antônio."

O resto do dia passou em um borrão de atendimento a clientes e organização de prateleiras. Mas a imagem da dedicatória, a letra inconfundível de Lucas, não saía de sua mente. Era como se um portal para o passado tivesse se aberto, trazendo consigo a tempestade de sentimentos que ela tanto tentava controlar.

Ao final do expediente, enquanto trancava a porta da livraria, sentiu um aperto no peito. Aquele livro… a dedicatória… era demais para ser uma simples coincidência. Algo em seu interior, adormecido por tantos anos, começou a despertar. Um fio tênue de esperança, um desejo antigo de que talvez, apenas talvez, o destino estivesse lhe dando uma segunda chance.

Ao caminhar para casa, o céu de Porto Alegre já se tingia de tons alaranjados. As luzes da cidade começavam a acender, transformando o crepúsculo em um espetáculo de brilho. Helena olhou para as estrelas que surgiam, sentindo-se pequena e imensa ao mesmo tempo. Aquele livro, aquela dedicatória, era um farol em meio à sua solidão. E, pela primeira vez em muito tempo, um sonho esquecido parecia ganhar vida em seu coração.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%