Cap. 13 / 21

Sua para Sempre

Capítulo 13 — O Jogo Perigoso e a Ameaça Velada

por Camila Costa

Capítulo 13 — O Jogo Perigoso e a Ameaça Velada

A declaração de amor na praia e a conversa tensa no café haviam servido como um catalisador. Helena sentia-se revigorada pela certeza dos sentimentos de Daniel, mas também apreensiva com a inevitável confrontação que se aproximava. Ela sabia que não poderia mais viver em dois mundos, e a promessa feita a Daniel de se libertar pairava em sua mente como um objetivo urgente. Marcos, alheio à tempestade que se formava em sua volta, continuava a alimentar a ilusão de um futuro a dois, e cada gesto de carinho dele, cada plano traçado, soava para Helena como um alarme crescente.

Naquela noite, ela estava em um jantar de negócios com Marcos e alguns de seus sócios. O ambiente era sofisticado, os pratos finos, o vinho caro, mas para Helena, tudo parecia superficial e vazio. Ela forçava sorrisos, respondia às perguntas com a polidez esperada, mas seus pensamentos estavam longe dali, ecoando as palavras de Daniel.

"Você parece um pouco distraída hoje, Helena", Marcos comentou, deslizando a mão sobre a dela que repousava sobre a mesa. O toque, antes reconfortante, agora lhe causava um arrepio de desconforto.

Helena disfarçou, sorrindo para ele. "Estou apenas cansada, querido. Muito trabalho acumulado."

"Entendo. Mas não se preocupe, logo tudo isso será passado. Teremos todo o tempo do mundo para relaxar depois do casamento."

O casamento. A palavra, que antes soava como um sonho a ser alcançado, agora lhe causava um aperto no peito. Helena sentiu um pânico silencioso se instalar. Ela não podia mais adiar a verdade.

"Marcos", ela começou, a voz firme, apesar do nervosismo. "Precisamos conversar. Seriamente."

Marcos a olhou, uma sobrancelha arqueada. Havia um brilho de expectativa em seus olhos, talvez imaginando os detalhes finais dos preparativos do casamento.

"Claro, querida. O que foi?"

"Eu… eu não posso me casar com você, Marcos."

A frase pairou no ar, pesada e definitiva. O sorriso de Marcos desapareceu instantaneamente, substituído por uma expressão de choque e incredulidade. Os sócios à mesa se entreolharam, a conversa cessou abruptamente.

"Como assim, Helena? Do que você está falando?", Marcos perguntou, a voz baixa, mas carregada de uma frieza que Helena nunca havia notado antes.

"Eu não te amo, Marcos. Eu nunca te amei de verdade. Eu… eu amo outra pessoa." As palavras saíram com a força de um desabafo, um grito de libertação que ecoou pela sala.

O rosto de Marcos endureceu. A pele pareceu ficar mais pálida, e seus olhos, antes cheios de afeto, agora eram gelados e penetrantes. Ele soltou a mão de Helena como se ela lhe queimasse.

"Outra pessoa? Quem é esse cara, Helena? Quem é o desgraçado que pensa que pode roubar o que é meu?" A agressividade em sua voz chocou Helena. Era um lado de Marcos que ela desconhecia, um lado sombrio e possessivo.

"Ninguém está roubando nada, Marcos. Eu nunca fui sua. E essa pessoa… é alguém que eu amo profundamente."

"Profundamente?", ele riu, uma risada seca e sem humor. "Você chama isso de amor? Fugir para os braços de outro homem enquanto estava prometida a mim? Isso é traição, Helena. E eu não sou homem de ser traído."

O tom de Marcos era uma ameaça velada, um aviso que Helena sentiu em sua espinha. Ela se levantou, sentindo o olhar de todos sobre ela.

"Eu sinto muito por ter te iludido, Marcos. Sinto muito por ter te feito acreditar em algo que não era real. Mas eu não posso mais fingir. Preciso ser feliz. E a minha felicidade não está com você."

Sem esperar por uma resposta, Helena se virou e saiu da sala de jantar, deixando para trás um silêncio constrangedor e a fúria contida de Marcos. Ela caminhou rapidamente pelos corredores do restaurante luxuoso, o coração disparado, as mãos tremendo. Precisava sair dali, respirar o ar da rua, se livrar daquela atmosfera opressora.

Ao chegar à rua, a noite fria a acolheu. Ela pegou um táxi, pedindo para ser levada para casa. No caminho, o celular tocou. Era Daniel.

"Helena? Onde você está? Te liguei várias vezes." A voz dele era cheia de preocupação.

"Daniel… eu… eu contei para o Marcos." A voz dela estava embargada.

Um silêncio se seguiu do outro lado da linha. Helena imaginou a reação dele.

"E o que ele disse?", Daniel perguntou, finalmente.

"Ele… ele ficou furioso. Disse que eu o traí. Ele… ele me ameaçou, Daniel. De um jeito estranho." Helena sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

"Ameaçou? Como assim?"

"Não sei. Foi um tom… possessivo. Como se eu fosse uma propriedade dele. Ele disse que não é homem de ser traído."

Daniel suspirou, um som carregado de preocupação. "Eu sabia que ele não ia aceitar isso bem. Ele é um homem perigoso, Helena. E ele te quer. Ou melhor, ele quer o que você representa para ele."

"Eu sei. E eu estou com medo, Daniel." As lágrimas começaram a rolar.

"Não tenha medo. Você não está sozinha. Eu estou aqui. Onde você está agora?"

"Indo para casa. Mas eu não quero ficar sozinha."

"Eu vou aí. Fique onde está. Não saia. Eu já estou a caminho."

Pouco tempo depois, Daniel estava batendo à porta de Helena. Ela o recebeu com um abraço apertado, buscando refúgio em seus braços. Ele a confortou, a força de seu abraço sendo um bálsamo para sua alma assustada.

"Ele não vai te fazer mal, Helena. Eu não vou deixar", Daniel prometeu, a voz firme.

"Mas o que ele pode fazer, Daniel? Ele é poderoso. Ele tem influência." Helena estava genuinamente apavorada.

"Eu sei. E é por isso que precisamos ser cuidadosos. Mas a verdade está do nosso lado. E o amor. E isso é mais forte do que qualquer dinheiro ou poder."

Eles passaram o resto da noite conversando, planejando os próximos passos. Daniel insistiu que Helena se afastasse da casa de Marcos, que se mudasse para um lugar seguro enquanto eles enfrentavam a situação.

"Você não pode mais se expor a ele, Helena. Ele não vai desistir fácil."

Helena concordou. A ideia de deixar o apartamento que compartilhava com Marcos era assustadora, mas a necessidade de segurança era maior. Daniel ofereceu o apartamento de um amigo, um lugar discreto no Catete, onde poderiam se organizar.

Enquanto arrumava algumas malas com o essencial, Helena encontrou uma caixa antiga em seu armário. Dentro, havia cartas antigas, fotos de sua infância, e um pequeno diário. Eram memórias de um tempo mais simples, antes de toda a complicação que a vida havia se tornado. Ela abriu o diário, e uma página chamou sua atenção. Era uma anotação de sua adolescência, onde ela descrevia seus sonhos: ser uma escritora, viajar pelo mundo, e encontrar um amor verdadeiro, um amor que a fizesse sentir viva.

Olhou para Daniel, que a observava com ternura. "Eu me esqueci de quem eu era", ela sussurrou.

"Nunca é tarde para se reencontrar", Daniel respondeu, sorrindo.

A ameaça de Marcos era real, e o jogo perigoso havia começado. Mas Helena sentia uma força renovada. Ao lado de Daniel, ela sabia que poderia enfrentar qualquer coisa. A verdade, por mais dolorosa que fosse, estava abrindo um caminho para a verdadeira felicidade, um caminho que eles construiriam juntos, tijolo por tijolo, sob o céu estrelado do Rio. A sombra de Marcos pairava, mas a luz do amor de Helena e Daniel parecia mais forte, mais resiliente, pronta para desafiar qualquer escuridão.

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