Cap. 14 / 21

Sua para Sempre

Capítulo 14 — O Refúgio no Catete e a Vontade de Lutar

por Camila Costa

Capítulo 14 — O Refúgio no Catete e a Vontade de Lutar

O apartamento no Catete era pequeno, modesto, mas para Helena, naquele momento, representava um oásis de paz e segurança. As paredes claras, a mobília simples, os poucos quadros decorando os cômodos, tudo transmitia uma sensação de tranquilidade que ela não experimentava há muito tempo. O bairro, com seu charme histórico e a agitação familiar das ruas, oferecia um contraste bem-vindo com o luxo opressor do Leblon. Daniel a acompanhou, carregando algumas de suas malas, o olhar atento a cada detalhe, garantindo que ela se sentisse acolhida e protegida.

"É simples, eu sei", Daniel disse, com um sorriso um pouco apreensivo. "Mas é seguro. E é um lugar onde você pode ser você mesma, sem julgamentos."

Helena o abraçou forte. "É perfeito, Daniel. É tudo o que eu preciso agora. Obrigada."

Enquanto desembrulhava suas coisas, Helena sentia uma mistura de alívio e apreensão. A decisão de deixar Marcos havia sido difícil, mas necessária. A ameaça velada que ele havia feito na noite anterior ecoava em sua mente, alimentando um medo que ela tentava controlar. Daniel, percebendo sua inquietação, sentou-se ao seu lado no sofá, segurando suas mãos.

"Você está bem?", ele perguntou.

Helena assentiu, embora soubesse que não estava completamente bem. "Estou assustada, Daniel. Com o que Marcos pode fazer. Ele parecia tão… diferente. Tão possessivo."

"Eu sei. Ele é um homem perigoso quando se sente contrariado. Mas nós vamos lidar com isso. Juntos. O mais importante agora é que você esteja segura. E que você siga o seu coração. Você disse que me ama, Helena. E eu acredito em você."

A confiança em suas palavras era um bálsamo. Helena sentiu uma onda de gratidão por Daniel, por sua paciência, por sua força, por seu amor incondicional. Ela sabia que ele estava disposto a enfrentar Marcos por ela, e isso lhe dava uma coragem que ela pensou ter perdido para sempre.

Nos dias seguintes, a rotina em Catete se estabeleceu. Helena passava horas escrevendo, tentando colocar em palavras toda a turbulência de suas emoções. Ela redescobria sua paixão pela escrita, um refúgio seguro onde podia expressar seus medos, suas esperanças e seu amor por Daniel. Daniel, por sua vez, mantinha-se vigilante, pesquisando sobre os negócios de Marcos, tentando antecipar seus próximos passos. Ele sabia que Marcos não a deixaria ir facilmente.

Uma tarde, enquanto Helena escrevia em seu computador, um barulho na rua chamou sua atenção. Ela olhou pela janela e viu um carro preto, luxuoso, estacionado em frente ao prédio. O motorista, um homem com feições sérias, observava o edifício atentamente. O coração de Helena disparou. Era o carro de Marcos.

Ela se afastou da janela, aterrorizada. Daniel, que estava na cozinha preparando um café, a viu.

"O que foi, Helena?", ele perguntou.

"É o carro dele, Daniel. Marcos. Ele está aqui."

Daniel foi até a janela, observando o carro com cautela. "Fique calma. Ele não vai entrar aqui. Eu não vou deixar."

Ele pegou o celular e ligou para um amigo que trabalhava na polícia, um contato discreto para garantir a segurança de Helena. Sabiam que Marcos poderia usar métodos pouco ortodoxos para intimidá-la.

O carro ficou estacionado por mais de uma hora, e Helena permaneceu imóvel, o medo apertando seu peito. Finalmente, o carro se afastou, mas a sensação de vulnerabilidade persistiu.

"Ele está nos observando, Daniel", Helena disse, a voz trêmula. "Ele não vai desistir."

"Eu sei. E é por isso que precisamos ser mais fortes. Precisamos provar que você não é propriedade dele, Helena. Que você escolheu a mim, escolheu a liberdade. E que você não tem medo."

Daniel insistiu para que Helena não se isolasse completamente. Ele a encorajou a manter contato com sua mãe, a explicar a situação de forma sutil, sem alardes. Dona Clara, ao saber que Helena havia deixado Marcos, ficou chocada, mas a preocupação com o bem-estar da filha prevaleceu.

"Minha filha, o que aconteceu? Marcos te machucou?", Dona Clara perguntou, a voz embargada pela preocupação.

"Não, mãe. Ele não me machucou fisicamente. Mas eu não o amo. E eu não posso me casar com ele. Eu encontrei outra pessoa." Helena tentava transmitir a verdade com delicadeza, sem entregar todos os detalhes.

"Outra pessoa? Quem é esse homem, Helena? Você tem certeza? Marcos era um partido tão bom…"

"Mãe, por favor. Eu sei que você quer o melhor para mim. Mas a minha felicidade está em outro lugar. Eu só preciso que você confie em mim."

Dona Clara suspirou. A decepção era palpável em sua voz, mas o amor de mãe falou mais alto. "Tudo bem, minha filha. Eu confio em você. Mas tome cuidado. Ouvi dizer que Marcos anda muito alterado. Tenha cuidado com quem você anda."

A preocupação de sua mãe era um alívio, mas também um lembrete sombrio da situação. Helena sabia que a batalha seria longa e árdua.

Daniel, com sua inteligência e recursos, começou a investigar o passado de Marcos. Descobriu algumas irregularidades em seus negócios, pequenos deslizes que, se expostos, poderiam abalar sua reputação. A ideia não era destruir Marcos, mas sim mostrar a Helena que ele não era o homem perfeito que todos pensavam, e que ela merecia algo muito melhor.

"Ele usa a sua posição para controlar tudo e todos, Helena", Daniel explicou, mostrando a ela alguns documentos. "Ele não está acostumado a perder o controle. E ele vai tentar de tudo para te trazer de volta, para te punir."

Helena olhava para os documentos, sentindo uma mistura de raiva e admiração pela determinação de Daniel. Ele estava lutando por ela, por eles, com uma força que a inspirava.

"Eu quero lutar também, Daniel", Helena disse, a voz firme. "Eu não quero mais ser vítima. Quero que todos saibam que eu escolhi o meu caminho. Que eu escolhi o amor."

"E você vai lutar, meu amor. Vamos lutar juntos. Vamos mostrar a todos que o amor verdadeiro é mais forte do que qualquer manipulação. Que a coragem é mais poderosa do que o medo."

A vida no Catete, apesar das incertezas, era um refúgio. Helena encontrou em Daniel a força que precisava para enfrentar seus medos e para se reconectar com a escritora que sempre quis ser. Ela passava horas escrevendo, canalizando suas emoções em histórias que falavam de amor, coragem e libertação.

Um dia, Daniel a surpreendeu com um presente: um caderno de capa dura e uma caneta elegante.

"Para a minha escritora. Para que você continue contando as nossas histórias", ele disse, os olhos brilhando de orgulho.

Helena sorriu, emocionada. Naquele simples gesto, ela viu todo o amor e a dedicação de Daniel. Naquele refúgio improvisado no Catete, longe do luxo e da opressão, ela encontrou a verdadeira força para lutar. A vontade de ser feliz, de ser livre, de ser amada, ardia em seu peito como uma chama que nem mesmo a sombra de Marcos poderia apagar. A batalha estava apenas começando, mas Helena se sentia pronta, com Daniel ao seu lado, para enfrentar o que viesse pela frente.

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