Cap. 2 / 21

Sua para Sempre

Capítulo 2 — O Encontro Inesperado no Jardim Botânico

por Camila Costa

Capítulo 2 — O Encontro Inesperado no Jardim Botânico

O dia seguinte amanheceu com um sol tímido, como se a natureza também estivesse se recuperando de uma noite de incertezas. Helena acordou com uma sensação estranha de expectativa, como se algo importante estivesse prestes a acontecer. A imagem da dedicatória no livro ainda a assombrava, misturando-se aos seus sonhos e despertando um turbilhão de sentimentos que ela não conseguia nomear.

O café da manhã com a mãe foi mais silencioso que o usual. Dona Aurora percebeu a inquietação da filha, mas preferiu não pressioná-la. Sabia que certos assuntos precisavam ser desvendados no tempo certo, e que Helena, apesar de sua natureza introspectiva, tinha uma força interior que a guiaria.

"Vou dar uma volta no Jardim Botânico hoje, mãe", Helena anunciou, quase como uma necessidade. "Preciso de um pouco de ar fresco, de paz."

"Ótima ideia, meu amor", Dona Aurora respondeu, com um sorriso compreensivo. "Respire fundo por mim também."

Aos poucos, Helena foi se arrumando. Escolheu roupas confortáveis, um jeans e uma blusa leve. Pegou sua bolsa, dentro dela um pequeno caderno e uma caneta. A vida parecia ter ganhado um novo contorno, uma nuance de mistério que a impelia a buscar respostas, a desvendar o enigma que o destino lhe apresentara.

O Jardim Botânico era um dos seus lugares preferidos em Porto Alegre. Um oásis de verde e tranquilidade em meio à agitação da cidade. As árvores antigas, com seus galhos retorcidos que pareciam contar histórias centenárias, a floresta de samambaias, o aroma das flores exalando um perfume inebriante. Era ali que ela encontrava refúgio, onde suas preocupações pareciam diminuir, engolidas pela imensidão da natureza.

Ao entrar, o perfume das flores recém-abertas a envolveu, um convite à contemplação. Caminhou lentamente pelas alamedas, absorvendo a beleza serena ao seu redor. O sol, agora mais forte, filtrava-se pelas folhas, criando um jogo de luz e sombra que hipnotizava. Sentou-se em um banco próximo a um lago, observando os patos que deslizavam suavemente pela água.

Tirou o caderno da bolsa e a caneta. Não sabia exatamente o que escrever, mas a necessidade de registrar seus pensamentos era forte. Começou a rabiscar palavras soltas, fragmentos de memórias, perguntas sem resposta. A dedicatória no livro, a letra de Lucas, tudo voltava à sua mente com uma clareza assustadora.

"Por que agora?", ela sussurrou para si mesma, a voz embargada pela emoção. "Por que justo agora que eu estava começando a aceitar a vida como ela é?"

A solidão, que antes era uma companheira silenciosa, agora parecia ter ganhado voz, ecoando seus medos e suas esperanças. A possibilidade de Lucas ter retornado, ou de ter deixado algo para trás intencionalmente, era um convite perigoso para um coração que ainda guardava as cicatrizes do abandono.

Enquanto estava absorta em seus pensamentos, um som a tirou de seu devaneio. Uma risada. Uma risada familiar, profunda e calorosa, que ela não ouvia há anos, mas que jamais esqueceria. Seu coração deu um salto, um pulo desajeitado e cheio de esperança. Levantou a cabeça, os olhos buscando a origem do som.

E então o viu.

Lucas estava ali, não muito longe, sentado em um banco sob a sombra de uma araucária centenária. Ele estava mais velho, o rosto marcado por algumas linhas de expressão que lhe davam um ar ainda mais maduro e charmoso. Seus cabelos escuros estavam um pouco mais curtos, mas o brilho em seus olhos, um tom de mel que sempre a encantava, era o mesmo. Ele conversava animadamente com uma mulher, uma loira de beleza estonteante, com um sorriso largo e cativante.

Helena sentiu o ar lhe faltar. O mundo pareceu girar, as cores vibrantes do jardim se misturaram em um borrão de desespero. Era ele. Lucas. Vivo. E, aparentemente, acompanhado.

A dor veio em ondas, avassaladora, como um tsunami que a arrastava para o fundo do oceano. As promessas, os sonhos, as esperanças… tudo se desfez em um instante. A dedicatória no livro… teria sido apenas uma cruel brincadeira do destino? Uma forma de torturá-la ainda mais?

Hesitou por um momento. Deveria se aproximar? Deveria fingir que não o viu? O impulso de correr, de se esconder, era imenso. Mas, ao mesmo tempo, uma força desconhecida a prendia ali, imóvel, observando-o de longe.

De repente, Lucas olhou em sua direção. Seus olhos se encontraram. Um instante de silêncio congelado, onde o tempo pareceu parar. O sorriso de Lucas desapareceu, substituído por uma expressão de surpresa e, talvez, de choque. A mulher ao seu lado o seguiu com o olhar, curiosa.

Helena sentiu o rosto corar. Sabia que estava sendo observada, que o momento era inegavelmente constrangedor. Mas seus pés pareciam grudados ao chão. Não conseguia se mexer, não conseguia desviar o olhar. Era como se estivesse presa em uma armadilha, hipnotizada pela presença daquele homem que fora o centro do seu universo e que, agora, parecia pertencer a outro.

Lucas se levantou, a conversa com a mulher interrompida. Ele a olhou por mais alguns segundos, uma mistura de emoção e incerteza em seus olhos. Então, com uma decisão repentina, ele se dirigiu em sua direção.

O coração de Helena batia descompassado, um tambor frenético em seu peito. Cada passo que ele dava em sua direção era um soco em sua alma. Ela sentia o suor frio escorrer em sua testa, a respiração curta e ofegante.

Ele parou a poucos metros dela. O silêncio entre eles era ensurdecedor, carregado de anos de ausência e de palavras não ditas. A mulher que estava com ele, agora, observava a cena com uma expressão de confusão e um leve ciúme.

"Helena?", Lucas disse, a voz rouca, cheia de uma emoção contida.

Ela apenas conseguiu assentir, incapaz de articular uma palavra. Seus olhos, marejados, fixaram-se nos dele. Havia tanta coisa ali, tanta história, tanta dor, tanta saudade.

"Eu… eu não esperava te encontrar aqui", ele continuou, olhando para ela, depois para a mulher ao seu lado, como se tentasse equilibrar duas realidades.

"Nem eu", Helena respondeu, a voz um sussurro trêmulo.

Um silêncio constrangedor se instalou novamente. Helena se perguntava o que ele estaria pensando, o que diria. Aquele encontro, que ela havia desejado em seus momentos mais solitários, agora parecia um pesadelo. A imagem da mulher ao lado dele era um lembrete cruel de que o passado, por mais que se tentasse resgatar, nem sempre se encaixava no presente.

Lucas desviou o olhar por um instante, como se buscasse as palavras certas. "Eu… eu tenho que te apresentar. Esta é a Sofia." Ele indicou a mulher com um gesto vago. Sofia deu um sorriso forçado para Helena, um sorriso que não chegava aos olhos.

Helena tentou sorrir de volta, mas foi em vão. Sua garganta parecia fechada. "Prazer", ela conseguiu dizer, a voz ainda trêmula.

"Helena", Lucas completou, como se apresentasse a própria Helena a si mesmo, como se a redescobrisse ali, naquele exato momento.

Sofia olhou para Lucas, uma pergunta silenciosa em seu olhar. Havia uma tensão palpável no ar, uma eletricidade estranha que pairava entre Helena e Lucas, uma história que parecia não ter acabado, mas que agora se complicava com a presença de uma nova personagem.

"Eu… preciso ir", Helena disse, a voz ganhando um pouco mais de firmeza. Não conseguia mais suportar aquela situação. A dor era demais, a confusão era grande demais. "Foi… bom te ver, Lucas." A última frase saiu com um amargor que ela não conseguiu disfarçar.

Ela se virou, tentando controlar as lágrimas que ameaçavam cair. Não olhou para trás, não queria ver a expressão dele, não queria ver a mulher ao seu lado. Caminhou apressadamente para fora do Jardim Botânico, sentindo o peso do olhar dele em suas costas, o eco de sua voz em sua mente.

Ao sair pelos portões, o sol parecia mais forte, mas para Helena, o mundo havia escurecido. A esperança que a havia impulsionado até ali se desfez em pedaços, substituída por uma dor aguda e lancinante. O encontro que ela tanto temera e desejara, agora, parecia ter sido o golpe final. O sonho de um reencontro, de uma segunda chance, parecia ter sido brutalmente esmagado pela dura realidade.

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