Cap. 3 / 21

Sua para Sempre

Capítulo 3 — A Carta e a Crise de Um Amor Perdido

por Camila Costa

Capítulo 3 — A Carta e a Crise de Um Amor Perdido

De volta ao silêncio de seu quarto, Helena se permitiu desabar. As lágrimas que ela segurara com tanta força no Jardim Botânico agora corriam livremente, molhando seu rosto e caindo sobre o vestido. A imagem de Lucas, sorrindo para outra mulher, de mãos dadas, o brilho nos olhos que antes era dela, agora era de mais alguém, era um fantasma que a assombrava.

O livro com a dedicatória jazia esquecido sobre a escrivaninha. Ela o pegou com mãos trêmulas, a capa azul profunda parecendo zombar de sua dor. Abriu-o novamente, com a esperança desesperada de encontrar algo, qualquer coisa, que pudesse amenizar o impacto do que acabara de presenciar. Mas a letra de Lucas, o "L.", a frase "Para meu amor", pareciam agora cruéis ironias.

"Por que você fez isso, Lucas?", ela sussurrou para a página, a voz embargada. "Por que me deu essa esperança para depois me esmagar assim?"

A dor daquele reencontro inesperado foi pior do que ela imaginava. Era um misto de decepção, raiva e uma saudade profunda, quase insuportável. Aquele amor que ela acreditava ter guardado em um cofre seguro dentro de seu coração, agora parecia ter sido roubado, violado pela realidade.

Dona Aurora bateu suavemente na porta. "Helena? Filha? Posso entrar?"

Helena fungou, tentando controlar o choro. "Pode, mãe."

A mãe entrou, o rosto marcado pela preocupação. Ao ver a filha desfeita em lágrimas, abraçou-a com força. "Oh, meu amor. Eu sinto muito."

"Ele estava lá, mãe. Com outra mulher. Linda. Feliz", Helena desabafou, a voz abafada no ombro da mãe. "E eu… eu não consegui dizer nada. Apenas fugi."

Dona Aurora acariciou os cabelos de Helena. "Não se culpe, meu amor. Foi um choque. E você é forte. Vai superar isso."

"Como, mãe? Como superar quando a pessoa que você amou a vida toda, e que você achou que ainda sentia algo por você, está ali, vivendo a vida dele, com outra pessoa?" As lágrimas voltaram a correr, mais fortes agora.

"A vida nem sempre segue o roteiro que planejamos, Helena. Às vezes, nos apresenta reviravoltas dolorosas. Mas lembre-se do que eu disse: você é forte. E o amor verdadeiro, o amor que te faz bem, sempre encontrará um caminho. Talvez este amor que você sente… talvez ele já tenha cumprido o seu ciclo. Talvez seja hora de abrir espaço para um novo amor, um amor que seja só seu."

As palavras da mãe, embora reconfortantes, não conseguiam apagar a imagem de Lucas. Aquele "L." na dedicatória, a caligrafia, tudo parecia uma armadilha.

No dia seguinte, Helena mal conseguiu sair da cama. A livraria fechou para ela. O mundo parecia ter perdido a cor, o som, o sabor. Ficou deitada, olhando para o teto, revivendo cada segundo do encontro no Jardim Botânico. A voz de Lucas, o olhar confuso dele, o sorriso forçado de Sofia.

Enquanto revirava algumas coisas em sua gaveta em busca de um lenço, seus dedos esbarraram em um envelope antigo. Era um envelope que ela não via há anos, guardado no fundo de um baú de lembranças. Com um misto de receio e curiosidade, ela o abriu.

Dentro, havia uma carta. Uma carta escrita em uma caligrafia que ela reconheceria em qualquer lugar. A letra de Lucas. Era uma carta antiga, escrita na época em que ele precisou se mudar de Porto Alegre para estudar em São Paulo, antes de, por um capricho do destino, desaparecer completamente de sua vida.

Com mãos trêmulas, Helena começou a ler.

"Minha querida Helena,

Sei que esta carta vai te encontrar quando eu já estiver longe, em outra cidade, em outra vida. E a ideia de te deixar, de te afastar de mim, me consome. Mas as circunstâncias nos forçam a tomar caminhos que jamais desejaríamos.

Você é a luz dos meus dias, o motivo do meu sorriso, o meu primeiro e único amor. A ideia de passar um dia sem te ver, sem sentir seu toque, sem ouvir sua risada… é insuportável. Mas a responsabilidade que me aguarda é grande, e sinto que preciso honrá-la, mesmo que isso signifique um sacrifício imenso para nós dois.

Não pense que estou te abandonando. Jamais. O meu amor por você é maior que qualquer distância, maior que qualquer obstáculo. Prometo que voltarei. Prometo que, assim que puder, estarei ao seu lado novamente. Esta distância é apenas um teste, um intervalo cruel em nossa história de amor. E eu vou superar esse teste, por você, por nós.

Cuide-se, meu amor. Mantenha nosso amor vivo em seu coração, assim como eu o guardarei em meu peito, a cada segundo de cada dia. E saiba que, onde quer que eu esteja, estarei pensando em você, sonhando com o nosso futuro juntos.

Com todo o meu amor, para sempre seu, Lucas."

Ao terminar de ler, Helena sentiu um nó na garganta se desfazer. As palavras de Lucas, escritas há tanto tempo, pareciam agora ter um novo significado. Ele não a abandonara por escolha, mas por necessidade. Ele a amava. Ele prometera voltar.

As lágrimas que corriam agora não eram de desespero, mas de uma mistura agridoce de dor e esperança. A dor pela separação, pela distância, pela incerteza. E a esperança de que talvez, apenas talvez, as promessas de Lucas ainda tivessem valor.

Mas e Sofia? E a mulher que ele estava no Jardim Botânico? A carta era antiga, de antes da sua partida. O que teria acontecido nesses anos?

Ela pegou o livro com a dedicatória. "Para meu amor, para que as palavras nos guiem quando a distância nos separar. Com todo o meu coração, L." A dedicatória devia ser recente. Era um Lucas diferente do da carta. Um Lucas que havia seguido em frente, que havia encontrado um novo amor.

A confusão tomou conta dela. Como conciliar o Lucas da carta, o jovem apaixonado que jurava amor eterno, com o Lucas que ela vira no Jardim Botânico, ao lado de outra mulher?

Ela precisava de respostas. Precisava entender. A carta, embora reacendesse uma chama de esperança, também trazia consigo mais perguntas do que respostas. Aquele amor perdido, que ela acreditava ter enterrado, agora ressurgia das cinzas, mais complexo e doloroso do que nunca.

Enquanto olhava para a carta e para o livro, Helena sentiu uma determinação crescer dentro de si. Ela não podia mais viver na incerteza, nas dúvidas. Precisava enfrentar a verdade, por mais dolorosa que fosse. Precisava entender o que havia acontecido, o que significava a presença de Sofia, e o que aquela dedicatória no livro representava.

O amor que ela sentia por Lucas era intenso, profundo, capaz de mover montanhas. Mas agora, ela percebia que esse amor também a impulsionava a buscar a clareza, a justiça. Ela não seria mais a vítima do destino, a doce Helena que se conformava com a dor. Ela lutaria por suas respostas, por sua paz, e talvez, apenas talvez, por uma nova chance de ser feliz.

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