Sua para Sempre
Com certeza! Prepare o coração, pois lá vem drama, paixão e reviravoltas à brasileira. Aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Sua para Sempre", escritos com a alma de quem vive e respira o nosso Brasil.
por Camila Costa
Com certeza! Prepare o coração, pois lá vem drama, paixão e reviravoltas à brasileira. Aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Sua para Sempre", escritos com a alma de quem vive e respira o nosso Brasil.
Sua para Sempre Autor: Camila Costa
Capítulo 6 — A Sombra do Passado no Café Aconchegante
O aroma adocicado de café torrado pairava no ar, misturando-se ao burburinho suave das conversas e ao tilintar discreto das xícaras. A "Cantina da Esquina", um refúgio aconchegante de paredes de tijolos aparentes e mesas de madeira rústica, sempre fora o lugar preferido de Isabela para fugir do furacão que se tornara sua vida. Aquele dia, porém, o furacão parecia ter encontrado um porto para se abrigar bem ali, no exato momento em que ela se sentou, ajeitando a bolsa de couro no colo.
Seus dedos traçaram distraidamente o contorno da xícara de cappuccino, a espuma cremosa formando um desenho efêmero que refletia a instabilidade em seu peito. Desde que encontrara a carta de Rodrigo, um misto de saudade, raiva e uma dor lancinante se instalara em sua alma. A lembrança de um amor que parecia eterno se esvaindo como fumaça tornava cada dia mais pesado. Tinha que ser forte, por ela, por sua mãe, por aquele novo começo que ela tentava desesperadamente construir.
Foi então que o som inconfundível de uma risada masculina, grave e cheia de uma familiaridade que gelou seu sangue, a fez levantar os olhos abruptamente. A porta da cantina se abriu, e a luz do sol poente iluminou a figura que ela temia encontrar mais do que tudo naquele momento. Rodrigo. Alto, com os cabelos levemente desgrenhados, o mesmo sorriso que um dia a fez suspirar, mas agora tingido por uma sombra de preocupação que ela não soube decifrar.
Ele a viu. O sorriso vacilou por um instante, e seus olhos azuis, que antes espelhavam o céu de um verão inesquecível, agora pareciam carregar a tempestade de um inverno prolongado. Um silêncio pairou entre eles, denso e carregado de anos de ausência, de promessas não ditas e de um amor que, apesar de tudo, ainda latejava em algum lugar profundo.
Isabela sentiu o coração disparar, um tambor descompassado contra suas costelas. O desejo de correr, de se esconder, de fingir que não o via, lutava contra uma força irresistível que a prendia ao seu lugar. Era ele. Aquele que um dia fora o centro do seu universo, o homem com quem planejara um futuro repleto de sonhos, e que, de uma hora para outra, desaparecera como um fantasma.
Rodrigo hesitou por um momento, como se ponderasse se deveria se aproximar. Então, com passos que pareciam arrastar um peso invisível, ele caminhou até a mesa dela. Seus olhos não deixaram os dela por um segundo.
"Isabela...", a voz dele era um sussurro rouco, carregado de emoção.
Ela engoliu em seco, tentando controlar o tremor em seus lábios. "Rodrigo. O que... o que você está fazendo aqui?"
Ele parou ao lado da mesa, as mãos nos bolsos da calça jeans, um gesto que ela reconhecia bem. A postura tensa denunciava a mesma apreensão que ela sentia. "Eu... eu estava passando. E te vi. Não sabia que você vinha mais aqui."
"As coisas mudam", ela respondeu, a voz um pouco mais firme do que esperava. Falar com ele depois de tantos anos era como pisar em um campo minado, cada palavra um risco de explodir em dor.
Rodrigo assentiu lentamente, seus olhos percorrendo o rosto dela. "Você parece... diferente."
"Eu sou diferente, Rodrigo. Cinco anos mudam uma pessoa." O tom dela era frio, medido, mas por dentro, as lembranças invadiam como uma onda forte. Aquele café, eles costumavam vir aqui. Sentavam-se naquela mesa ali no canto, dividiam um pedaço de bolo de chocolate e sonhavam acordados com o futuro.
"Eu sei. E eu... eu sinto muito, Isabela. Por tudo." A voz dele embargou. Ele se aproximou um pouco mais, como se procurasse coragem nas palavras que estava prestes a proferir. "Eu sei que eu deveria ter te procurado antes. Que eu deveria ter explicado. Mas... as coisas foram complicadas."
"Complicadas?", ela repetiu, um riso amargo escapando de seus lábios. "Complicadas é pouco. Você sumiu, Rodrigo. Sem uma palavra. Sem um adeus. Deixou um bilhete que mais parecia uma sentença. Uma sentença de abandono." A raiva, que ela tanto tentava reprimir, borbulhava agora na superfície.
Ele baixou o olhar, a vergonha estampada em seu rosto. "Eu sei. E eu vivo com isso todos os dias. Eu nunca quis te machucar, Isabela. Nunca."
"Mas machucou. Profundamente. Você destruiu tudo o que tínhamos. Destruiu a mim." As lágrimas, que ela lutava para segurar, começaram a rolar por suas bochechas. Ela as enxugou rapidamente com as costas da mão, sentindo-se vulnerável demais em sua presença.
"Eu sei que sim. E não há desculpas para o que eu fiz. Mas eu precisava vir. Eu precisava te ver, pelo menos uma vez. Para te dizer que eu penso em você. Que eu me arrependo. Que eu nunca te esqueci." Ele levantou o olhar, a sinceridade em seus olhos era inegável. A dor que ela via ali era um espelho da sua própria.
Isabela o observou, o coração partido em mil pedaços. Era o homem que ela amara com todas as forças, o homem que a quebrara. E agora ele estava ali, pedindo desculpas, confessando um amor que ela pensava ter morrido. A confusão em sua mente era avassaladora. Ela se levantara, a xícara de café esquecida.
"Eu não posso, Rodrigo. Eu não posso mais ouvir isso. Eu construí uma nova vida. Uma vida sem você. E eu não vou deixar que você a destrua de novo." A voz dela tremia, mas havia uma determinação férrea nela. Ela pegou sua bolsa, pronta para sair.
"Espera, Isabela! Por favor!" Ele estendeu a mão, como se quisesse tocá-la, mas parou no ar. "Eu não vim para te perturbar. Eu só... eu preciso que você saiba. Que o que aconteceu... não foi por falta de amor."
"Então por que foi, Rodrigo? Por que você foi embora?" A pergunta ecoou no silêncio da cantina, atraindo alguns olhares curiosos.
Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo com força. "Houve uma situação... muito delicada. Envolveu a minha família. Eu tive que tomar uma decisão que parecia ser a única saída. Uma decisão que me custou tudo. Inclusive você."
Isabela o encarou, a esperança, por menor que fosse, começando a faiscar em seu peito. Havia uma história ali, uma história que ia além do abandono frio e cruel que ela imaginara. "Que situação, Rodrigo? O que aconteceu?"
Ele hesitou, a luta interna visível em seu olhar. A sombra do passado parecia se adensar ao redor deles, mas a luz da esperança, tênue, mas presente, também. Aquele encontro inesperado, naquele café aconchegante, era apenas o prelúdio de uma tempestade de verdades e sentimentos que estava prestes a desabar sobre suas vidas.
"Eu preciso te contar tudo, Isabela. Mas não aqui. Não agora. Podemos nos encontrar de novo? Em outro lugar? Eu preciso te explicar. Preciso que você entenda." Ele a olhou com uma súplica silenciosa, o olhar fixo no dela, como se dependesse dessa resposta toda a sua redenção.
Isabela sentiu um nó na garganta. A razão gritava para que ela fugisse, para que esquecesse esse homem de uma vez por todas. Mas seu coração, aquele pedaço teimoso que nunca se curara completamente, sussurrava outra coisa. Uma chance. Uma única chance para desvendar o mistério que a assombrara por tantos anos. Ela hesitou, o conflito estampado em seu rosto. O passado batia à sua porta, disfarçado de um amor perdido e uma dor ainda viva.
"Eu... eu preciso pensar, Rodrigo." Foi tudo o que ela conseguiu dizer antes de se virar e sair apressadamente da cantina, deixando para trás o aroma de café e um homem com os olhos cheios de uma esperança frágil e a sombra de um passado que teimava em não se dissipar.