Meu Chefe, Meu Amor III

Capítulo 11

por Ana Clara Ferreira

Ah, meu querido leitor, prepare o seu coração para mais uma dose de emoções que só o amor, em sua mais pura e avassaladora forma, pode nos proporcionar. Voltemos a nos encontrar com os destinos entrelaçados de Sofia e Rafael, onde os ventos da paixão sopram com a força de um furacão, capazes de construir ou destruir impérios de sentimentos.

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Capítulo 11 — O Sussurro da Verdade no Vento do Passado

O sol de outono beijava as folhas douradas que caíam preguiçosamente sobre a alameda do Parque do Ibirapuera. Sofia caminhava, o casaco de lã um abraço gentil contra o friozinho que começava a se instalar no ar paulistano. Cada passo parecia um eco em seu peito, carregado de uma melancolia que ela não conseguia afastar. Desde a conversa com Clara, sua melhor amiga, um nó se formara em sua garganta, uma sensação incômoda de que algo importante escapava por entre os dedos de sua compreensão. Clara, com sua perspicácia habitual, insinuara que as ações de Rafael, sua recusa em aceitar completamente o amor que Sofia oferecia, poderiam ter raízes em algo mais profundo, algo que o assombrava de seu passado.

“Ele não te esconde nada por maldade, Sofi”, Clara dissera, os olhos escuros e intensos fixos nos dela. “Ele apenas… ele tem medo. Medo de repetir erros, medo de perder o que ele nunca teve a chance de segurar de verdade.”

Sofia parou, o olhar perdido no lago espelhado. O que Clara quis dizer com “nunca teve a chance de segurar de verdade”? Rafael era um homem de sucesso, impenetrável, que parecia ter tudo sob controle. Ou será que essa fachada de controle era exatamente o que o aprisionava? Ela se lembrava das poucas vezes em que ele se permitira vulnerável, dos lampejos de dor que cruzavam seus olhos azuis como relâmpagos em céu nublado. Eram momentos fugazes, rapidamente mascarados por um sorriso forçado ou uma mudança brusca de assunto.

Um arrepio percorreu sua espinha, não apenas pelo frio. A ideia de que a relutância de Rafael em se entregar totalmente pudesse ser fruto de um trauma, de uma perda, apertava seu coração. Ela o amava com uma intensidade que a assustava, um amor que a fazia querer desvendar cada segredo, cada cicatriz. E se Clara estivesse certa? E se a barreira que ela sentia entre eles fosse construída não por falta de amor, mas por um excesso de dor não curada?

Decidiu que precisava saber. Era um risco, sim. Mexer nas feridas de alguém, especialmente de alguém que ela amava, poderia ser perigoso. Mas o silêncio, a incerteza, era ainda mais torturante. Ela parou em frente a uma velha figueira, cujos galhos retorcidos pareciam mãos estendidas em súplica. A imagem a tocou.

Enquanto isso, em seu imponente escritório na capital, Rafael sentia a tensão de um dia de reuniões intermináveis. Os números, os contratos, as projeções de mercado eram seu refúgio, um labirinto onde ele podia se perder e, paradoxalmente, encontrar um tipo de paz. Mas, mesmo ali, a imagem de Sofia o assombrava. Ela era um raio de sol em sua vida meticulosamente organizada, uma tempestade de sentimentos que ele lutava para controlar.

Ele a amava. A verdade era clara, gritante, avassaladora. Mas o amor, para ele, era um campo minado. Sua mente vagou para um passado distante, para uma casa que ele mal se lembrava, para vozes que se calaram cedo demais. Sua infância fora marcada pela ausência, por um vazio que ele tentou preencher com trabalho, com ambição, com uma armadura impenetrável. A ideia de se entregar a alguém, de permitir que essa pessoa visse suas fraquezas, seus medos mais profundos, era aterrorizante. E se ele a machucasse? E se, por algum deslize, por alguma falha inerente à sua natureza, ele a fizesse sofrer como ele mesmo sofrera?

Seu celular vibrou, tirando-o de seus devaneios. Era uma mensagem de Sofia: “Podemos conversar esta noite? Em algum lugar calmo. Preciso falar com você.”

O coração de Rafael disparou. Ele sabia que ela sentia algo, que a distância que ele teimava em manter não passava despercebida. O pânico o atingiu. O que ela queria falar? Teria ela descoberto algo? Ele revirou os olhos em frustração. Clara. Era ela, com certeza. Clara sempre soube como desenterrar o que ele mais tentava esconder.

Respirou fundo, tentando retomar o controle. Ele não podia fugir. Não mais. Cada vez que ele se afastava, sentia um pedaço de si se esvair. E, mais importante, ele sentia a dor em Sofia. A dor que ele mais desejava apagar.

“Claro, meu amor”, digitou ele, a resposta saindo quase automaticamente. “Onde e quando?”

Sofia leu a resposta de Rafael com um misto de alívio e apreensão. Ele havia aceitado. Mas a saudação “meu amor” soou um pouco… forçada. Era como se ele estivesse se obrigando a dizer aquelas palavras.

Ela escolheu um pequeno café charmoso no bairro de Pinheiros, um lugar com poucas mesas e um aroma reconfortante de café torrado. Chegou mais cedo, sentou-se em uma mesa no canto, observando as pessoas passarem pela janela. Cada minuto que se aproximava era uma eternidade.

Quando Rafael entrou, o ar do café pareceu vibrar. Ele estava impecável, como sempre, mas seus olhos pareciam um pouco mais sombrios, carregados de uma preocupação que ele tentava disfarçar. Ele se aproximou da mesa, um sorriso leve nos lábios.

“Sofia”, ele disse, a voz um pouco rouca.

“Rafael”, ela respondeu, tentando manter a voz firme. “Sente-se.”

Ele se acomodou na cadeira à sua frente, o olhar encontrando o dela com uma intensidade que a fez prender a respiração. Havia uma batalha ali, em seus olhos, algo que ela não compreendia, mas que sentia profundamente.

“Você queria falar comigo”, ele começou, a mão tamborilando levemente na mesa.

Sofia hesitou. Como começar? Como tocar em um assunto tão delicado sem parecer acusatória ou invasiva? Ela decidiu ser direta, mas gentil.

“Rafael, eu sinto que há algo que você não me conta”, ela começou, as palavras saindo em um sussurro. “Sinto que você se afasta às vezes, como se estivesse com medo de algo. E eu… eu quero saber o quê.”

O rosto de Rafael endureceu por um instante. Seus olhos se desviaram para a janela, onde as folhas dançavam ao vento. Um silêncio pesado se instalou entre eles, quebrado apenas pelo som suave da máquina de café. Sofia sentiu o desespero crescer. Ele estava se fechando novamente.

“Não há nada, Sofia”, ele disse, finalmente, a voz controlada, mas com uma frieza que a gelou. “Apenas a rotina, o trabalho. Você sabe como é.”

“Eu sei o quanto você trabalha, Rafael. Mas isso não é sobre trabalho. É sobre nós. É sobre o que está entre nós.” Ela estendeu a mão sobre a mesa, hesitando antes de tocá-lo. “Se você está sofrendo por algo, eu quero estar ao seu lado. Se você tem medo de me machucar, saiba que o que me machuca mais é essa distância, essa sua relutância em se abrir comigo.”

Rafael pegou a mão dela, os dedos frios apertando os dela com força. Ele a olhou nos olhos, e pela primeira vez, Sofia viu a dor nua e crua ali, um oceano de sofrimento que ele tentava esconder. Havia também uma súplica silenciosa em seu olhar, um pedido de compreensão.

“Sofia… é complicado”, ele murmurou, a voz carregada de uma angústia que a fez querer abraçá-lo e não soltá-lo mais. “Há coisas no meu passado… coisas que eu… eu não superei.”

O coração de Sofia deu um salto. Clara estava certa. O passado de Rafael era a chave. “Que coisas, Rafael? Eu quero saber. Por favor. Confie em mim.”

Ele fechou os olhos por um momento, como se estivesse reunindo forças. Quando os abriu novamente, a determinação era visível, misturada com uma vulnerabilidade assustadora. “Eu… eu perdi minha mãe quando era muito jovem. E meu pai… ele nunca se recuperou. Ele se tornou um fantasma em nossa casa. Eu cresci vendo a dor, a ausência. E eu… eu tenho medo. Medo de me apegar, medo de perder, medo de me tornar como ele.”

As palavras de Rafael caíram sobre Sofia como um raio. Ela não sabia o que dizer, apenas apertou a mão dele com mais força, oferecendo o conforto que as palavras não podiam expressar. A armadura dele, que ela tanto tentara transpor, estava se rachando, revelando as feridas que o assombravam. E, naquele momento, o amor de Sofia por ele se aprofundou ainda mais, transformado em uma força de cura, de compreensão, de um desejo inabalável de ajudá-lo a encontrar a paz que ele tanto buscava. O caminho seria longo, mas ela estava disposta a percorrê-lo, lado a lado com ele, enfrentando os fantasmas do passado que os separavam.

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