Amor sem Retorno III

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Amor sem Retorno III", escritos no estilo de uma novela brasileira:

por Valentina Oliveira

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Amor sem Retorno III", escritos no estilo de uma novela brasileira:

Capítulo 6 — O Encanto Sombrio de Angra dos Reis

O sol de Angra dos Reis, aquele sol que em outros tempos era sinônimo de alegria e despreocupação, agora parecia carregar um peso opressor sobre os ombros de Sofia. Cada raio que beijava a pele era um lembrete das promessas quebradas, das confissões sussurradas à beira-mar, das mãos dadas que agora pareciam se afastar para sempre. O iate luxuoso, que outrora fora palco de momentos de puro êxtase com Rafael, agora se assemelhava a uma gaiola dourada.

Ela observava a paisagem deslumbrante da janela da suíte master. As ilhas verdejantes pontilhando o azul profundo do Atlântico, o brilho cintilante da água, a brisa salgada que acariciava seu rosto – tudo era de uma beleza de tirar o fôlego. Mas para Sofia, era uma beleza manchada, turva pela incerteza e pelo medo. Rafael estava ali, em algum lugar daquele iate, talvez na academia, talvez na sala de comando, talvez… com ela. Mas a distância entre eles era palpável, mais espessa que qualquer neblina marítima.

Desde que chegaram a Angra, a atmosfera entre eles mudou drasticamente. A euforia da fuga, a adrenalina de deixarem para trás as amarras do passado, deram lugar a uma tensão silenciosa. Rafael, embora fisicamente presente, parecia absorto em seus próprios pensamentos, os olhos azuis, antes repletos de paixão por ela, agora carregavam um brilho distante, quase calculista. Ele falava pouco, e quando falava, suas palavras eram medidas, sem a entrega e a espontaneidade de sempre.

Sofia tentava decifrar seu silêncio. Seria o peso da decisão que tomaram juntos? O receio de serem descobertos? Ou algo mais profundo, algo que ela não conseguia alcançar? Ela sentia falta do Rafael que se perdia nos seus cabelos, que a beijava sem motivo aparente, que lhe contava seus sonhos mais secretos. O Rafael que agora a olhava parecia um estranho disfarçado de amor.

“Bom dia, meu amor”, disse Rafael, sua voz mais grave do que o usual. Ele entrou na suíte, vestindo uma camisa branca aberta, os cabelos ligeiramente desalinhados. A visão dele, como sempre, provocava um arrepio em Sofia, uma mistura de desejo e angústia.

Sofia virou-se, um sorriso forçado nos lábios. “Bom dia. Você dormiu bem?”

Rafael assentiu, aproximando-se dela. Ele a envolveu com seus braços, o cheiro de seu perfume amadeirado invadindo as narinas dela. Por um instante, ela se permitiu relaxar em seu abraço, sentindo o calor de seu corpo contra o seu. Mas logo a rigidez em seus ombros a alertou.

“Eu pensei muito esta noite”, disse ele, a voz baixa, quase um murmúrio contra o cabelo dela.

Sofia ergueu a cabeça, seus olhos encontrando os dele. “Pensou em quê, Rafael?” A esperança, teimosa, brotou em seu peito. Talvez ele fosse finalmente abrir seu coração.

Ele se afastou um passo, um gesto que a fez encolher por dentro. Seus olhos percorreram o rosto dela, intensos, procurando algo que ela não sabia se estava ali. “No futuro. No nosso futuro.”

“E o que você pensou?”, perguntou ela, a voz embargada. Ela precisava ouvir. Precisava de um sinal de que o amor que os unia era mais forte do que as sombras que os perseguiam.

Rafael suspirou, um som pesado, carregado de uma melancolia que ela não reconhecia. “Sofia, nós… nós fugimos. Deixamos tudo para trás. E isso tem um preço.”

“Nós fizemos o que precisávamos fazer”, respondeu ela, a voz firme, tentando transmitir a convicção que sentia. “Nossa vida lá não era mais vida. Era um inferno.”

“Eu sei. E eu nunca me arrependerei de ter te tirado de lá. Mas agora…” Ele hesitou, passando a mão pelos cabelos. “Agora precisamos ser realistas. O que é real, Sofia? O que construímos ou o que deixamos para trás?”

As palavras dele ecoaram na vastidão da suíte, atingindo Sofia como ondas geladas. Realistas? O que ele queria dizer com realistas? O amor deles, as noites inesquecíveis, as juras de amor eterno, tudo isso não era real?

“Rafael, o que está acontecendo? Você está se arrependendo?”, a pergunta saiu, um sussurro de dor.

Ele a olhou, os olhos fixos nos dela, e pela primeira vez, ela viu neles uma complexidade que a assustou. Não era apenas amor, nem apenas medo. Era algo mais… estratégico.

“Não é arrependimento, Sofia. É pragmatismo. Eu tenho inimigos. Pessoas que nunca vão me perdoar o que eu fiz. E agora, você está comigo. Isso te coloca em perigo.”

“Eu sei o perigo, Rafael. Eu escolhi estar com você, ciente de tudo.” Ela o segurou pelos braços, seus dedos apertando sua pele. “Não me diga que você está pensando em… em me deixar ir.”

O silêncio dele foi a resposta mais cruel. Ele desviou o olhar, encarando o horizonte azul. “Eu não posso te proteger para sempre, Sofia. O mundo em que entramos é cruel. E eu não quero que você se torne um peão na minha guerra.”

As lágrimas começaram a se formar nos olhos de Sofia, quentes e dolorosas. “Um peão? Eu sou seu amor, Rafael! Eu não sou um peão de ninguém!”

“E você é a mulher que eu amo mais do que tudo neste mundo”, ele disse, virando-se para ela novamente, a voz embargada. “É por isso que eu preciso pensar no seu bem-estar. Em te dar uma chance de ter uma vida tranquila, longe de tudo isso.”

“Uma vida tranquila sem você? Você está louco? O que você quer que eu faça? Volte para a minha vida anterior? Viver sem respirar o seu ar? Sem sentir o seu toque?” A voz dela tremia, a angústia se transformando em fúria.

“Eu estou pensando em te dar uma saída”, ele disse, a voz dura, como se estivesse se protegendo de suas próprias emoções. “Uma saída digna. Eu posso te dar os recursos que você precisa. Te colocar em um lugar seguro, onde ninguém jamais te encontraria. Longe de mim.”

O choque a paralisou. A ideia de ser afastada de Rafael, de ser ‘colocada em segurança’ como se fosse um objeto frágil, era intolerável. Ela, Sofia, que havia enfrentado tudo e todos para ficar ao lado dele, agora estava sendo tratada como um fardo.

“Você não pode fazer isso, Rafael! Você não pode decidir o meu futuro sem mim! O nosso amor não é uma conveniência para você fugir quando as coisas ficam difíceis!”

“Não é assim, Sofia!”, ele exclamou, a voz elevando-se. “Você não entende a gravidade da situação!”

“Eu entendo perfeitamente!”, ela gritou de volta, a dor transbordando. “Você tem medo! Medo de que eu me torne um alvo! E em vez de lutarmos juntos, você quer me afastar para se sentir seguro! Você está me abandonando, Rafael!”

As palavras pairaram no ar, pesadas e definitivas. Rafael a olhou, o rosto endurecido, mas os olhos carregavam uma dor profunda, um conflito interno que Sofia não conseguia mais decifrar. Ele deu um passo para trás, um gesto de rendição, ou talvez de desespero.

“Eu preciso pensar, Sofia. Precisamos de tempo. O iate irá para o Rio de Janeiro em breve. Lá, tomaremos as decisões que forem necessárias.”

Ele saiu da suíte, deixando Sofia sozinha com seus pensamentos e o mar imponente lá fora. O encanto sombrio de Angra dos Reis a envolvia, a beleza da paisagem agora um triste espelho de seu próprio desamparo. O amor que a havia impulsionado para uma nova vida agora parecia estar se desfazendo, arrastado pelas correntes traiçoeiras da realidade que eles haviam tentado escapar.

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