Amor sem Retorno III

Capítulo 7 — As Verdades Dolorosas no Coração do Rio

por Valentina Oliveira

Capítulo 7 — As Verdades Dolorosas no Coração do Rio

A cidade do Rio de Janeiro os recebeu com seu abraço caloroso e ao mesmo tempo implacável. O iate, ancorado na Marina da Glória, tornara-se o epicentro de uma tensão palpável. Os dias em Angra dos Reis haviam sido um prelúdio para a tempestade que se formava. Sofia e Rafael, embora vivendo sob o mesmo teto, pareciam morar em mundos paralelos. O silêncio entre eles era carregado de palavras não ditas, de mágoas que se aprofundavam a cada hora que passava.

Sofia observava Rafael com uma mistura de saudade e desconfiança. Ele continuava evasivo, mergulhado em reuniões secretas que o mantinham ocupado por horas a fio. De volta à cidade, o jogo de aparências de Rafael parecia ter voltado com força total. Ele se vestia impecavelmente, os ternos caros e elegantes, os cabelos sempre alinhados, o sorriso profissional voltado para o mundo. Mas para Sofia, aquele sorriso era uma máscara. Aquele não era o Rafael que ela amava.

Uma tarde, enquanto o sol se punha tingindo o céu de tons alaranjados e arroxeados, criando um espetáculo grandioso sobre a Baía de Guanabara, Sofia decidiu que não aguentava mais. Ela encontrou Rafael em seu escritório privativo a bordo do iate, o espaço elegantemente decorado, mas frio e impessoal. Ele estava debruçado sobre documentos, a testa franzida em concentração.

“Rafael”, ela disse, a voz firme, decidida a não se deixar mais consumir pela incerteza.

Ele ergueu os olhos, um lampejo de surpresa em seu olhar, rapidamente substituído pela sua usual reserva. “Sofia. Precisa de alguma coisa?”

Ela entrou no escritório, fechando a porta atrás de si. O som suave do clique ecoou no silêncio. “Preciso de você. Preciso que você me diga o que está acontecendo. Você mal fala comigo. Você se afasta cada vez mais. O que nós somos agora, Rafael?”

Ele suspirou, levantando-se e caminhando até a janela. Seus ombros estavam tensos, o corpo rigidamente tenso. “Nós somos… sobreviventes, Sofia. E eu estou tentando garantir que a gente continue a ser.”

“Sobreviventes?”, ela riu, um riso amargo, sem alegria. “É isso que você chama o nosso amor? Uma batalha pela sobrevivência? E você está planejando me sacrificar para ganhar essa batalha?”

Rafael se virou para ela, os olhos azuis faiscando. “Não fale assim. Você sabe que não é isso.”

“Então o que é, Rafael? Me diga! Estou cansada dessa ambiguidade, desse medo que você insiste em criar! Você me tirou da minha antiga vida, prometendo um novo começo, um amor que superaria tudo. E agora você quer me afastar? Por quê?”

Ele se aproximou dela, a distância entre eles diminuindo, mas a barreira emocional parecendo intransponível. “Porque eu não posso te proteger, Sofia. A rede de ameaças que me cerca é mais complexa do que eu imaginava. E o seu envolvimento… isso te torna um alvo fácil.”

“Eu não sou um alvo, Rafael! Eu sou sua! E onde você for, eu irei! Eu não tenho medo! O único medo que eu tenho é de te perder!”, as palavras saíram em um jorro, uma torrente de emoções reprimidas. Lágrimas quentes rolavam pelo seu rosto, mas ela não se importava.

Rafael a segurou pelos ombros, o toque firme, mas seus olhos não transmitiam o calor de antes. “Sofia, escute. Eu tenho contatos aqui no Rio. Pessoas que podem me ajudar a… a resolver certas coisas. E nesse processo, eu posso te dar a segurança que você merece. Uma vida nova, longe de tudo isso. Uma vida onde você possa recomeçar sem ter que olhar por cima do ombro.”

Ela o empurrou para trás, a decepção corroendo-a. “Recomeçar? Sem você? É isso que você quer? Que eu me torne apenas um fantasma do seu passado, uma lembrança de uma vida que você decidiu apagar?”

“Eu não estou apagando nada!”, ele disse, a voz embargada pela frustração. “Estou tentando te proteger! Eu não quero que você se torne um peão nas mãos dos meus inimigos! O que você quer que eu faça? Que eu te coloque em perigo constante?”

“Eu quero que você lute por nós! Que você confie em mim! Que você me diga a verdade, toda a verdade! O que exatamente você está fazendo aqui no Rio? Para quem você está trabalhando? Quem são esses inimigos?”

Rafael hesitou, seus olhos percorrendo o rosto dela em busca de algo, talvez uma brecha, talvez uma saída. Mas Sofia estava determinada. Ela não se deixaria mais ser enganada.

“Eu não posso te contar tudo, Sofia. Não ainda. Mas saiba que eu estou fazendo o que é preciso para garantir o nosso futuro. Um futuro em que possamos viver em paz.”

“Um futuro em que eu não esteja presente, você quer dizer?”, ela retrucou, a voz fria como o aço. “Você está fazendo acordos, não é? Acordos que te afastam de mim, que te trazem de volta para o mundo que você jurou abandonar.”

Rafael desviou o olhar, um movimento sutil que confirmou todas as suspeitas de Sofia. Ele estava negociando, fazendo concessões. E ela, que havia apostado tudo naquele amor, estava sendo deixada para trás.

“Não é bem assim”, ele começou, mas Sofia o interrompeu.

“É exatamente assim, Rafael. Você está voltando atrás. Você está se vendendo de novo. E eu… eu sou apenas um obstáculo para você.”

As lágrimas voltaram a cair, mas agora com uma intensidade renovada. A dor era avassaladora. Aquele homem, que ela amava com toda a sua alma, estava a traindo. Não com outra mulher, mas com o seu passado, com as promessas que ele fizera e que agora quebrava.

“Eu não vou permitir que você me descarte, Rafael”, disse ela, a voz trêmula, mas com uma determinação férrea. “Se você acha que pode me mandar embora como se eu fosse um problema, você se engana. Eu não sou um objeto que você pode simplesmente ignorar.”

Ele a olhou, a frustração e um vislumbre de desespero em seus olhos. “Sofia, por favor, tente entender. Eu estou fazendo isso por nós.”

“Por ‘nós’? Você está fazendo isso por você! Para se livrar do que te assombra, para se sentir seguro novamente, mesmo que isso signifique me perder! Você nunca amou o suficiente para realmente abandonar tudo, não é?” A acusação era cruel, mas ela a sentia em cada fibra do seu ser.

Rafael deu um passo para trás, o rosto uma máscara de dor contida. “Eu te amo mais do que a minha própria vida. É por isso que estou disposto a fazer o que for preciso.”

“E o que é preciso é me deixar? Que tipo de amor é esse, Rafael? Um amor que te permite me machucar assim?”

O silêncio dele foi a resposta definitiva. Sofia sentiu o chão desaparecer sob seus pés. O Rio de Janeiro, com todo o seu esplendor, parecia se tornar um palco sombrio para o fim de seu amor. Ela se virou, caminhou em direção à porta, e antes de abri-la, disse, a voz baixa e rouca:

“Se você acha que pode me comprar, Rafael, você está muito enganado. Eu tenho o meu próprio valor. E não vou permitir que você me use e me descarte.”

Ela saiu do escritório, deixando Rafael sozinho com seus segredos e as verdades dolorosas que agora pairavam entre eles, tão densas quanto a poluição que às vezes cobria a cidade. O amor sem retorno que ela buscara agora parecia ter um retorno amargo, um retorno à dor e à desilusão.

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