Amor sem Retorno III
Capítulo 9 — A Noite de Gala e o Jogo Perigoso
por Valentina Oliveira
Capítulo 9 — A Noite de Gala e o Jogo Perigoso
A cidade do Rio de Janeiro, com sua beleza estonteante e seus perigos ocultos, era o palco perfeito para o jogo de xadrez que Rafael e Sofia estavam jogando contra Victor Montenegro. A noite de gala beneficente no Copacabana Palace era o evento mais aguardado do calendário social carioca, um encontro de titãs do poder, da política e do submundo. Era a oportunidade de ouro que Rafael esperava para se aproximar de seu pai, e de Sofia, para observar de perto o monstro que os ameaçava.
Sofia estava deslumbrante. O vestido de seda vermelha, escolhido a dedo por ela mesma, realçava a sua figura esguia e a sua beleza natural. Seus cabelos negros estavam presos em um coque elegante, e as joias discretas complementavam o seu visual. Ela se sentia poderosa, preparada para o que quer que a noite trouxesse. Ao seu lado, Rafael irradiava elegância em seu smoking impecável, seus olhos azuis fixos em Sofia com uma admiração que a fazia corar.
“Você está linda, meu amor”, sussurrou ele, beijando sua mão. “Quase me esqueço do perigo que estamos correndo.”
“Eu sei que não é fácil, mas estou com você”, respondeu ela, sentindo uma onda de coragem percorrer seu corpo. “E o seu plano é arriscado, mas é o único que temos.”
Enquanto caminhavam pelo suntuoso salão, cumprimentando conhecidos e posando para fotos, Sofia mantinha um olhar atento. A cada pessoa que passava, ela procurava por um rosto familiar, por qualquer sinal da presença de Victor Montenegro. A atmosfera era eletrizante, uma mistura de glamour, intrigas e ambição.
De repente, ela o viu. Victor Montenegro. Um homem imponente, com cabelos grisalhos impecavelmente penteados e um sorriso que não alcançava seus olhos frios e calculistas. Ele estava cercado por um grupo de homens, todos com semblante sério e vestimentas caras. Sofia sentiu um arrepio gélido percorrer sua espinha. Ele era ainda mais intimidador pessoalmente.
Rafael sentiu a tensão de Sofia. Ele apertou sua mão discretamente. “Ele está ali. Mantenha a calma. Lembre-se do nosso plano.”
Os próximos minutos foram um teste para a sua compostura. Victor Montenegro, como se sentisse a presença deles, virou-se na direção de Rafael e Sofia. Seus olhos se encontraram, e Sofia viu um brilho de reconhecimento e, talvez, de satisfação no olhar dele.
Victor Montenegro se aproximou, acompanhado por seus capangas. Rafael se manteve firme, a expressão neutra, enquanto Sofia tentava controlar sua respiração.
“Rafael, meu filho”, disse Victor, a voz melosa, mas com um tom de autoridade inegável. Ele estendeu a mão para Rafael. “É uma surpresa agradável encontrá-lo aqui. E quem é esta bela dama?”
Rafael apertou a mão do pai, um aperto firme e calculado. “Pai. Esta é Sofia. Sofia, este é meu pai, Victor Montenegro.”
Sofia forçou um sorriso e fez uma leve reverência. “É um prazer conhecê-lo, senhor Montenegro.”
Victor Montenegro a analisou de cima a baixo, seus olhos percorrendo-a com uma frieza que a fez sentir como um inseto sob um microscópio. “Sofia. Um nome bonito para uma mulher ainda mais bonita. Rafael sempre teve bom gosto.”
A tensão aumentou. Sofia sentiu a pressão dos olhos de Victor sobre ela, uma avaliação implacável. Rafael, percebendo, interveio.
“Pai, estávamos a caminho de encontrar alguns investidores. Talvez possamos conversar mais tarde?”
Victor Montenegro riu, um som seco e sem humor. “Claro, filho. Mas não demore. Tenho muitas coisas para discutir com você. Coisas importantes para o futuro da nossa família.”
Ele se afastou, mas Sofia sentiu que o olhar dele ainda estava nela. A noite estava apenas começando, e o jogo perigoso já havia se revelado em toda a sua complexidade.
Durante o restante da noite, Sofia e Rafael mantiveram uma fachada de normalidade, mas estavam em constante alerta. Eles circulavam pelo salão, conversando com pessoas importantes, mas seus olhos procuravam por Victor Montenegro. Rafael, por sua vez, utilizava as breves interações com o pai para coletar informações, para observar seus movimentos e os de seus associados.
Em um determinado momento, Rafael se aproximou de Sofia, que estava perto de uma mesa de buffet. “Ele está conspirando com o senador Alencar. Estão discutindo a liberação de um carregamento importante. É a nossa chance, Sofia.”
“O que você quer que eu faça?”, ela perguntou, o coração acelerado.
“Você precisa distraí-lo. Criar uma oportunidade para eu acessar o celular dele. Ou para eu plantar algo que possa incriminá-lo.”
Sofia engoliu em seco. A ideia de se aproximar de Victor Montenegro novamente era assustadora, mas ela estava determinada a fazer a sua parte. “Eu farei isso.”
Com uma coragem recém-descoberta, Sofia se aproximou de onde Victor Montenegro estava conversando com o senador Alencar. Ela fingiu tropeçar levemente, esbarrando na mesa de bebidas próxima a eles. Uma taça de champanhe escorregou de suas mãos e caiu no chão, espalhando o líquido dourado e fazendo um barulho alto.
“Oh, meu Deus! Que desastrada!”, exclamou Sofia, com uma voz de pânico fingido.
Victor Montenegro e o senador Alencar se viraram bruscamente. A atenção deles foi desviada do que quer que estivessem discutindo.
“Senhorita, cuidado”, disse Victor Montenegro, o tom de sua voz demonstrando um certo aborrecimento.
Enquanto Victor se distraía com a situação, Rafael, que estava a poucos metros de distância, aproveitou a oportunidade. Com a agilidade de um felino, ele se aproximou de Victor e, num movimento rápido e discreto, pegou o celular que estava no bolso interno do paletó do pai. Ele trocou o aparelho por um outro, idêntico, que continha um software de rastreamento e gravação.
Sofia, sentindo o olhar de Victor sobre ela, continuou com a encenação. “Desculpem-me por isso. Deixei a bebida cair. Vou limpar imediatamente.”
Ela pegou alguns guardanapos e começou a limpar a bagunça, sentindo o olhar de Victor Montenegro penetrando em sua pele. Ele observou-a por um momento, um leve sorriso de escárnio nos lábios.
“Não se preocupe, minha jovem. Acidentes acontecem”, disse ele, antes de se virar novamente para o senador Alencar, como se nada tivesse acontecido.
Sofia suspirou aliviada. Ela havia cumprido a sua parte. Agora, era com Rafael. Ela retornou para o lado dele, que lhe deu um leve aperto na mão, um sinal silencioso de que tudo havia corrido bem.
O restante da noite foi tenso. Sofia e Rafael se mantiveram atentos, observando Victor Montenegro de longe. A cada minuto que passava, a sensação de perigo aumentava. Eles sabiam que estavam brincando com fogo, mas a necessidade de derrubar Victor Montenegro era mais forte do que qualquer medo.
Mais tarde, enquanto o evento chegava ao fim, Victor Montenegro se aproximou de Rafael novamente. Desta vez, a conversa parecia mais séria. Sofia observou de longe, sentindo que algo importante estava sendo discutido. Ela viu Victor entregar um pequeno envelope para Rafael.
Quando Rafael se juntou a Sofia, ele segurava o envelope com firmeza. “Ele me entregou os dados. Os detalhes do carregamento. Ele está confiando em mim, como planejado.”
“E o celular?”, perguntou Sofia, ansiosa.
“Está em meu poder. Agora podemos monitorar tudo. E preparar o nosso contra-ataque.”
Enquanto saíam do Copacabana Palace, o ar da noite carioca parecia mais pesado, carregado de segredos e de uma ameaça iminente. Sofia olhou para Rafael, seu coração transbordando de orgulho e de amor. Eles haviam entrado no covil do lobo e saído ilesos, com as armas que precisavam para travar a batalha final. A noite de gala havia sido apenas o prelúdio para o confronto decisivo que estava por vir.