Contrato de Amor II

Contrato de Amor II

por Ana Clara Ferreira

Contrato de Amor II

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 16 — O Beijo Roubado e o Furacão Interior

O sol da tarde banhava o escritório de Arthur em um dourado melancólico, o mesmo que parecia pintar a alma de Helena naquele momento. A conversa com Clara havia sido um turbilhão. Cada palavra, um golpe certeiro, cada acusação, uma ferida aberta. Arthur, sempre tão seguro de si, parecia pálido, os olhos fixos em um ponto distante, como se as palavras de Clara tivessem o congelado em um pesadelo. Helena, por sua vez, sentia o peito apertar, um nó na garganta que a impedia de respirar. A verdade, ou a versão distorcida dela que Clara apresentara, era uma arma de dois gumes. Doía nela saber que Arthur guardava segredos, mas doía ainda mais a possibilidade de que ele pudesse tê-la enganado.

“Arthur,” Helena sussurrou, a voz embargada. Ele não a ouviu. Estava imerso em seus pensamentos, a testa franzida em uma expressão de angústia. Ela se aproximou, o som suave de seus saltos no piso de madeira contrastando com o silêncio pesado que pairava no ar. Colocou a mão delicadamente em seu braço, sentindo a tensão sob o tecido fino da camisa. Ele sobressaltou-se, virando-se para ela com os olhos marejados.

“Helena… você ainda está aqui,” ele disse, a voz rouca. Era um misto de alívio e desespero.

“Eu não ia a lugar nenhum, Arthur. Mas você precisa me dizer o que está acontecendo. Clara disse coisas… coisas que me deixaram sem chão.”

Ele a puxou para perto, um abraço forte, quase desesperado. Helena sentiu o corpo dele tremer contra o seu, o perfume inconfundível de Arthur invadindo seus sentidos, uma mistura agridoce de esperança e receio. Ele enterrou o rosto em seus cabelos, aspirando o aroma familiar.

“Eu não sei por onde começar, meu amor,” ele murmurou. “É tudo tão… complicado.”

“Complicado como? Arthur, por favor. Eu preciso entender. Eu preciso confiar em você.” A última frase escapou como um lamento, carregada de toda a incerteza que a consumia.

Arthur a afastou o suficiente para que seus olhos se encontrassem. Havia uma dor profunda ali, uma batalha travada em silêncio. “Eu nunca quis te machucar, Helena. Jamais. O que Clara disse… é uma meia-verdade, distorcida pelas mágoas dela.”

“Mas ela falou de um acordo, Arthur. Um contrato. E do meu pai…” A menção ao pai fez o corpo de Arthur enrijecer. Ele a segurou pelos ombros, a intensidade em seu olhar assustando-a.

“Seu pai… ele foi um homem muito complexo, Helena. E suas ações tiveram um impacto profundo em minha família. Clara não entende, não quer entender. Ela sempre viveu em um mundo de aparências, e a realidade que meu pai e o seu criaram… é algo que ela se recusa a encarar.” Ele fez uma pausa, respirando fundo. “O que você ouviu sobre um acordo… não é bem um contrato de amor, como o nome sugere, mas sim um acordo financeiro. Uma dívida. Uma dívida que meu pai contraiu com o seu, e que eu, por lealdade e para honrar a memória dele, precisei honrar.”

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Dívida? Contrato financeiro? O mundo dela, que já estava de ponta-cabeça, parecia girar ainda mais rápido. “Uma dívida? E como eu me encaixo nisso, Arthur?”

O olhar dele se desviou por um instante. “Você… você é a herdeira desse acordo, Helena. O dinheiro que seu pai investiu na empresa da minha família, em troca de uma participação… essa participação precisava ser devolvida. E como não havia como fazê-lo em dinheiro… foi feito através de um acordo de casamento. Um casamento arranjado, para unir as famílias, para sanar essa dívida. Eu nunca te contei porque não queria que você se sentisse presa a isso. Queria que nosso amor fosse genuíno, independente de qualquer obrigação.”

O silêncio voltou a reinar, mas agora era um silêncio carregado de novas revelações, de um peso insuportável. Helena sentiu as pernas fraquejarem. Um casamento arranjado? Ela, que sempre acreditara em um amor verdadeiro, em um encontro predestinado, agora se via parte de um plano, de um acordo antigo.

“Você está dizendo que… que tudo entre nós… foi um acordo?” A voz dela tremia de incredulidade e dor.

Arthur a puxou para si novamente, os olhos cheios de desespero. “Não, Helena! Por favor, não diga isso. O acordo existiu, sim. Mas o amor que sinto por você… isso nasceu de nós. De cada olhar, de cada toque, de cada conversa. Você mudou a minha vida. Você me fez acreditar em um futuro que eu não achava que existia mais. Eu me apaixonei por você, Helena. De verdade. E o que Clara disse… ela usou essa informação para me destruir, para te afastar de mim.”

Lágrimas rolavam livremente pelo rosto de Helena. A dor era física, um aperto no peito que a sufocava. Ela amava Arthur. Amava-o com uma intensidade que nunca pensou ser capaz. E agora, essa verdade, essa revelação, ameaçava destruir tudo.

“Eu não sei o que pensar, Arthur,” ela disse, a voz um fio. “Eu me sinto… enganada. Traída. Por você, pelo meu pai, por todos.”

Arthur segurou o rosto dela entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas molhadas. “Eu sei que é difícil. Eu sei que você está magoada. Mas eu te amo, Helena. Mais do que a minha própria vida. Por favor, não deixe que o passado destrua o nosso futuro. Me dê uma chance de te provar que o meu amor é real.”

Ele a olhou com uma intensidade que a desarmou. Naquele olhar, Helena viu a verdade, a dor, o desespero e, acima de tudo, o amor. Um amor puro, avassalador, que parecia transcender qualquer acordo, qualquer dívida. Ela sentiu a resistência dentro de si se esvair. O coração, apesar de ferido, batia mais forte por ele.

E então, como se guiados por uma força maior, seus lábios se encontraram. Foi um beijo desesperado, carregado de toda a angústia, de toda a paixão reprimida, de toda a esperança que ainda resistia. As lágrimas de Helena se misturaram às de Arthur, um dilúvio de emoções que os consumiu. O mundo lá fora desapareceu. Existiam apenas eles, em um abraço que prometia salvação em meio à tempestade.

O beijo se aprofundou, roubando o fôlego um do outro. Era um beijo que falava de perdão, de redenção, de um amor que se recusava a ser extinto. Helena sentiu o corpo de Arthur colado ao seu, a batida frenética de seus corações ecoando em uníssono. Naquele momento, ela não sabia mais o que era real e o que era ilusão. Sabia apenas que amava Arthur com todas as forças de sua alma, e que, apesar da dor e da confusão, não conseguia imaginar sua vida sem ele. O furacão interior, que a consumia há horas, agora encontrava um breve momento de calmaria no epicentro daquele beijo roubado.

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