Contrato de Amor II

Capítulo 17 — A Verdade Desvendada e a Fúria de Clara

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 17 — A Verdade Desvendada e a Fúria de Clara

A manhã seguinte amanheceu com um sol tímido, mas a tempestade que se formara dentro de Helena não dava trégua. O beijo de Arthur, embora tenha trazido um alívio momentâneo, não apagou as dúvidas nem a sensação de ter sido manipulada. Ela se sentia em um labirinto de emoções, cada caminho levando a uma nova angústia. Arthur, percebendo a fragilidade dela, a envolveu em um silêncio compreensivo, oferecendo o ombro para que ela pudesse desabafar.

“Eu ainda não consigo acreditar, Arthur,” Helena disse, a voz baixa e rouca. “Um casamento arranjado. Um contrato de dívida. Como você pôde esconder isso de mim por tanto tempo?”

Arthur suspirou, o olhar perdido no horizonte. “Eu tive medo, Helena. Medo de te perder. Medo de que você me visse apenas como uma ferramenta para honrar uma dívida antiga. Eu queria que você me amasse por quem eu sou, não por um acordo. E eu estava construindo isso, dia após dia. Cada momento nosso era uma prova de que o nosso amor era real, independentemente do passado.”

“Mas Clara sabia. E ela usou isso contra você. Contra nós.” A menção a Clara trouxe uma nova onda de raiva para Helena. A mulher parecia ter o dom de envenenar a felicidade alheia.

“Sim,” Arthur concordou, a mandíbula tensa. “Ela sempre se sentiu desprezada pela minha família, e a sua, Helena, sempre foi vista como uma ameaça. O dinheiro do seu pai representava um poder que ela jamais teve. E o nosso amor… isso deve ter sido o cúmulo para ela. A união de duas famílias que ela via como rivais, através de um sentimento que ela não compreende.”

“E o meu pai? O que ele tinha a ver com isso?” A pergunta pairava no ar, um fantasma de um passado que Helena mal conhecia.

Arthur hesitou. “Seu pai era um homem ambicioso, Helena. E ele viu na empresa da minha família uma oportunidade de crescimento. Ele investiu, sim, mas com um acordo claro: uma parte dos lucros, e caso o investimento não desse o retorno esperado, ele teria direito a uma compensação. O que ele fez foi além do acordo inicial, e meu pai, para evitar um escândalo e proteger a reputação da família, aceitou um… um pacto. Um pacto que envolvia a união das famílias no futuro. Seu pai era um visionário, Helena. Ele pensava em longo prazo, em alianças estratégicas. E o casamento foi a forma mais segura que ele encontrou para garantir o futuro da sua linhagem.”

Helena sentiu uma pontada de decepção. O pai que ela idolatrava, a imagem de um homem honrado, parecia cada vez mais distante. Era difícil conciliar a figura que ela guardava em sua memória com a realidade de um homem que agia por interesses, por acordos obscuros.

“Então eu fui uma peça no jogo dele também?” A voz de Helena era um lamento.

“Não, meu amor. Não foi bem assim. Eu acredito que ele também se apaixonou por você, Helena. E que o amor que nasceu entre nós pode ter superado as expectativas dele. Ele te amava. E eu sei que ele te daria o mundo.” Arthur a segurou pelos braços, o olhar fixo no dela. “O que importa agora é o nosso amor. E o que vamos fazer para superar isso.”

A conversa se estendeu por longas horas, cada palavra um tijolo na construção de uma nova compreensão. Arthur não poupou detalhes, explicando a complexidade das relações familiares, as disputas de poder, a história de ressentimento que Clara carregava. Helena, por sua vez, compartilhou suas próprias incertezas, seus medos, a sensação de impotência diante de um passado que a envolvia.

No final da tarde, com a luz do sol se pondo e pintando o céu de tons alaranjados e roxos, Helena sentiu um fio de esperança. O amor que sentia por Arthur era forte o suficiente para superar qualquer obstáculo. Eles se abraçaram, um abraço que selava a paz conquistada a duras penas.

No entanto, a paz era efêmera. Clara, sentindo que sua arma principal – a revelação do passado – não fora suficiente para destruir o amor de Arthur e Helena, decidiu usar seu trunfo mais perigoso. Ela não se conformaria em perder Arthur, nem em ver Helena triunfar.

Na manhã seguinte, Helena recebeu um convite misterioso. Um encontro em um café charmoso, no centro da cidade. A mensagem, entregue por um mensageiro com um envelope lacrado, não revelava o remetente, mas Helena sentiu um arrepio ao reconhecer a caligrafia. Era de Clara.

Intrigada e, ao mesmo tempo, apreensiva, Helena decidiu ir. Arthur tentou dissuadi-la, temendo uma armadilha, mas Helena estava determinada a enfrentar Clara de frente. “Eu preciso fazer isso, Arthur. Preciso saber o que ela quer. E preciso mostrar que não tenho medo.”

Ao chegar ao café, Helena avistou Clara sentada em uma mesa no canto, o sorriso no rosto quase cruel. Helena sentou-se à sua frente, o coração batendo acelerado.

“Então você veio,” Clara disse, a voz doce, mas com um tom de sarcasmo. “Eu sabia que você era corajosa, Helena. Ou talvez apenas ingênua.”

“O que você quer, Clara?” Helena foi direta.

Clara tomou um gole de seu café, os olhos fixos em Helena. “Eu quero o que é meu por direito. Arthur. E a empresa. Você acha que pode simplesmente chegar e roubar tudo o que eu planejei a vida toda?”

“Você está louca, Clara,” Helena respondeu, a voz firme. “Arthur não é um objeto, e a empresa não te pertence.”

Clara riu, um som desagradável. “Ah, mas pertence sim. E você, com suas mentiras e manipulações, tentou me tirar isso. Mas eu tenho algo que você não tem. Algo que vai destruir você e o seu amado Arthur para sempre.”

Clara pegou a bolsa e tirou de dentro dela um envelope grosso, com documentos que pareciam ser contratos. “Isso aqui, minha querida Helena, é a prova definitiva. A prova de que o seu amor é baseado em uma mentira. A prova de que Arthur te usou desde o início.”

Helena sentiu um frio na espinha. “O que é isso?”

“São os documentos originais do acordo entre o seu pai e o meu. E neles, está registrado um detalhe que Arthur omitiu. Um detalhe que muda tudo.” Clara empurrou o envelope para Helena. “Leia.”

Com as mãos trêmulas, Helena abriu o envelope. Os documentos eram antigos, com selos e assinaturas que ela reconheceu como sendo de seu pai e do pai de Arthur. Ela folheou as páginas, o coração acelerado, até encontrar a cláusula que Clara mencionava.

“Leia em voz alta, Helena,” Clara incentivou, um brilho de triunfo nos olhos.

Helena começou a ler, a voz embargada. Os termos eram claros. O acordo de casamento não era apenas para sanar uma dívida. Havia uma cláusula secreta. Um cláusula que estipulava que, caso um dos herdeiros decidisse não se casar com o outro, a parte financeira investida seria revertida em benefício da família que abrisse mão do casamento, mas com uma penalidade… uma penalidade que envolvia a cessão de uma parte significativa da empresa para a outra família.

Helena ergueu os olhos, chocada. Arthur havia omitido isso. Ele sabia que, se ela se recusasse a casar, parte da empresa da família dele iria para a família de Clara. E isso explicava o desespero dele em mantê-la por perto, em fazê-la se apaixonar por ele. Não era apenas amor, era também um jogo de interesses.

“Viu?” Clara sorriu, vitoriosa. “Eu disse que você era ingênua. Arthur te ama, sim. Mas ele te ama porque você é a chave para salvar o império dele. Se você se recusar a casar, ele perde tudo. E eu… eu ganho. E não pense que ele te contou tudo. Ele queria te manipular, te prender. Mas eu estou aqui para te mostrar a verdade completa.”

A fúria de Clara era palpável, um vulcão prestes a explodir. E Helena, com os documentos nas mãos, sentiu-se presa em uma teia de mentiras e interesses. A verdade, que ela tanto buscara, agora parecia ainda mais sombria e complexa do que imaginava.

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