Contrato de Amor II

Capítulo 19 — A Proposta de Clara e o Desespero de Arthur

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 19 — A Proposta de Clara e o Desespero de Arthur

Os dias que se seguiram à confrontação com Arthur foram um tormento para Helena. Cada momento era preenchido por uma batalha interna. A imagem de Arthur, o homem que ela amava, se misturava com a de um manipulador, um estrategista que usara o amor como moeda de troca. A verdade crua e dolorosa era que, mesmo que o amor de Arthur fosse genuíno, ele era indissociável de um acordo que a beneficiava financeiramente. Ela se sentia presa, encurralada pelas circunstâncias e pelas escolhas de seus pais.

Arthur, sentindo o peso da culpa e do desespero, tentava se reaproximar. Enviou flores, mensagens, tentou conversar, mas Helena se fechava em seu casulo de mágoa. Ela precisava de espaço, precisava de tempo para digerir a avalanche de revelações que havia abalado os alicerces de sua vida.

Enquanto isso, Clara observava a situação com uma satisfação sombria. Ela sabia que a revelação da cláusula secreta havia atingido Helena em seu ponto mais vulnerável. A força de Arthur residia em sua empresa, em seu legado, e a ameaça de perdê-lo era o gatilho perfeito. Clara sabia que Helena, apesar de sua dor, seria pragmática.

E então, Clara decidiu jogar sua última carta. Uma carta que envolvia um sacrifício, uma oferta que, à primeira vista, parecia generosa, mas que escondia uma armadilha mortal. Ela marcou um novo encontro com Helena, desta vez em um local neutro: a galeria de arte onde Helena trabalhava.

Helena, hesitante, mas sentindo que precisava ter uma conversa definitiva com Clara, aceitou. Ela não podia mais fugir dos fantasmas do passado, nem das pessoas que os haviam criado.

A galeria estava vazia, apenas o eco dos passos de Helena e Clara ressoando entre as obras de arte. A atmosfera era tensa, carregada de uma rivalidade que se estendia por gerações.

“Você veio,” Clara disse, um sorriso enigmático brincando em seus lábios. Ela observava uma tela abstrata, como se as cores vibrantes pudessem traduzir a complexidade de seus sentimentos.

“O que você quer, Clara?” Helena perguntou, a voz firme, embora seu coração batesse descompassado.

“Eu vim te propor um acordo, Helena,” Clara começou, virando-se para ela. “Um acordo que pode livrar você de toda essa dor e confusão.”

Helena a encarou, desconfiada. “Que acordo?”

“Simples,” Clara respondeu. “Eu me afasto. Eu desisto de Arthur. E você… você se casa com ele. Honra o compromisso que foi feito. Mas há uma condição.”

O olhar de Helena se estreitou. “Eu sabia que haveria uma condição.”

“Claro. Afinal, este é o mundo dos negócios. A condição é que você, com o seu amor recém-descoberto, convença Arthur a me compensar. Uma compensação financeira substancial. Em troca, eu assino todos os documentos, libero Arthur de qualquer obrigação futura, e desapareço da vida de vocês para sempre. E com a compensação, a empresa dele estará segura, e a sua, Helena, também.”

Helena ficou em silêncio, processando a proposta. Clara estava oferecendo uma saída, uma forma de apagar o passado e garantir um futuro seguro para todos. Mas o preço era alto: ela teria que se casar com Arthur, sabendo que o amor deles era, em parte, uma consequência de um acordo, e que ela seria responsável por pagar a “liberdade” de Clara.

“Por que você está fazendo isso, Clara?” Helena perguntou, desconfiada. “Você sempre quis Arthur. Por que desistir dele agora?”

“Porque eu percebi que o amor dele por você é mais forte do que eu jamais fui,” Clara admitiu, a voz estranhamente melancólica. “E porque… eu cansei. Cansei dessa rivalidade, cansei de viver no passado. Se eu não posso ter o que quero, prefiro que ninguém tenha. E eu prefiro te ver pagando a minha liberdade do que ver Arthur sofrer por causa de uma dívida antiga.”

A proposta de Clara era tentadora, mas Helena sentia um nó na garganta. Casar com Arthur, sabendo que ele a amava por causa de um acordo, era um sacrifício. Mas renunciar a ele, quando o amor que sentia era real, era ainda mais doloroso.

“Eu preciso pensar,” Helena disse, a voz baixa.

“Pense o quanto quiser,” Clara respondeu, um brilho de esperança em seus olhos. “Mas saiba que essa é a sua única chance de ter paz. E a única chance de Arthur manter a empresa dele.”

Enquanto isso, Arthur estava em um estado de desespero crescente. Ele sabia que a revelação da cláusula secreta havia abalado Helena até o âmago. Ele via o sofrimento dela, a dor em seus olhos, e a culpa o consumia. Ele não conseguia dormir, não conseguia comer. A ideia de perder Helena era um tormento constante.

Ele sabia que precisava reconquistá-la, mas como? Como provar a sinceridade de seus sentimentos quando suas ações anteriores haviam sido questionáveis? Ele tentou falar com ela, mas ela se afastava. Ele se sentia impotente, um prisioneiro de seus próprios segredos.

Em seu desespero, Arthur tomou uma decisão drástica. Ele decidiu confrontar Clara. Ele a encontrou em seu apartamento luxuoso, o ar impregnado de um perfume caro e uma aura de poder.

“Clara, o que você fez?” Arthur disse, a voz tensa. “Você contou tudo para Helena. Você usou a nossa história para machucá-la.”

Clara o encarou, um sorriso sarcástico no rosto. “Eu apenas mostrei a verdade, Arthur. A verdade que você tentou esconder dela. A verdade que a está fazendo sofrer agora.”

“Você não tem o direito de brincar com os sentimentos dela,” Arthur rosnou.

“E você tem? Você, que a manipulou desde o início? Você, que a fez acreditar em um amor que era, em parte, um acordo financeiro?” Clara rebateu, a voz afiada.

Arthur sentiu a raiva subir, mas a necessidade de Helena o dominava. “Eu a amo, Clara. E não vou deixar que você a tire de mim.”

“Ah, mas você já a machucou, Arthur. E a Helena é uma mulher forte, mas também é orgulhosa. E ela odeia mentiras. Eu vejo a dor nos olhos dela. E eu sei que ela está pensando em ir embora.” Clara sorriu. “E se ela for, a empresa vai para o ralo. E eu vou ter o que sempre quis.”

Arthur sentiu um frio na alma. Clara estava certa. Helena estava sofrendo, e o medo de perdê-la era real.

“O que você quer, Clara?” Arthur perguntou, a voz baixa, rendida.

“Eu quero o que é meu por direito,” Clara disse, os olhos brilhando com a ambição de sempre. “Eu quero a empresa. E eu quero que você se case comigo.”

Arthur a olhou, chocado. “Você não pode estar falando sério.”

“Estou,” Clara afirmou. “Eu te amo, Arthur. E eu sei que você também me ama. Só que você está cego pelo amor por Helena. Mas se você se casar comigo, eu prometo que faremos a empresa prosperar novamente. E Helena… Helena ficará livre para seguir o caminho dela, sem se sentir presa a você.”

O desespero de Arthur atingiu o ápice. Ele amava Helena, amava-a com uma intensidade que o consumia. Mas a ameaça de perder a empresa, o legado de sua família, e a possibilidade de Helena nunca mais o perdoar, o colocavam em um beco sem saída. A proposta de Clara, por mais repugnante que fosse, parecia ser a única solução para salvar tudo o que ele prezava.

“Eu… eu preciso pensar,” Arthur murmurou, a voz embargada. Ele se sentia sufocado, preso em uma teia de escolhas impossíveis. A mulher que ele amava, e a mulher que ele precisava para salvar seu império, estavam em lados opostos de um abismo. E ele estava no meio, prestes a tomar uma decisão que dilaceraria seu coração.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%