Contrato de Amor II

Capítulo 20 — A Escolha de Helena e o Preço do Amor

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 20 — A Escolha de Helena e o Preço do Amor

A proposta de Clara pairava no ar como um espectro, lançando uma sombra sobre a mente de Helena. A galeria de arte, antes um santuário de beleza e inspiração, agora parecia um local de negociações sombrias. Helena olhava para Clara, tentando decifrar a complexidade por trás da oferta que, à primeira vista, parecia um alívio. Livrar-se da dor, do conflito, do peso do passado. Mas o preço… o preço era alto demais. Casar-se com Arthur, sabendo que o amor deles era uma consequência de um acordo, e ainda por cima ser a responsável por pagar a “liberdade” de Clara, parecia uma humilhação.

“Eu não posso fazer isso, Clara,” Helena disse, a voz firme, mas carregada de uma tristeza profunda. “Eu não vou casar com Arthur sob essas condições. E não vou ser a responsável por pagar a sua liberdade.”

Clara a encarou, surpresa, mas não totalmente decepcionada. Ela sabia que Helena era uma mulher de princípios. “Você tem certeza, Helena? Pense no Arthur. Pense na empresa dele. Você não o ama?”

“Eu amo Arthur,” Helena admitiu, as lágrimas voltando a molhar seu rosto. “Mas eu o amo o suficiente para não querer me sentir como uma peça em um jogo. Eu não posso construir um futuro em cima de mentiras e sacrifícios forçados.”

“Então o que você vai fazer?” Clara perguntou, um tom de desafio em sua voz. “Você vai deixar Arthur sofrer? Você vai deixar que ele perca tudo?”

Helena sentiu um nó na garganta. A ideia de Arthur perdendo a empresa, o legado de sua família, era um peso em sua consciência. Ela o amava, e o sofrimento dele a afetava profundamente. Mas ela não podia se sacrificar por ele. Não dessa forma.

“Eu não sei o que Arthur vai fazer,” Helena respondeu, respirando fundo. “Mas eu sei o que eu não vou fazer. Eu não vou me casar com ele sob essas circunstâncias. Eu não vou ser a razão pela qual ele se sente obrigado a ficar comigo.”

Ela se virou para sair, mas Clara a segurou pelo braço. “Espere, Helena. Eu tenho uma última proposta. Uma proposta que pode satisfazer a todos nós.”

Helena se soltou do aperto de Clara, o corpo tenso. “Eu não quero mais nada com você, Clara.”

“Mas esta proposta é para você, Helena,” Clara insistiu. “Arthur está desesperado. Ele ama você, mas a ameaça de perder a empresa o consome. Ele está disposto a tudo para salvar o legado de sua família. E eu… eu também quero o meu pedaço. Então, o acordo é o seguinte: você e Arthur se casam. Mas não é um casamento de amor. É um casamento de conveniência, para salvar a empresa. E eu… eu me afasto. Eu não peço nada. Eu apenas desapareço. Mas em troca, você me promete uma coisa.”

Helena a encarou, confusa. “O quê?”

“Você me promete que, quando tudo isso acabar, quando Arthur estiver seguro, você o deixará ir. Que você se divorciará dele. Que você me dará a chance de, um dia, talvez, ter uma segunda chance com ele.” Clara disse, a voz embargada por uma emoção inesperada. Era um misto de desespero, amor e um toque de loucura.

Helena ficou paralisada. A proposta de Clara era ainda mais cruel do que as anteriores. Casar com Arthur, mas com a promessa de se divorciar dele depois? Era um tormento. Era viver um amor que ela sabia que teria um fim.

“Você enlouqueceu, Clara,” Helena sussurrou.

“Talvez,” Clara admitiu. “Mas é a única forma de todos sairmos dessa. Você terá Arthur ao seu lado, a empresa dele estará salva, e eu… eu terei a esperança de um futuro. E você, Helena, terá a sua liberdade, depois de ter cumprido o seu dever.”

Helena sentiu o peso da decisão sobre seus ombros. A vida a colocara em uma situação insuportável. O amor de Arthur, a salvação da empresa, e a promessa de um futuro incerto. Ela olhou para Clara, vendo em seus olhos uma mistura de dor e determinação. Clara estava disposta a tudo para ter Arthur de volta. E Helena… Helena também estava disposta a tudo por amor.

“Eu aceito,” Helena disse, a voz firme, mas com um tremor imperceptível. “Eu me caso com Arthur. E prometo que, quando tudo isso acabar, eu me divorciarei dele. Mas você… você terá que cumprir a sua parte. Você nunca mais voltará a interferir em nossas vidas.”

Clara sorriu, um sorriso triste e vitorioso. “Combinado, Helena. E parabéns. Você é mais forte do que eu pensava.”

Enquanto isso, Arthur estava em seu escritório, a cabeça entre as mãos, o desespero o consumindo. Ele sabia que Helena estava sofrendo, e a ideia de ter que se casar com Clara era um pesadelo que o assombrava. Ele não amava Clara. Amava Helena com todas as forças de seu ser. Mas a ameaça de perder tudo o estava empurrando para um abismo.

De repente, seu celular tocou. Era Helena. Sua voz, embora calma, carregava um peso que o fez gelar.

“Arthur, precisamos conversar. Pessoalmente.”

Eles se encontraram em um parque afastado, longe dos olhares curiosos. O sol da tarde banhava o local em uma luz dourada, mas o clima entre eles era de profunda melancolia.

“Helena, eu… eu sinto muito,” Arthur começou, a voz embargada. “Eu errei. Eu fui covarde. Eu não devia ter te escondido nada.”

Helena o encarou, os olhos marejados. “Eu sei, Arthur. E eu entendo. Você estava com medo de me perder, e eu estava com medo de te machucar. Mas agora… agora as coisas são mais complicadas.”

Ela respirou fundo, reunindo coragem. “Clara me fez uma proposta. E eu… eu a aceitei.”

Arthur a olhou, confuso. “Que proposta? O que você quer dizer?”

“Eu vou me casar com você, Arthur,” Helena disse, as palavras saindo em um sussurro doloroso. “Mas não será um casamento de amor. Será um casamento de conveniência. Para salvar a empresa. Para honrar o acordo. E depois… depois eu me divorciarei de você.”

Arthur a encarou, chocado. “O quê? Helena, não! Você não pode fazer isso. Eu te amo! Eu não quero me casar com você por obrigação. Eu quero que você me ame de verdade!”

“Eu também te amo, Arthur,” Helena confessou, as lágrimas escorrendo livremente. “Mas eu não posso viver uma mentira. E eu não posso ser a razão pela qual você perde tudo. Clara me prometeu que se afastaria. Que nos deixaria em paz. E eu… eu aceito viver esse casamento falso, sabendo que um dia terei a minha liberdade de volta.”

Arthur a puxou para um abraço desesperado, o corpo tremendo. “Não, Helena. Isso não é uma solução. Isso vai nos destruir. Eu não quero me casar com você se você não me amar de verdade. Eu não quero um amor forçado.”

“Mas é a única saída, Arthur,” Helena soluçou em seu peito. “É a única forma de salvar tudo. E eu… eu não aguento mais essa angústia. Eu não aguento mais essa incerteza.”

Arthur a segurou pelos ombros, os olhos cheios de dor e desespero. “Eu não vou permitir que você se sacrifique por mim, Helena. Eu prefiro perder a empresa do que te perder. Prefiro enfrentar Clara do que te ver infeliz.”

Helena o olhou, a esperança renascendo em seu peito. Havia algo em seu olhar, uma determinação que a fez acreditar.

“Arthur,” ela disse, a voz embargada. “E se nós lutarmos juntos? E se nós encontrarmos uma outra forma? Uma forma de honrar o acordo, de salvar a empresa, e de manter o nosso amor intacto?”

Arthur a encarou, a faísca de esperança acendendo em seus olhos. Talvez houvesse uma saída. Talvez o amor deles fosse forte o suficiente para encontrar uma solução onde todos fossem beneficiados, e onde a felicidade deles não fosse comprometida. A escolha de Helena, de não se sacrificar em vão, reacendeu a chama de luta em Arthur. Eles se olharam, um pacto silencioso selado entre eles. Juntos, eles enfrentariam o desafio, determinados a encontrar um caminho que não os levasse à ruína, nem ao sacrifício de seus sentimentos. O preço do amor, eles descobririam, poderia ser alto, mas a luta por ele valeria a pena.

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