Contrato de Amor II
Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Contrato de Amor II", escritos no estilo apaixonado e dramático de uma novela brasileira:
por Ana Clara Ferreira
Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "Contrato de Amor II", escritos no estilo apaixonado e dramático de uma novela brasileira:
Capítulo 6 — A Sombra de um Passado Revelado
O sol da manhã banhava a paisagem toscana com um dourado suave, mas para Isabella, a luz parecia apenas realçar as sombras que se adensavam em sua alma. A noite anterior, o turbilhão de emoções, o beijo roubado de Lorenzo sob o luar traidor, e a aparição de Sofia… tudo a deixara em um estado de agitação profunda. Sentada à varanda da vinícola, com uma xícara de café fumegante nas mãos que tremia levemente, Isabella tentava juntar os fragmentos de sua sanidade.
Sofia. O nome ecoava em sua mente como um fantasma de um tempo que ela preferia esquecer. A mulher que Lorenzo insistira em chamar de "amiga", a mesma que a encarara com um desafio quase palpável na noite anterior, era, pelo visto, muito mais do que uma simples conhecida. Isabella sabia que deveria ter desconfiado. A forma como Sofia a observava, o sorriso enigmático, a maneira como se aproximou de Lorenzo… tudo indicava uma conexão mais profunda, um elo que Isabella não compreendia, mas que a feria profundamente.
O que mais a perturbava, no entanto, era a reação de Lorenzo. Ele a segurara com força, como se quisesse protegê-la do olhar de Sofia, mas depois, quando a confusão tomou conta, ele a afastara com uma frieza que gelou Isabella até os ossos. Ele não a defendera das insinuações de Sofia, não a tranquilizara. Em vez disso, apenas se retirara, deixando-a à mercê de suas próprias dúvidas e da aura ameaçadora da outra mulher.
Enquanto isso, nas entranhas da Villa Conti, Lorenzo acordava com um nó na garganta e o gosto amargo do arrependimento. A imagem de Isabella, com os olhos marejados e o corpo tenso, não saía de sua cabeça. Ele sabia que a tratara mal, que a deixara vulnerável diante de Sofia. Mas o que mais o assustava era o medo que Sofia lhe incutira. A ameaça velada em suas palavras, a promessa de expor um segredo que ele lutava para manter enterrado.
Ele se levantara, vestira-se apressadamente e desceu até a adega, seu refúgio. O cheiro forte das barricas de carvalho, o silêncio solene do lugar, tudo o acalmava. Precisava pensar. Precisava encontrar uma forma de proteger Isabella, e a si mesmo, de Sofia. A mulher que um dia fora seu grande amor, e que agora se transformara em seu maior pesadelo.
Ele se lembrou da noite em que se conheceram, da paixão avassaladora que os consumira. Sofia era vibrante, intensa, uma tempestade de emoções. Mas por trás daquele furacão, havia uma escuridão que Lorenzo não soubera enxergar a tempo. O controle, a possessividade, a forma como ela o isolava de todos… ele ingenuamente achara que era amor. Agora, sabia que era obsessão. E essa obsessão era perigosa.
Sofia não desistiria facilmente. Ela viera para a Itália com um propósito, e Isabella era o obstáculo que ela precisava remover. Lorenzo sentiu um arrepio na espinha. Ele havia prometido proteger Isabella, o contrato era mais do que uma simples obrigação legal; era um juramento de alma. Ele não podia deixar que Sofia destruísse o que estava começando a florescer entre ele e Isabella, o sentimento que ele tentara reprimir por tanto tempo, mas que agora se manifestava com uma força incontrolável.
De volta à varanda, Isabella ouviu passos se aproximando. Era Lorenzo. Seu coração acelerou, uma mistura de esperança e apreensão. Ele parou a poucos metros dela, com um semblante sério, os olhos azuis fixos nos dela.
"Isabella", ele começou, a voz rouca, "eu preciso explicar."
Ela apenas assentiu, incapaz de falar.
"Sofia...", ele hesitou, buscando as palavras certas. "Sofia foi... parte do meu passado. Uma parte muito complicada."
"Complicada?", Isabella repetiu, a voz embargada. "Ela parecia muito familiar para você, Lorenzo. E você a tratou com uma gentileza que eu nunca recebi."
Lorenzo suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Não é essa a questão. A questão é que ela é perigosa. Ela não está aqui por acaso, Isabella. E ela tem um interesse em mim... um interesse que vai além de qualquer amizade."
"Que interesse?", Isabella questionou, sentindo uma pontada de ciúmes misturada à curiosidade.
"Ela... ela se sente dona de algo que nunca lhe pertenceu", Lorenzo disse, a voz carregada de uma tristeza profunda. "E ela acha que você está no caminho."
"E você? O que você sente?", Isabella perguntou, a pergunta escapando antes que pudesse contê-la. A necessidade de saber a verdade era mais forte que o medo da rejeição.
Lorenzo a olhou nos olhos, e por um instante, Isabella viu a vulnerabilidade, a paixão contida, o anseio que ele tentava esconder. "Eu sinto que preciso proteger você. De tudo. Inclusive de mim, se for preciso."
Ele se aproximou, estendendo a mão como se fosse tocar seu rosto, mas hesitou. "O que você viu ontem à noite, Sofia, não é o que eu quero. O que eu quero é..."
Um grito agudo vindo de dentro da casa os interrompeu. Era a voz de Sofia. O pânico tomou conta de Lorenzo. Ele correu para dentro, com Isabella logo atrás.
Na sala de jantar, Sofia estava caída no chão, perto de uma mesinha de vidro quebrado. Sangue escorria de sua testa. Ao lado dela, um pesado abajur de bronze. O olhar de Sofia, mesmo no chão, era de puro triunfo enquanto ela encarava Lorenzo.
"Lorenzo, querido! Eu caí!", ela exclamou, a voz dramática, mas com um brilho perigoso nos olhos. "Eu acho que bati a cabeça com força."
Lorenzo ajoelhou-se ao lado dela, a preocupação genuína em seu rosto. Mas Isabella, observando a cena, sentiu um frio na espinha. Aquilo não parecia um acidente. Havia algo de calculado no desespero encenado de Sofia. E o olhar que ela lançou para Isabella, por cima do ombro de Lorenzo, era de uma crueldade sem disfarces. A batalha estava longe de terminar.