Entre o Amor e o Ódio III

Capítulo 13 — A Arena dos Negócios e a Sombra da Desconfiança

por Isabela Santos

Capítulo 13 — A Arena dos Negócios e a Sombra da Desconfiança

O escritório de Ricardo era um reflexo de sua personalidade: imponente, moderno, com uma vista panorâmica deslumbrante da Baía de Guanabara. A luz do final da tarde dourada o salão, refletindo nas superfícies polidas e nos objetos de arte que adornavam o ambiente. Lara, sentada em uma poltrona de couro macio, sentia-se como uma intrusa naquele universo de poder e sofisticação. A aliança que ela aceitara na noite anterior parecia ainda mais surreal ali, em meio ao império de Ricardo.

“Eu aceitei sua proposta, Ricardo”, Lara disse, a voz firme, mas com um tremor imperceptível. Ela havia passado o dia em um turbilhão de emoções, desde a conversa devastadora com Sofia até a resolução de se entregar a essa nova e perigosa jornada. “Eu quero de volta o que é meu. Eu quero reconstruir a ‘Esperança Industrial’. E eu quero que você me ajude.”

Ricardo, que a observava do outro lado da imensa mesa de mogno, sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo aliviado e triunfante. Ele se levantou e caminhou até ela, ajoelhando-se em frente à poltrona onde ela estava sentada.

“Eu sabia que você tomaria a decisão certa, Lara”, ele disse, segurando suas mãos. As mãos dele eram fortes, quentes, um contraste com a frieza que ela ainda sentia em relação a ele. “E eu prometo que não vou te decepcionar. Vamos juntas fazer a ‘Esperança Industrial’ renascer das cinzas. E vamos garantir que Sofia e aqueles que a apoiam paguem pelo que fizeram.”

Havia uma intensidade em seus olhos que era ao mesmo tempo reconfortante e perturbadora. Era o olhar de um homem que sabia o que queria e estava disposto a tudo para conseguir. Lara sentia uma pontada de desconfiança. Era fácil para ele prometer, mas ela sabia que os negócios eram um jogo perigoso, repleto de traições e segredos.

“Eu confio em você, Ricardo”, ela disse, e para sua surpresa, sentiu que era verdade, pelo menos naquele momento. “Mas eu também quero entender tudo. Eu quero estar envolvida em cada decisão. Eu quero aprender.”

“E você aprenderá”, Ricardo prometeu, apertando suas mãos. “Eu te ensinarei tudo. Vamos trabalhar juntas. Você terá o controle da sua empresa, com o meu apoio total. E quanto a Sofia… ela vai se arrepender de ter cruzado o seu caminho.”

Nas semanas que se seguiram, Lara mergulhou de cabeça no mundo dos negócios. A mansão de Ricardo tornou-se seu novo lar, não por escolha, mas por conveniência. Ele a instalara em um dos quartos de hóspedes mais luxuosos, um espaço que, apesar de sua opulência, parecia frio e impessoal. Ela passava os dias no escritório da “Esperança Industrial”, agora uma filial da corporação de Ricardo, em reuniões, estudando relatórios financeiros, aprendendo a linguagem complexa do mercado.

Ricardo era um mentor exigente, mas paciente. Ele a incentivava, a desafiava, a empurrava para além de seus limites. Lara descobria em si uma força e uma inteligência que ela nem sabia que possuía. A cada pequena vitória, a cada negócio fechado com sucesso, um senso de empoderamento crescia dentro dela. Ela sentia o fantasma da vingança se dissipar, substituído pela satisfação de ver o nome de sua família recuperando seu prestígio.

No entanto, a desconfiança em relação a Ricardo nunca desapareceu completamente. Havia momentos em que seus olhos a encaravam com uma intensidade que a deixava inquieta, momentos em que suas palavras carregavam um duplo sentido que a fazia questionar suas intenções. Ele a tratava com carinho, com respeito, mas era um respeito que beirava a posse. A linha entre o amor e o controle era tênue, e Lara temia cruzá-la.

Uma noite, durante um jantar de negócios em um restaurante sofisticado, ela sentiu um arrepio de desconforto. Ricardo estava em seu elemento, negociando com uma desenvoltura impressionante, seu olhar aguçado e suas palavras precisas. Ao seu lado, Lara se sentia como uma peça decorativa, uma bela acompanhante para o poderoso empresário.

Um dos sócios de Ricardo, um homem chamado Marcos, com um sorriso afiado e olhos calculistas, dirigiu-se a ela com uma condescendência que a irritou. “Lara, querida. Você é uma joia rara. Ricardo teve sorte em te encontrar.” Ele piscou para ela. “Espero que você esteja aprendendo bastante com ele. Ele é um mestre em todos os sentidos da palavra.”

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Lara é uma aluna muito dedicada, Marcos. E muito talentosa.” Ele passou um braço em volta dos ombros dela, um gesto possessivo que Lara detestou.

“Tenho certeza que sim”, Marcos disse, com um sorriso malicioso. “Ele sabe como extrair o melhor de cada um. Não é mesmo, Ricardo?”

Lara sentiu o sangue ferver. A insinuação era clara, e ela não gostava de ser comparada a um objeto de negociação. Ela se afastou ligeiramente do abraço de Ricardo, seu olhar fixo no de Marcos.

“Eu não estou aprendendo, senhor. Estou trabalhando. E a ‘Esperança Industrial’ não é um ‘recurso’ a ser explorado, mas sim uma empresa a ser reconstruída. Com o meu trabalho, e com o apoio de Ricardo.”

Marcos riu, um som desagradável. Ricardo apertou o braço dela, um aviso silencioso. Mas Lara não se intimidou. Pela primeira vez, ela sentiu que tinha o poder de confrontar aqueles homens, de defender a si mesma e o legado de sua família.

“Lara tem razão”, Ricardo disse, sua voz calma, mas carregada de autoridade. “Ela está à frente da ‘Esperança Industrial’ e é ela quem define as regras ali. E eu estou apenas dando o suporte necessário.”

A noite continuou tensa. Lara percebeu que o mundo dos negócios era uma arena onde a confiança era uma moeda rara, e a desconfiança, a norma. Ela se sentiu mais determinada do que nunca a dominar aquele universo, a se tornar forte o suficiente para não ser mais uma vítima.

Naquela noite, de volta à mansão de Ricardo, Lara não conseguia dormir. A imagem de Sofia, com seu sorriso traidor, e os olhares calculistas dos homens de Ricardo, a assombravam. Ela caminhou até a varanda de seu quarto, observando as luzes da cidade.

Ricardo apareceu na porta, vestido com um roupão, um copo de bebida na mão. Ele a observou por um momento, seus olhos escuros refletindo a pouca luz.

“Não consegue dormir?”, ele perguntou, a voz baixa.

Lara balançou a cabeça. “Estou pensando em tudo. Na aliança. Em Sofia. Em você.”

Ricardo aproximou-se dela, parando a uma distância respeitosa. “O que você pensa sobre mim, Lara?”

Ela o encarou, a honestidade em seus olhos. “Eu ainda não sei, Ricardo. Você me oferece um caminho para a justiça, mas também me envolve em um mundo de sombras. Eu me sinto forte ao seu lado, mas também me sinto… exposta.”

Ele sorriu, um sorriso melancólico. “A vida é uma exposição constante, Lara. E no jogo dos negócios, a confiança é um luxo que poucos podem pagar. Mas eu te prometi que estaria ao seu lado. E eu vou cumprir essa promessa.” Ele estendeu a mão, e Lara, hesitante, a aceitou. As mãos deles se encontraram, um elo frágil, mas real, em meio à complexidade de seus sentimentos e à incerteza do futuro.

“Eu quero acreditar em você, Ricardo”, ela sussurrou.

“E eu quero que você acredite”, ele respondeu, seus olhos encontrando os dela, um convite silencioso para um amor que ainda lutava para nascer em meio ao ódio e à desconfiança.

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