Entre o Amor e o Ódio III

Capítulo 19 — A Mansão Sombria e o Olhar do Predador

por Isabela Santos

Capítulo 19 — A Mansão Sombria e o Olhar do Predador

A mansão do pai de Rafael era um monumento à opulência e à frieza. Um casarão imponente, com muros altos e portões de ferro forjado que pareciam engolir a luz do sol. Um lugar que, Helena sentiu assim que estacionou seu carro na entrada, exalava um ar de poder, mas também de solidão e segredo. O convite chegara inesperadamente, uma carta formal, assinada pelo próprio Sr. Andrade, convidando-a para um jantar de negócios. Era a oportunidade que Rafael e ela tanto almejavam: a chance de Helena se aproximar do predador, de sondar suas fraquezas.

Helena sentiu um misto de apreensão e excitação. A adrenalina corria em suas veias, uma mistura de medo e determinação. Ela estava vestida com um elegante vestido azul marinho, um traje que projetava sofisticação e confiança, mas por dentro, seu estômago revirava. Ela não sabia o que esperar desse homem, apenas que ele era a fonte de toda a dor de Rafael e um obstáculo gigante para a felicidade dele.

O mordomo, um homem impecavelmente vestido e com uma expressão impassível, a recebeu na porta e a conduziu por corredores luxuosos, repletos de obras de arte e antiguidades que pareciam contar histórias de poder e de vidas passadas. Cada passo era calculado, cada movimento observado.

Finalmente, ela chegou a uma imensa sala de jantar. A luz baixa dos lustres de cristal criava um ambiente íntimo, mas a mesa longa e posta para poucos comensais exalava formalidade. No centro da mesa, uma figura imponente a esperava. Sr. Andrade. Ele era um homem na casa dos sessenta anos, com cabelos grisalhos bem penteados, um rosto marcado pela idade, mas com olhos penetrantes e um sorriso que parecia mais um prenúncio de perigo do que de boas-vindas.

“Sra. Helena Silva. É uma honra finalmente conhecê-la”, ele disse, levantando-se e oferecendo a mão. Sua voz era grave e ressonante, carregada de uma autoridade inquestionável.

Helena apertou a mão dele, sentindo uma força surpreendente. “A honra é minha, Sr. Andrade.”

“Por favor, sente-se”, ele a convidou, gesticulando para a cadeira à sua direita. “Rafael me falou muito sobre você. Disse que você é uma empresária notável, com uma visão de futuro admirável. Impressionante, para alguém tão jovem.”

As palavras eram um elogio, mas o tom de Sr. Andrade era frio, como se estivesse analisando uma peça de xadrez. Helena sentiu o olhar dele percorrendo-a, como se ele estivesse tentando desvendá-la.

“Obrigada, Sr. Andrade. Eu apenas sigo meus instintos e trabalho duro. Assim como o senhor.” Helena respondeu, tentando manter a calma.

A conversa fluiu, inicialmente sobre negócios, sobre o mercado, sobre as tendências do futuro. Sr. Andrade era um conversador astuto, capaz de envolver Helena em discussões complexas, mas Helena sentia que cada palavra era uma forma de sondagem, uma tentativa de descobrir suas intenções.

“Você tem um futuro promissor, Sra. Silva”, Sr. Andrade disse, após um gole de vinho. “Mas o mundo dos negócios é implacável. É preciso ter força, visão… e, às vezes, tomar decisões difíceis para proteger o que é seu.”

Helena assentiu, prestando atenção em cada nuance de sua voz. “Eu concordo. O mercado não perdoa fraquezas.”

“Exatamente”, ele disse, um brilho nos olhos que Helena não soube interpretar. “E é por isso que estou prestes a fechar um negócio que consolidará o meu império. Um negócio que garantirá que ninguém, nem mesmo aqueles que se opõem a mim, possam me deter.”

Era o negócio que Rafael e Sofia queriam impedir. A informação que Helena precisava obter.

“Um negócio tão importante assim, Sr. Andrade? Que ousadia a sua”, Helena disse, com um sorriso calculado. “E eu me pergunto, quem são esses que se opõem a você?”

Sr. Andrade a olhou por um momento, um silêncio carregado pairando entre eles. Então, ele riu, um som seco e sem alegria. “Ah, Sra. Silva. Há sempre aqueles que invejam o sucesso alheio. E, infelizmente, alguns deles são até mesmo da própria família.”

A menção à família fez o coração de Helena disparar. Era uma referência clara a Rafael.

“Família é algo complicado, não é mesmo, Sr. Andrade?”, Helena comentou, observando a reação dele.

“Complicado e, às vezes, traiçoeiro”, ele respondeu, o olhar fixo em Helena. “Mas eu aprendi a lidar com isso. A separar os sentimentos da razão. A fazer o que é preciso para proteger o meu legado.”

Enquanto conversavam, Helena observava os detalhes da sala. Havia uma pintura em particular, um retrato de uma mulher com um olhar triste e melancólico. Ela não sabia quem era, mas sentiu uma conexão, uma aura de sofrimento que parecia emanar da tela.

“Essa pintura… quem é?”, Helena perguntou, indicando o retrato.

Sr. Andrade seguiu o olhar dela. Uma sombra passou por seu rosto, quase imperceptível. “Uma velha amiga. Alguém que se foi há muito tempo.”

“Ela parece ter um olhar muito triste”, Helena comentou, sem deixar transparecer a informação que ela buscava.

“A vida é cheia de tristezas, Sra. Silva. Mas a força está em superá-las e seguir em frente. Sem olhar para trás.”

As palavras dele, sobre não olhar para trás, sobre superar a dor, soaram estranhamente familiares. Helena sentiu um arrepio. Seria essa a mulher que Rafael mencionara? A mãe dele?

O jantar continuou, com Sr. Andrade cada vez mais evasivo sobre os detalhes do negócio. Ele falava em termos vagos, em alianças estratégicas e em um futuro de poder inabalável. Helena sabia que precisava de algo mais concreto, algo que Sofia pudesse usar para desestabilizar o acordo.

No final do jantar, Sr. Andrade a acompanhou até a porta. O ar da noite era fresco, mas a presença dele era sufocante.

“Foi uma noite muito agradável, Sra. Silva”, ele disse, um brilho nos olhos que Helena interpretou como um desafio. “Espero que possamos repetir em breve. Talvez possamos até mesmo encontrar novas oportunidades de colaboração entre nossas empresas.”

“Eu adoraria, Sr. Andrade”, Helena respondeu, com um sorriso confiante. “E eu estou muito interessada em saber mais sobre esse seu novo empreendimento. Parece algo revolucionário.”

Sr. Andrade a olhou por um instante, um leve sorriso nos lábios. “Revolucionário é pouco, Sra. Silva. É a consolidação de um império. E nada, nem ninguém, poderá pará-lo.”

Enquanto ela se despedia e se dirigia de volta ao seu carro, Helena sentiu o olhar de Sr. Andrade em suas costas. Era um olhar de predador, calculista e implacável. Ela sabia que ele era perigoso, mas também sabia que havia encontrado uma brecha. Ele estava orgulhoso demais de seu poder, confiante demais em sua invencibilidade. E essa arrogância poderia ser a sua ruína.

De volta ao carro, Helena pegou o celular. Precisava contar a Rafael. Ela havia visto a sombra da verdade nos olhos dele, a frieza calculista por trás do sorriso. O negócio era real, e o pai dele estava confiante de que seria o seu triunfo final.

“Rafael”, ela disse, a voz tensa. “Eu o conheci. E ele é exatamente como você disse. Perigoso. Mas ele também é arrogante. Ele está prestes a fechar um negócio que ele acredita que o tornará invencível.”

“E você conseguiu alguma informação, Helena?”, a voz de Rafael soou preocupada.

“Não os detalhes exatos, mas sei que é um negócio que consolidará o poder dele. Ele falou em inimigos, em família, em não olhar para trás. Ele está fechado em si mesmo, em seu próprio poder. Mas essa confiança cega pode ser a nossa arma.”

“Ótimo”, Rafael respondeu, um tom de esperança em sua voz. “Sofia tem algumas informações sobre as finanças dele. Combinando o que você me disse com o que ela tem, talvez possamos encontrar a brecha que precisamos.”

Helena dirigiu para casa, a imagem da mansão sombria e do olhar do predador gravada em sua mente. Ela havia dado um passo importante, mas sabia que o caminho à frente seria ainda mais perigoso. E em meio a toda essa intriga, a imagem da mulher triste na pintura, talvez a mãe de Rafael, a assombrava, um lembrete silencioso da dor que movia a tudo aquilo.

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