Entre o Amor e o Ódio III

Capítulo 5 — O Legado do Passado e a Semente da Suspeita

por Isabela Santos

Capítulo 5 — O Legado do Passado e a Semente da Suspeita

A manhã em Nova Friburgo amanheceu com um céu límpido e um sol tímido que tentava romper a névoa fria que ainda pairava sobre as montanhas. A serenidade aparente contrastava com a turbulência que se instalara na vida de Sofia. A noite anterior, com a revelação de André sobre Marcus e o perigo iminente, a deixara em um estado de alerta constante.

Ela tomara café da manhã em silêncio, a xícara de café quente em suas mãos, mas o calor não chegava a aquecer o frio que se instalara em seu peito. André, sentindo o peso do silêncio, tentava uma aproximação cautelosa. "Você está bem?", ele perguntou, sua voz suave, desprovida da arrogância que ela lembrava.

Sofia assentiu, sem olhá-lo. "Estou apenas pensando. Marcus. Você tem certeza que ele me usaria como arma contra você?"

André se aproximou, sentando-se na poltrona oposta a ela. "Com Marcus, tudo é possível. Ele é movido pela ganância e pela vingança. Ele nunca perdoou você por ter saído da sociedade e levado consigo uma parte significativa do meu investimento. Ele me vê como um rival, e se ele souber que você tem algum tipo de ligação comigo, mesmo que seja do passado, ele não hesitará em usá-la para me atingir."

"Ligação...", Sofia repetiu, o eco da palavra ressoando em sua mente. Ela tinha uma ligação com André. Uma ligação que um dia foi amor, e que agora se transformara em uma cicatriz profunda e dolorosa. "Você tem algo que prove isso? Que ele está planejando algo contra mim?"

André hesitou por um momento. "Eu não tenho provas concretas, Sofia. Apenas a minha intuição e o conhecimento que tenho sobre Marcus. Ele opera nas sombras, e é muito difícil obter provas antes que ele aja." Ele suspirou. "Mas eu vou conseguir. Eu prometo."

Sofia o observou, a desconfiança ainda presente em seus olhos. Ela era uma advogada, e provas eram seu pão de cada dia. Sem elas, as palavras de André soavam como meras conjecturas. "Eu preciso de mais do que promessas, André. Eu preciso de fatos. Se ele está mesmo atrás de mim, eu preciso estar preparada."

"E você estará", André garantiu. "Eu vou te ajudar. Vou garantir sua segurança. E vou expor Marcus. Ele não vai se safar dessa vez."

Enquanto conversavam, um mensageiro chegou com um envelope lacrado. André o pegou, seus olhos examinando o selo com atenção. Ele o abriu, e começou a ler. Seu semblante endureceu a cada linha. Sofia o observava, apreensiva.

"O que é isso?", ela perguntou.

André ergueu os olhos, um misto de raiva e surpresa em seu rosto. "É um convite. Para uma festa. Na mansão de Marcus. Amanhã à noite."

"Uma festa?", Sofia franziu a testa. "Para quê?"

"Um evento beneficente", André respondeu, com um tom sarcástico. "Uma fachada para ele mostrar seu poder e, talvez, para me fazer uma visita." Ele olhou para Sofia, um brilho perigoso em seus olhos. "E ele me convidou para ir. E ele te convidou também."

Sofia engoliu em seco. Um convite. De Marcus Thorne. Para ela. Era a confirmação de que ele estava ciente de sua presença, e talvez, uma armadilha. "Ele está jogando com a gente, André. É isso?"

"Exatamente", André confirmou. "Ele quer nos ver juntos. Quer nos humilhar. Mas eu não vou dar essa satisfação a ele. E eu não vou permitir que ele te machuque."

Um silêncio pesado caiu entre eles. A festa na mansão de Marcus parecia uma armadilha óbvia. Mas, ao mesmo tempo, era uma oportunidade. Uma oportunidade de confrontar Marcus, de obter provas, de ver o monstro de perto.

"Eu vou", Sofia disse de repente, sua voz firme e decidida.

André a olhou, surpreso. "Sofia, é muito perigoso. Você não pode ir."

"Eu não sou mais a garota assustada que você conheceu, André", Sofia retrucou, seus olhos verdes faiscando. "Sou uma advogada. E se Marcus Thorne está me ameaçando, eu vou confrontá-lo. E você virá comigo."

André a encarou por um longo momento, a admiração misturada à apreensão em seu olhar. Ele via nela a força que ela havia construído, a coragem que ela possuía. "Tudo bem", ele concordou, um leve sorriso nos lábios. "Nós vamos juntos. E vamos acabar com isso de uma vez por todas."

Naquele momento, o destino parecia selar seus caminhos. A festa na mansão de Marcus Thorne se tornara o palco para um confronto inevitável. Sofia, dividida entre o medo e a determinação, sabia que aquele seria um jogo de alto risco. E André, com seu legado de ambição e um amor que ressurgia das cinzas, estava ao seu lado, ou talvez, a seu lado. A semente da suspeita havia sido plantada, mas a verdade, ela sentia, ainda estava escondida nas sombras, esperando o momento certo para desabrochar.

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