Cap. 12 / 25

Amor Proibido III

Capítulo 12 — O Sussurro do Passado e a Insinuação Perigosa

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — O Sussurro do Passado e a Insinuação Perigosa

O burburinho constante da metrópole era uma melodia de fundo que Sofia agora tentava interpretar. Cada sirene, cada risada distante, cada música que escapava de um carro, tudo parecia carregar um significado oculto, um eco de sua vida anterior. A perspectiva de Paris, embora tentadora por oferecer uma fuga completa, também a deixava inquieta. Miguel, com sua energia inesgotável e sua visão clara do futuro, parecia alheio às suas hesitações. Para ele, a mudança era sinônimo de progresso, de um novo capítulo escrito com a tinta da felicidade que ele acreditava estar construindo para ambos.

Sofia passava os dias em uma rotina cuidadosamente orquestrada: consultas médicas, preparativos para a mudança, passeios pelos parques da cidade, sempre acompanhada por Miguel. Ele a tratava com uma devoção que a deixava sem fôlego, protegendo-a com um zelo que, por vezes, a sufocava. Ele falava sobre Paris com um entusiasmo contagiante, descrevendo os passeios à beira do Sena, os cafés charmosos, a vida cultural vibrante. E Sofia, em meio a essa euforia, sentia-se cada vez mais isolada em seu próprio silêncio.

Em uma tarde chuvosa, enquanto Miguel estava em uma reunião importante, Sofia decidiu explorar um pouco mais a cidade sozinha. Ela se sentia compelida a encontrar algum lugar que a conectasse com a natureza, um respiro da selva de pedra. Acabou em um jardim botânico, um oásis de verde em meio ao cinza. As flores exuberantes, as árvores centenárias, o cheiro úmido da terra… tudo a transportou momentaneamente para longe de suas preocupações.

Enquanto admirava uma orquídea rara, um perfume familiar flutuou no ar. Um perfume inconfundível, que a fez parar bruscamente. Era o perfume de Dona Aurora, o mesmo aroma de lavanda e alecrim que impregnava as roupas de sua falecida avó. Um arrepio percorreu sua espinha. Ela olhou em volta, o coração disparado. Poderia ser apenas uma coincidência?

Então, ela o viu. Um homem de cabelos grisalhos, vestindo um terno elegante, conversava animadamente com um grupo de pessoas próximas a um arbusto de rosas. Havia algo naquele perfil, na maneira como ele gesticulava, que a fez prender a respiração. O tempo pareceu desacelerar. Seus olhos vagaram para o rosto dele.

Era Dr. Almeida. O médico de família em São Miguel do Araguaia, um homem que ela via desde criança, que havia atendido sua mãe em seus últimos dias, que havia sido confidente de Dona Aurora. Um pânico frio a invadiu. Como ele estaria ali, naquela cidade, naquele exato momento?

Ela sentiu uma necessidade incontrolável de se esconder, de desaparecer. Agachou-se atrás de um banco, o coração martelando contra as costelas. A última coisa que ela queria era ser vista por alguém de seu passado. Aquele encontro era um presságio, uma ameaça latente à frágil fachada que ela construíra.

Dr. Almeida riu, e o som de sua voz, embora distante, soou familiar e estranho ao mesmo tempo. Ele se virou levemente, e por um instante, seus olhares quase se cruzaram. Sofia se encolheu ainda mais, rezando para que ele não a tivesse notado. Ele parecia estar de férias, descontraído, longe do semblante sério de seu consultório.

Ela esperou, imóvel, até que o grupo se dispersasse e Dr. Almeida se afastasse, mergulhando em um caminho diferente. A adrenalina ainda corria em suas veias. Aquele encontro, por mais breve que fosse, desestabilizou-a completamente. Era como se o passado tivesse estendido um dedo acusador em sua direção.

Ao retornar para o apartamento, Sofia estava visivelmente abalada. Miguel a recebeu com um sorriso, mas percebeu a palidez em seu rosto.

"Você está bem, meu amor? Parece um pouco pálida."

"Estou bem, Miguel", ela mentiu, forçando uma tranquilidade que não sentia. "Só… um pouco cansada. O sol estava forte."

Naquela noite, durante o jantar, Sofia não conseguia tirar Dr. Almeida de seus pensamentos. A coincidência era demasiada para ser ignorada. Ela se lembrou de como ele sempre fora um homem observador, discreto, mas perspicaz. E se ele a tivesse visto? E se ele desconfiasse de algo?

"Você parece distraída, Sofia", Miguel comentou, servindo-lhe mais vinho. "Pensando na nossa nova vida em Paris?"

"Sim", ela respondeu, tentando soar convincente. "Apenas pensando em como tudo vai mudar."

"Para melhor", Miguel completou, seus olhos fixos nos dela. "E nada nos perturbará. Prometo."

A promessa de Miguel soou oca em seus ouvidos. Ele não sabia do perigo real que a rondava. Ele não sabia que um vislumbre de um rosto conhecido podia desmoronar todo o seu mundo.

Nos dias seguintes, Sofia se tornou mais reclusa, evitando sair de casa sem Miguel. A cidade que antes parecia um refúgio, agora parecia um labirinto de perigos potenciais. Cada rosto novo era uma ameaça, cada conversa um alerta. Ela se sentia como um animal acuado, assustado com os próprios passos.

Um dia, enquanto vasculhava caixas de coisas que trouxera de São Miguel, em busca de algo para se distrair, encontrou um álbum de fotografias antigo de Dona Aurora. Ela passou horas folheando as imagens, relembrando momentos felizes de sua infância, o sorriso gentil de sua avó, a vida simples e honesta que ela deixara para trás.

Em uma das páginas, ela encontrou uma foto de Dona Aurora e Dr. Almeida, ambos mais jovens, sorrindo em um evento da cidade. Um pequeno bilhete, escrito com a caligrafia elegante de sua avó, estava colado ao lado: "Com o querido Dr. Almeida, um anjo em nossas vidas."

A constatação a atingiu como um raio: Dona Aurora e Dr. Almeida tinham uma ligação mais profunda do que ela imaginava. Ele não era apenas o médico da família, mas um amigo próximo, alguém em quem sua avó confiava plenamente. Isso tornava o encontro ainda mais perturbador. Se ele soubesse de sua gravidez, de sua história, ele poderia tentar contatar sua família, expor a verdade.

A insinuação de perigo pairava no ar, mais densa do que a poluição da metrópole. Sofia sabia que não podia mais se dar ao luxo de ser negligente. Ela precisava ser mais forte, mais esperta. A ideia de Paris, antes um refúgio, agora se tornava uma necessidade urgente. Uma fuga, não apenas de seu passado, mas também de uma ameaça que se materializava a cada dia. A inocência de sua situação havia se dissipado, substituída por uma luta pela sobrevivência, pela proteção de seu segredo e, acima de tudo, pela segurança de seu filho. O sussurro do passado havia se transformado em um rugido, e Sofia sabia que precisaria de toda a sua astúcia para não ser engolida por ele.

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