Cap. 13 / 25

Amor Proibido III

Capítulo 13 — O Véu da Ilusão e a Sombra da Dúvida

por Valentina Oliveira

Capítulo 13 — O Véu da Ilusão e a Sombra da Dúvida

A proximidade com a data da partida para Paris intensificava a atmosfera de expectativa e ansiedade no apartamento de Sofia e Miguel. Caixas empilhadas nos corredores, o cheiro de plástico e fita adesiva pairando no ar, tudo anunciava a iminente transformação. Miguel, com sua energia contagiante, liderava os preparativos, sua alegria contagiando os arredores, mesmo que Sofia se sentisse cada vez mais aprisionada em seu próprio turbilhão interior. A cada objeto que era empacotado, ela sentia um pedaço de sua antiga vida sendo lacrado, e o medo de que o novo capítulo fosse construído sobre alicerces instáveis a corroía.

O encontro fortuito com Dr. Almeida a deixara em estado de alerta constante. Ela evitava sair sozinha, e quando o fazia, seus olhos vasculhavam a multidão com uma apreensão quase paralisante. A ideia de que ele pudesse reconhecê-la, ou pior, que pudesse tentar contatá-la, era um pesadelo que se repetia em seus pensamentos. Miguel, absorto em seus planos, parecia não notar a crescente fragilidade de Sofia, interpretando sua reclusão como um sintoma natural da ansiedade pré-mudança.

"Você está quieta hoje, meu amor", Miguel disse, enquanto eles jantavam. Ele colocou a mão sobre a dela, um gesto de carinho que antes a confortava, mas que agora parecia pesar. "É a saudade de casa? Ou a empolgação com Paris?"

Sofia sorriu, um sorriso frágil. "Um pouco dos dois, Miguel. É muita coisa para processar."

"Eu sei, meu bem. Mas lembre-se do que eu disse. Em Paris, teremos paz. Um novo começo, só nosso. Sem fantasma do passado, sem cobranças. Uma vida em branco para pintarmos como quisermos." Ele a olhou com a intensidade que a desarmava, a paixão em seus olhos apagando temporariamente as sombras que a assombravam.

Mas a sombra pairava. E o véu da ilusão que Miguel tecia em torno deles parecia cada vez mais tênue para Sofia. Ela se perguntava se ele seria capaz de perdoá-la um dia, se o amor dele seria forte o suficiente para superar a verdade que ela escondia. A gravidez, antes um símbolo de esperança e de um futuro compartilhado, agora se tornava um fardo, um lembrete constante de sua fragilidade e de sua mentira.

Uma tarde, enquanto arrumava algumas de suas roupas antigas em uma mala, Sofia encontrou um lenço de seda, o mesmo que Dona Aurora usava nos dias mais quentes. Ao tocá-lo, uma lembrança vívida a atingiu: sua avó, sentada na varanda, costurando em silêncio, o lenço enrolado em seus cabelos. Naquele dia, ela tinha conversado com Sofia sobre os segredos que as mulheres carregavam, sobre os fardos que a vida lhes impunha, e sobre a importância de ter alguém em quem confiar.

"Nem sempre podemos controlar as voltas que a vida dá, minha neta", Dona Aurora dissera, com a sabedoria serena de quem já havia navegado por muitas tempestades. "Mas podemos escolher com quem compartilhar nossas águas mais turbulentas. A confiança é um tesouro, Sofia. E um tesouro assim só se encontra uma vez na vida."

As palavras de sua avó ressoaram em sua mente com uma força renovada. Ela sentia falta daquele conselho, daquela presença que era porto seguro. Miguel era gentil, atencioso, a amava profundamente, mas ele não era Dona Aurora. E o segredo que ela guardava era pesado demais para ser compartilhado com alguém que ainda se sentia uma estranha em sua vida.

A partida para Paris se aproximava, e com ela, a sensação de que ela estava fugindo de seu próprio destino. No dia anterior à viagem, Miguel a levou para um jantar especial em um restaurante sofisticado. As luzes baixas, a música suave, o vinho caro – tudo criava um ambiente romântico, um adeus à vida que estavam deixando para trás e um brinde ao futuro que os aguardava.

"Sofia", Miguel disse, segurando suas mãos sobre a mesa. "Quero que você saiba o quanto eu te amo. E o quanto eu estou feliz por estar construindo essa nova vida com você. Você é a mulher da minha vida."

As lágrimas brotaram nos olhos de Sofia. Ela queria acreditar em cada palavra dele, mas a culpa a sufocava. "Eu também te amo, Miguel", ela sussurrou, a voz embargada pela emoção e pela angústia. Ela sentia como se estivesse vivendo um sonho, um sonho lindo e perigoso, onde a mais mínima rachadura poderia expor a fragilidade de toda a estrutura.

Mais tarde naquela noite, de volta ao apartamento, Sofia não conseguia dormir. Miguel dormia tranquilamente ao seu lado, exausto pelos preparativos. Ela se levantou e foi até a varanda. A cidade cintilava sob a noite estrelada, um espetáculo de luzes que parecia zombar de sua angústia.

Ela se perguntava se o destino realmente a havia colocado em um caminho de redenção ou se estava apenas prolongando a inevitabilidade da descoberta. Aquele encontro com Dr. Almeida era um lembrete perturbador de que o passado raramente permanecia enterrado. E se ele, um homem de confiança de sua família, começasse a procurar por ela? Se ele contatasse seus pais, sua irmã? A ideia a fez tremer.

Ela olhou para o céu, as estrelas parecendo pontos de interrogação em um universo de incertezas. O amor de Miguel era real, ela não duvidava disso. Mas era um amor construído sobre uma ilusão cuidadosamente elaborada por ela. E o peso dessa ilusão, o peso do segredo que ela carregava, era algo que ameaçava engolir a todos eles. A viagem para Paris parecia mais uma fuga desesperada do que um novo começo. E enquanto ela observava as luzes da cidade, Sofia se perguntava se algum dia ela seria capaz de perdoar a si mesma, ou se viveria para sempre sob a sombra da dúvida e da culpa, assombrada pelo véu da ilusão que ela mesma havia criado.

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