Cap. 16 / 25

Amor Proibido III

Amor Proibido III

por Valentina Oliveira

Amor Proibido III

Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 16 — O Confronto Sob a Chuva Torrencial

A chuva caía em torrentes, lavando as ruas de São Paulo com a mesma fúria que atormentava a alma de Isabella. Cada gota que escorria pelo vidro embaçado do seu apartamento parecia zombar da tempestade que se formava dentro dela. A carta de Ricardo, antes um bálsamo de esperança, agora era um punhal afiado perfurando o seu peito. As palavras, tão doces e cheias de promessas, agora ecoavam como um lamento, um adeus disfarçado em desespero. Ele estava partindo. Para sempre. A notícia a atingiu com a força de um soco no estômago, roubando-lhe o ar, turvando-lhe a visão. Como ele podia? Como podia ir embora assim, sem um último olhar, sem um abraço que pudesse desatar todos os nós que os prendiam?

Seu corpo tremia, não apenas de frio, mas de uma angústia avassaladora. A sensação de abandono era palpável, uma onda gélida que a submergia. Ela se agarrou à carta, os dedos brancos e tensos, como se pudesse, de alguma forma, reescrever aquelas linhas cruéis. Mas não podia. A caligrafia elegante de Ricardo, que antes lhe trazia conforto, agora parecia fria e distante. Ele falava de negócios, de oportunidades irrecusáveis, de um futuro que não a incluía. Um futuro construído em solo estrangeiro, longe do calor dos seus beijos, do aroma do seu perfume, do riso que emanava de seus lábios.

“Mentira”, sussurrou para o vazio do apartamento, a voz embargada pelas lágrimas que finalmente começaram a rolar. “Ele não pode ir. Ele me ama. Ele disse que me amava!”

Lembrou-se do último encontro, do abraço apertado, do seu rosto enterrado no peito dele, sentindo o pulsar acelerado do seu coração. Lembrou-se das palavras sussurradas ao pé do ouvido, promessas de um futuro juntos, de uma vida construída lado a lado. Agora, tudo isso parecia um sonho distante, uma ilusão cruel criada para atormentá-la. A dor era física, um aperto constante no peito, uma falta de ar que a impedia de respirar.

A chuva lá fora intensificava-se, transformando o céu cinzento em um véu escuro. Os raios cortavam a escuridão, iluminando por instantes a cidade molhada, como flashes de memórias dolorosas. Isabella se sentia afogada, perdida em um mar de incertezas e mágoa. A necessidade de vê-lo, de confrontá-lo, de implorar para que ele ficasse, tornou-se uma urgência insuportável. Ela não podia aceitar aquele fim. Não assim.

Com um ímpeto que a surpreendeu, ela se levantou. Seus pés a levaram, quase que por vontade própria, em direção à porta. As lágrimas ainda molhavam seu rosto, mas agora havia uma determinação sombria em seus olhos. Ela precisava vê-lo. Precisava ouvir dele, pessoalmente, que aquilo era real. Pegou seu casaco, as chaves e saiu para a noite tempestuosa.

O trajeto até o apartamento de Ricardo foi um borrão de imagens em movimento e pensamentos caóticos. Os limpadores de para-brisa lutavam inutilmente contra a força da água, mas Isabella não se importava. Seu foco estava nele. A cada semáforo vermelho, uma nova onda de pânico a atingia. E se ele já tivesse partido? E se ela chegasse tarde demais? A ideia era insuportável.

Finalmente, o carro parou em frente ao edifício imponente onde ele morava. A chuva batia incessantemente contra o para-brisa, o barulho ensurdecedor misturando-se ao som do seu coração disparado. Ela desceu do carro, o vento gelado e a água a encharcando em segundos. Correu até a entrada, o vestido colando-se ao corpo, os cabelos grudados no rosto.

O porteiro, um homem grisalho com um olhar cansado, a encarou com surpresa.

“Senhorita Isabella? O que a traz aqui a esta hora?”

“Ricardo”, ela disse, a voz trêmula, mas firme. “Eu preciso vê-lo. Agora.”

O porteiro hesitou, olhando para o relógio. “Ele… ele já se despediu de todos. Disse que está viajando a trabalho. Partiu esta noite.”

As palavras do porteiro foram como pedras atiradas contra seu coração já ferido. A esperança que a impulsionara até ali desmoronou, deixando-a à deriva. As pernas cederam, e ela se apoiou na porta de vidro, sentindo a água escorrer por seu rosto como um rio de dor.

“Não… não é verdade”, murmurou, os olhos fixos no vazio. “Ele não pode ter ido.”

De repente, um carro de luxo, com os faróis fortes cortando a escuridão da rua, parou em frente ao prédio. As luzes ofuscaram Isabella por um instante. E então, ela o viu. Ricardo.

Ele desceu do carro, vestindo um terno impecável, apesar da chuva. Seu rosto estava sério, os olhos fixos no horizonte. Ele parecia ter sido esculpido na noite, um vulto elegante e inatingível.

“Ricardo!”, ela gritou, a voz rompendo a barreira do som da chuva. Ele parou, virou-se lentamente, e seus olhos encontraram os dela. Por um instante, o mundo parou. A chuva parecia diminuir, o barulho da cidade se esvaiu. Havia apenas os dois, ali, sob o céu tempestuoso.

Ele a olhou com uma expressão indecifrável. Havia surpresa, talvez culpa, e uma dor que espelhava a dela. Ele começou a andar em sua direção, mas Isabella o interceptou, parando a poucos passos dele, o rosto molhado pela chuva e pelas lágrimas.

“Por quê, Ricardo? Por que você está indo embora?” A voz dela era um lamento, um apelo desesperado.

Ele suspirou, o som quase inaudível em meio ao temporal. “Isabella, você sabe que não temos outra escolha.”

“Não temos? E o que nós temos não vale nada para você? Nossos beijos, nossos planos, o que juramos um ao outro?” As lágrimas escorriam em abundância, misturando-se à chuva. “Você me disse que me amava! Como pode ir embora assim?”

O olhar dele se tornou sombrio. Havia uma luta interna visível em seus olhos. “Eu te amo, Isabella. Mais do que você pode imaginar. Mas… há coisas que estão além do nosso controle.”

“Coisas? Que coisas, Ricardo? Me diga! Me explique! Ou você acha que eu vou aceitar isso assim, calada, enquanto você destrói tudo o que construímos?” Ela estendeu a mão, como se pudesse tocá-lo, alcançá-lo, mas ele permaneceu ali, a uma distância que parecia intransponível.

“Você não entenderia. É complicado. São negócios, família… pressões que você não pode sequer imaginar.” A voz dele era tensa, carregada de um peso invisível.

“Pressões? Ou desculpas esfarrapadas para fugir?” A mágoa transbordou em sua voz. “Você me usou, Ricardo? Foi tudo um jogo para você?”

Um lampejo de dor cruzou o rosto dele. “Nunca, Isabella. Você sabe que nunca.”

“Eu não sei mais nada!”, ela gritou, a voz embargada. “Só sei que você está me deixando, que está partindo para longe, e que está me deixando com o coração em pedaços!” Ela deu um passo para trás, a decepção tomando conta de si. A figura dele, antes tão forte e desejada, agora parecia distante, fria, um estranho.

“Eu sinto muito”, ele disse, a voz baixa, quase um sussurro.

“Sentir muito não conserta nada!”, ela respondeu, as palavras cuspindo dor. Ela se virou, incapaz de suportar mais aquele olhar, aquela proximidade que só aumentava a agonia. A chuva parecia querer consumi-la. Ela correu de volta para o carro, o som dos seus soluços abafado pela tempestade.

Enquanto dirigia para longe, sob o céu escuro e implacável, Isabella sabia que aquele confronto sob a chuva torrencial não tinha sido um adeus, mas sim o início de uma nova batalha. A batalha para entender, para curar, e talvez, para reconquistar o que lhe fora roubado. A verdade sobre as “pressões” que Ricardo mencionou pairava no ar, um mistério que ela se recusava a deixar sem solução.

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