Cap. 17 / 25

Amor Proibido III

Capítulo 17 — A Trama de Sombras e os Sussurros de Traição

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — A Trama de Sombras e os Sussurros de Traição

Os dias que se seguiram à partida de Ricardo foram um deserto de desolação para Isabella. A cidade, que antes pulsava com a energia vibrante da sua paixão, agora parecia cinzenta e opressora. Ela se arrastava pela rotina, um fantasma assombrado pela ausência dele, pela dor da separação abrupta. As noites eram as piores, repletas de pesadelos em que Ricardo se afastava cada vez mais, a voz dele sumindo em meio a um nevoeiro impenetrável. A carta, que ela mantinha guardada numa gaveta secreta, era um lembrete constante da sua vulnerabilidade, da fragilidade do amor que acreditava ser inabalável.

Ela se aprofundou em seu trabalho na galeria de arte, buscando refúgio na beleza das obras expostas, na companhia silenciosa das telas. Mas mesmo ali, a sombra de Ricardo a perseguia. Cada pincelada, cada cor vibrante, parecia evocar uma lembrança, um momento compartilhado. A dor da perda era um fardo pesado em seus ombros, e a falta de respostas sobre os verdadeiros motivos da partida dele a corroía por dentro.

Seus amigos mais próximos, Lúcia e André, tentavam, a seu modo, animá-la. Lúcia, com sua energia contagiante e conselhos práticos, insistia que ela deveria focar em si mesma, em sua carreira, em seu bem-estar. André, com sua sabedoria tranquila, a incentivava a não desistir de buscar a verdade, a não se contentar com as meias-verdades.

“Você não pode deixar isso assim, Isa”, disse André certa tarde, enquanto tomavam um café em um bistrô charmoso no centro da cidade. “Ricardo nunca agiria por impulso. Ele é calculista, metódico. Aquela história de ‘pressões’ soa vaga demais, até para ele.”

Isabella suspirou, remexendo o açúcar em sua xícara. “Eu sei. Mas o que mais eu posso fazer? Ele se foi. Deixou uma carta e sumiu.”

“Não sumiu”, corrigiu Lúcia, com os olhos brilhando de determinação. “Ele foi para algum lugar. E você tem o direito de saber por quê. Principalmente depois de tudo o que vocês passaram.”

Foi então que Lúcia teve uma ideia. “Lembra do João? Aquele jornalista investigativo que nos ajudou a desmascarar o escândalo da construtora no ano passado?”

Isabella assentiu, uma faísca de esperança acendendo em seu peito. João era um profissional habilidoso, discreto e persistente. Se alguém poderia desenterrar a verdade, era ele.

“Ele pode nos ajudar. Ele tem contatos, sabe como investigar sem levantar suspeitas. Podemos pedir a ele para investigar os negócios de Ricardo, para descobrir para onde ele realmente foi e por quê.”

A ideia parecia arriscada, mas a perspectiva de obter respostas, de desvendar o véu de mistério que envolvia a partida de Ricardo, era tentadora demais para ser ignorada. Isabella concordou.

Nas semanas seguintes, João começou sua investigação discretamente. Ele rastreou os voos, as movimentações financeiras, os contatos de Ricardo. O que ele descobriu, no entanto, era muito mais complexo e sombrio do que Isabella jamais imaginara.

Parecia que Ricardo estava envolvido em uma série de transações comerciais obscuras, ligadas a um conglomerado internacional com reputação duvidosa. Havia indícios de lavagem de dinheiro, de acordos escusos com políticos corruptos e de uma rede intrincada de empresas de fachada. A “oportunidade de negócios” que ele mencionara em sua carta era, na verdade, um mergulho profundo em um mundo de ilegalidade e perigo.

João compartilhou suas descobertas com Isabella, Lúcia e André em uma reunião secreta em um café discreto. O semblante de Isabella se tornou pálido à medida que as informações eram reveladas.

“Isso não faz sentido”, ela murmurou, a voz trêmula. “Ricardo não é esse tipo de pessoa. Ele é honesto, íntegro.”

“Pelo menos, era o que pensávamos”, disse João, com um tom sério. “Mas as evidências são fortes. Parece que ele foi coagido a participar dessas operações, talvez para proteger alguém, ou para evitar algo pior.”

A menção de “proteger alguém” fez o sangue de Isabella gelar. Ela pensou em sua família, em seus pais. Poderia Ricardo ter sido forçado a se afastar para protegê-los de alguma ameaça? A ideia era aterrorizante.

“E quem está por trás disso?”, perguntou André, a testa franzida em preocupação.

“É difícil dizer com certeza ainda”, respondeu João. “Mas o nome de um empresário conhecido por suas práticas implacáveis e conexões perigosas tem aparecido com frequência: Maurício Alencar.”

O nome de Maurício Alencar soou como um trovão no ouvido de Isabella. Ela sabia quem ele era. Um magnata implacável, conhecido por sua crueldade nos negócios e por ter um passado envolto em escândalos. Havia rumores de que ele era o mentor de Ricardo no início de sua carreira, mas que a relação havia esfriado com o tempo.

“Maurício Alencar?”, Isabella repetiu, a voz embargada. “Mas por quê? O que ele quer com Ricardo?”

“Provavelmente, algo que Ricardo possui ou sabe. Talvez um segredo que pode arruinar Alencar, ou um ativo que ele deseja controlar. E Ricardo, por algum motivo, se tornou um obstáculo ou uma ferramenta para ele.”

A trama se tornava mais complexa e perigosa a cada nova descoberta. Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A partida de Ricardo não era uma simples decisão de negócios, mas sim um movimento estratégico em um jogo de poder e intriga. Ela estava no meio de uma teia de sombras, e a verdade, que ela tanto buscava, parecia envolta em um perigo iminente.

Enquanto João continuava a investigar os passos de Alencar e suas conexões com Ricardo, Isabella sentiu a necessidade de buscar informações em outro lugar. Ela precisava falar com alguém que conhecesse Ricardo intimamente, alguém que pudesse ter notado alguma mudança em seu comportamento, algum sinal de alerta. E a única pessoa que se encaixava nesse perfil era Sofia, a antiga sócia de Ricardo, a mulher que ele havia afastado drasticamente em seu passado.

Sofia vivia reclusa em uma mansão isolada na serra, longe do burburinho da cidade. Isabella decidiu ir até lá, impulsionada por uma mistura de desespero e intuição. Ela sabia que Sofia guardava ressentimentos, mas esperava que a gravidade da situação pudesse abrir uma ponte entre elas.

A viagem até a mansão de Sofia foi longa e solitária. A paisagem mudava gradualmente, das ruas movimentadas de São Paulo para as colinas verdes e o ar puro da serra. Ao chegar aos portões imponentes da propriedade, Isabella sentiu uma pontada de apreensão. O lugar exalava uma aura de opulência, mas também de mistério e solidão.

Ela tocou a campainha, e um mordomo de semblante austero abriu a porta.

“Senhorita Isabella?”, ele disse, surpreso. “A senhora Sofia não costuma receber visitas inesperadas.”

“Por favor, diga a ela que é urgente. É sobre Ricardo.”

O mordomo desapareceu por um corredor escuro, e minutos depois, retornou com um convite silencioso para entrar. A mansão era grandiosa, decorada com móveis antigos e obras de arte valiosas. O silêncio era quase ensurdecedor.

Sofia apareceu em uma sala de estar luxuosa, vestida com um elegante roupão de seda. Seus cabelos prateados estavam presos em um coque impecável, e seus olhos azuis, outrora vibrantes, agora carregavam uma melancolia profunda. Ela encarou Isabella com uma expressão fria, mas havia uma curiosidade velada em seu olhar.

“Isabella. Que surpresa desagradável. A que devo a honra desta visita inesperada?” A voz dela era polida, mas sem calor.

“Senhora Sofia, eu sei que o meu relacionamento com Ricardo terminou de forma amarga, e que você guarda mágoas… mas eu preciso da sua ajuda.”

Sofia sorriu ironicamente. “Minha ajuda? Por que eu ajudaria alguém que causou tanto sofrimento a um homem que eu, apesar de tudo, ainda prezo?”

“Ricardo desapareceu, Senhora Sofia. Ou melhor, ele foi forçado a ir embora por causa de negócios perigosos. Negócios ligados a Maurício Alencar.”

O nome de Maurício Alencar pareceu atingir Sofia como um raio. Seu semblante, antes controlado, vacilou por um instante. Uma sombra de medo cruzou seus olhos.

“Maurício Alencar?”, ela repetiu, a voz agora um fio. “O que você sabe sobre isso?”

Isabella contou tudo o que João havia descoberto, a trama de lavagem de dinheiro, a coerção. Sofia ouvia atentamente, seus olhos fixos no vazio, como se revivesse um pesadelo.

Quando Isabella terminou, Sofia suspirou, uma exalação longa e pesada. “Eu sempre soube que Maurício era perigoso. Ele é um predador, Isabella. Ele destrói tudo o que toca.”

“O que você sabe sobre a relação dele com Ricardo?”, Isabella insistiu, a esperança de encontrar uma pista surgindo em seu peito.

Sofia hesitou por um longo momento, seu olhar perdido em lembranças dolorosas. “Ricardo foi meu protegido por um tempo. Ele era brilhante, ambicioso, mas também ingênuo. Maurício viu nele um potencial para seus esquemas. Ele o moldou, o usou, o corrompeu gradualmente. Mas Ricardo sempre teve um código de honra, um limite que ele não queria cruzar. Quando ele se recusou a participar de um dos planos mais escusos de Alencar, as coisas ficaram tensas.”

“Ele foi ameaçado?”, Isabella perguntou, o coração apertado.

Sofia assentiu lentamente. “Sim. Maurício ameaçou expor segredos dele, segredos que poderiam destruir sua reputação e sua carreira. E, mais do que isso, ameaçou a segurança de pessoas que ele amava.”

A verdade, fria e cruel, começou a se revelar. A partida de Ricardo não fora um ato de covardia, mas sim de desespero. Ele estava tentando proteger a si mesmo e, talvez, a ela e sua família, de um monstro implacável. A trama de sombras se adensava, e Isabella sabia que estava entrando em um mundo onde o amor e a lealdade eram testados ao limite.

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