Cap. 18 / 25

Amor Proibido III

Capítulo 18 — A Fuga e a Faca nos Costas

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — A Fuga e a Faca nos Costas

As palavras de Sofia ecoavam na mente de Isabella como um alerta sombrio. A imagem de Ricardo, lutando contra as garras de Maurício Alencar, a atormentava. A ideia de que ele havia partido não por falta de amor, mas por um ato de desespero e sacrifício, trazia uma nova camada de dor e complexidade à sua angústia. Ela estava determinada a não deixar que Alencar destruísse mais uma vez a vida de Ricardo, e, por extensão, a dela.

De volta à cidade, Isabella convocou André e Lúcia para uma reunião urgente. A informação de Sofia, corroborada pelas investigações de João, pintava um quadro desolador. Ricardo estava encurralado, preso em uma teia de manipulação e ameaças.

“Precisamos fazer alguma coisa”, disse Isabella, a voz firme, apesar da apreensão que a consumia. “Não podemos deixar que Alencar o use e o descarte como se fosse uma peça de xadrez.”

André, sempre pragmático, ponderou. “Mas o quê, exatamente? Alencar é um homem poderoso, com influência em todos os escalões. Se tentarmos enfrentá-lo diretamente, podemos acabar na mesma situação de Ricardo.”

“Eu sei”, concordou Isabella. “Mas talvez possamos usar o próprio jogo dele contra ele. Se Alencar está usando segredos para chantageá-lo, talvez haja segredos dele que possamos usar.”

Lúcia, com sua astúcia habitual, concordou. “João está investigando os negócios de Alencar. Talvez ele possa encontrar algo comprometedor. Algo que possamos usar para pressioná-lo a soltar Ricardo.”

Os dias seguintes foram de intensa investigação e planejamento. João mergulhou ainda mais fundo no império de Alencar, rastreando suas finanças obscuras, seus contatos duvidosos, suas práticas antiéticas. Ele descobriu uma série de transações ilegais, acordos secretos com políticos corruptos e até mesmo evidências de sabotagem contra concorrentes. O escopo da corrupção de Alencar era assustador.

Enquanto isso, Isabella, com o auxílio de André, tentava reunir informações sobre o paradeiro de Ricardo. Através de contatos confiáveis no mundo dos negócios, eles descobriram que Ricardo estava em uma cidade portuária remota, em uma viagem que parecia ser uma tentativa de fugir ou de encontrar uma saída para a situação.

“Ele está em Santos”, revelou André, após dias de rastreamento. “Parece que ele está tentando embarcar em um navio com destino desconhecido. Talvez para o exterior, ou talvez apenas para desaparecer por um tempo.”

A notícia acendeu uma luz de esperança em Isabella. Se Ricardo estava em Santos, talvez ela pudesse encontrá-lo antes que ele partisse, antes que fosse tarde demais.

“Eu tenho que ir até lá”, declarou Isabella, sem hesitar.

André e Lúcia a olharam com preocupação. “Sozinha, Isa? É perigoso.”

“Eu não posso ficar aqui esperando. Se há uma chance de vê-lo, de falar com ele, de talvez ajudá-lo a sair dessa situação, eu preciso tentar.”

Apesar das objeções, Isabella partiu para Santos no dia seguinte. A viagem foi tensa, o coração batendo acelerado a cada quilômetro que a aproximava do seu objetivo. Ela sabia que estava entrando em território perigoso, que Alencar poderia ter seus olhos e ouvidos em todos os lugares.

Ao chegar à cidade portuária, o cheiro salgado do mar misturou-se à agitação do porto. Isabella sentiu-se deslocada naquele ambiente rústico e movimentado. Ela começou a procurar por informações, usando contatos discretos que André lhe havia fornecido. A cada porta que batia, a cada pergunta que fazia, sentia o peso da vigilância invisível.

Após horas de busca infrutífera, quando a esperança começava a esvanecer, ela recebeu uma mensagem anônima: um endereço de um armazém abandonado na zona portuária e um horário. Era um risco, mas a possibilidade de encontrar Ricardo era maior.

Sob o manto da noite, Isabella dirigiu até o local indicado. O armazém era sombrio e dilapidado, a estrutura enferrujada rangendo com o vento. Ela entrou com cautela, o coração disparado, a tensão no ar quase palpável.

E então, ela o viu. Ricardo.

Ele estava ali, em meio a caixas empilhadas e sombras dançantes, parecendo mais cansado e abatido do que ela jamais o vira. Seus olhos, ao encontrarem os dela, expressaram uma mistura de surpresa, alívio e apreensão.

“Isabella? O que você está fazendo aqui?” A voz dele era rouca, carregada de um cansaço profundo.

Ela correu para ele, sem se importar com o perigo, com o risco. Abraçou-o com força, sentindo a rigidez dos seus ombros, a tensão em seu corpo. “Eu vim te buscar, Ricardo. Eu não podia deixar você ir embora assim.”

Ele a abraçou de volta, um abraço apertado, desesperado, como se ela fosse sua única âncora em meio à tempestade. “Você não devia ter vindo. É perigoso.”

“Eu não me importo com o perigo”, ela sussurrou em seu ouvido. “Eu só quero você de volta.”

Eles se separaram, os olhares fixos, a paixão e a dor dançando em seus olhos. Foi nesse momento de vulnerabilidade, de reencontro, que uma voz fria e calculista quebrou o silêncio.

“Ora, ora, o que temos aqui? Uma reunião familiar inesperada?”

Isabella e Ricardo se viraram abruptamente. Parado na entrada do armazém, com um sorriso cruel no rosto, estava Maurício Alencar. Ao seu lado, estavam dois homens corpulentos, com expressões ameaçadoras.

O sangue de Isabella gelou. A armadilha se fechou.

“Alencar!”, Ricardo rosnou, colocando-se instintivamente à frente de Isabella.

Alencar riu, um som desagradável que ecoou no espaço sombrio. “Você realmente achou que poderia fugir de mim, Ricardo? Que poderia me deixar para trás, com todos os meus segredos?” Ele olhou para Isabella com um brilho de escárnio. “E você, querida Isabella. Tão leal. Tão ingênua.”

“O que você quer, Alencar?”, perguntou Ricardo, a voz tensa.

“O que eu quero? Quero o que me pertence. Quero que você volte à linha, e que você, Isabella, esqueça tudo o que viu e ouviu.” Alencar fez um gesto para um de seus capangas. “Levem a moça. Ela não pode ser machucada. Ainda não.”

Os homens avançaram, mas Ricardo reagiu com ferocidade. Ele lutou com unhas e dentes para proteger Isabella, mas era em desvantagem numérica. Em meio à luta, Alencar se aproximou de Ricardo, um sorriso maligno em seu rosto.

“Você me deu muito trabalho, Ricardo. Mas a lealdade às vezes exige sacrifícios. E você, meu caro, vai ter que pagar por isso.”

Com um movimento rápido e inesperado, Alencar sacou uma arma. Antes que Ricardo pudesse reagir, antes que Isabella pudesse gritar, um disparo ecoou no armazém.

Isabella viu Ricardo cambalear, um grito de dor escapando de seus lábios. Ele caiu no chão, uma mancha escura se espalhando em sua camisa. O horror tomou conta de Isabella.

“Ricardo!”, ela gritou, correndo em sua direção.

Alencar olhou para ela com um sorriso satisfeito. “Isso é para você aprender a lição, meu caro. E você, Isabella, terá uma chance de reconsiderar suas escolhas. Ou então…”

Os capangas de Alencar agarraram Isabella com força, impedindo-a de chegar até Ricardo. Ela lutava, gritava, desesperada, mas era inútil. Enquanto era arrastada para fora do armazém, ela viu Ricardo no chão, seus olhos encontrando os dela em um último olhar de amor e desespero.

A facada, que ela imaginou que seria no coração de Ricardo, veio em forma de traição. Alencar não se importava com as alianças, apenas com o poder. E, em seu jogo cruel, ele havia usado a própria esperança de Isabella contra ela, atraindo-a para uma armadilha fatal, onde o amor se transformou em dor e a busca pela verdade resultou em uma tragédia.

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