Apaixonada pelo Chefe

Apaixonada pelo Chefe

por Ana Clara Ferreira

Apaixonada pelo Chefe

Capítulo 16 — O Beijo Roubado na Chuva

O vento chicoteava os cabelos de Clara, molhando seu rosto com a chuva fina que insistia em cair naquela noite de sexta-feira. A cidade, lá embaixo, parecia um mar de luzes borradas, refletindo o caos que ela sentia em seu peito. Havia deixado o escritório mais tarde do que o usual, a mente ainda girando em torno da reunião tensa com os investidores e, inevitavelmente, em torno de Daniel. Ele estava diferente. Mais distante, mais… sombrio. A faísca que ela via em seus olhos nas últimas semanas parecia ter se apagado, substituída por uma névoa de preocupação que nem mesmo seu sorriso habitual conseguia dissipar.

Ela apertou o casaco contra o corpo, o frio penetrando em seus ossos. Aquele clima parecia um reflexo perfeito de seu estado de espírito. A promoção para gerente de projetos, que deveria ser um motivo de pura alegria, trazia consigo um peso inesperado. A responsabilidade era imensa, os desafios, assustadores. E, para piorar, a proximidade com Daniel, que antes era um bálsamo para sua alma, agora se tornara uma fonte de angústia. Cada olhar prolongado, cada toque acidental, cada palavra dita em um tom mais baixo e íntimo, a deixava em um estado de euforia e apreensão.

Subiu os degraus da escadaria de incêndio do prédio de seu apartamento, o som dos seus passos ecoando no metal molhado. Abriu a porta com a chave, o cheiro familiar de seu lar a acolhendo. Jogou a bolsa no sofá, o couro ainda úmido da chuva, e se dirigiu à cozinha. Precisava de um chá forte, algo que a ajudasse a relaxar e a colocar os pensamentos em ordem.

Enquanto a água esquentava, ela se encostou na bancada, fechando os olhos. A imagem de Daniel voltou com força. Aquele momento na sala de reuniões, quando ele a olhou de um jeito que a fez sentir como se o mundo parasse. Não era apenas admiração profissional. Havia algo mais profundo ali, algo que a fazia tremer. Ela se perguntava se ele sentia o mesmo, se aquela atração mútua que pairava no ar era apenas uma fantasia em sua cabeça.

O som do celular quebrando o silêncio a assustou. Era Daniel. Seu coração disparou. "Alô?", respondeu, a voz um pouco trêmula.

"Clara? Sou eu." A voz dele soou mais grave do que o normal, carregada de uma urgência que a deixou ainda mais apreensiva. "Você já chegou em casa?"

"Sim, acabei de chegar. O que aconteceu?"

"Nada. Quer dizer, nada de ruim. Só… pensei em você. A chuva lá fora está forte, né?"

"Está sim. Me pegou desprevenida."

Um silêncio se instalou, carregado de expectativas não ditas. Clara podia quase sentir a respiração dele do outro lado da linha.

"Clara", ele disse, a voz baixa. "Você sabe que eu… que eu me importo com você, não é?"

O estômago dela se retorceu. Era isso. A pergunta que ela tanto esperava e temia. "Eu sei, Daniel. E eu também me importo com você."

"Mais do que como colega de trabalho?", ele perguntou, a voz quase um sussurro.

O chá fervia na chaleira, mas Clara não se moveu. O mundo ao seu redor desapareceu. Só existiam ela, Daniel e a linha tênue que os separava. "Sim, Daniel. Muito mais."

Houve uma pausa. Clara prendeu a respiração. Poderia ser um erro? Poderia estar interpretando tudo errado?

"Eu… eu preciso te ver", ele disse, a voz embargada. "Agora."

"Daniel, já está tarde, está chovendo…"

"Eu não me importo. Estou descendo aí. Me espere na porta." E ele desligou.

Clara ficou ali, paralisada. O que estava acontecendo? Correu para a janela, olhando para a rua. A chuva caía mais forte agora, transformando o asfalto em um espelho negro. E então ela o viu. Daniel, com o colarinho do paletó levantado, correndo em sua direção, sem se importar em se molhar. Ele parecia um homem desesperado, movido por uma força incontrolável.

Ela não pensou. Desceu correndo, as escadas de metal parecendo derreter sob seus pés. Abriu a porta principal do prédio e se lançou para fora, para a chuva gelada. Daniel estava a poucos metros dela, o rosto banhado pelas gotas d’água, os olhos fixos nos dela.

Quando ele chegou perto, não disse nada. Apenas a puxou para si com uma força que a fez tropeçar. Seus lábios se encontraram em um beijo desesperado, molhado, intenso. Clara sentiu o gosto da chuva misturado ao dele, um sabor selvagem e inebriante. Era um beijo que falava de desejo reprimido, de anseio contido, de uma paixão que finalmente encontrava vazão.

As mãos de Daniel deslizaram para sua cintura, apertando-a contra o corpo dele. Clara envolveu os braços em seu pescoço, aprofundando o beijo, sentindo o calor de seu corpo em contraste com o frio da chuva. O mundo ao redor se desfez em uma sinfonia de pingos d’água e batidas de coração aceleradas. Era errado, era perigoso, era tudo o que ela deveria evitar. Mas naquele momento, sob a chuva torrencial, nada mais importava. Só existia a urgência daquele toque, a eletricidade que percorria seus corpos, a certeza avassaladora de que, naquele beijo, ela havia se perdido completamente.

Ele afastou o rosto, a respiração ofegante, os olhos brilhando na escuridão. "Clara", ele sussurrou, a voz rouca. "Eu não aguentava mais."

Ela apenas o olhou, sem palavras, o coração martelando em seu peito. A chuva continuava a cair, lavando o mundo, mas não conseguindo apagar a marca daquele beijo. Era o início de algo novo, algo perigoso, algo que prometia ser tão devastador quanto apaixonante.

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