Apaixonada pelo Chefe

Capítulo 17 — As Sombras do Passado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 17 — As Sombras do Passado

O beijo na chuva foi um ponto de virada. Clara acordou no dia seguinte com a pele arrepiada, a lembrança vívida do toque de Daniel percorrendo cada centímetro de seu corpo. A culpa a assaltou, misturada a uma euforia incontrolável. Ela havia cruzado uma linha, uma linha que prometia trazer tanto prazer quanto dor.

O domingo passou em um borrão. Ela tentou se concentrar em si mesma, em seus pensamentos, mas a imagem de Daniel estava sempre presente. Lembrava-se de seus olhos, da força em seus braços, do desespero contido em sua voz. Seria ele apenas um impulso? Ou algo mais profundo? A incerteza a atormentava.

Na segunda-feira, a atmosfera no escritório estava carregada. Clara sentia os olhares de seus colegas, mas tentava ignorá-los. Precisava manter a compostura, a profissionalismo. Mas cada vez que Daniel passava por sua mesa, seus olhos se encontravam, e um arrepio percorria sua espinha. Ele parecia mais distante do que nunca, concentrado em seus papéis, em suas reuniões. Aquele beijo parecia ter sido apenas um momento efêmero, um delírio causado pela chuva.

A tensão aumentava a cada dia. Clara se sentia dividida entre a atração avassaladora por Daniel e o medo das consequências. Ela sabia que um relacionamento entre eles seria complicado, que poderia afetar suas carreiras, suas vidas. Mas a cada dia que passava, a necessidade de estar perto dele crescia, tornando a distância insuportável.

Na quinta-feira, Daniel a chamou em sua sala. Clara entrou, o coração batendo descompassado. Ele estava em pé, de frente para a janela, olhando a paisagem urbana. Parecia pensativo, a testa franzida em preocupação.

"Clara", ele disse, sem se virar. "Precisamos conversar."

Ela se aproximou, a voz um fio. "Sobre o quê, Daniel?"

Ele se virou, o olhar intenso, mas melancólico. "Sobre o que aconteceu na sexta-feira."

Um nó se formou na garganta de Clara. "Eu sei. Eu… eu não sei o que dizer."

Daniel suspirou, um som carregado de cansaço. "Nem eu. Clara, você é uma mulher incrível. Inteligente, dedicada, linda. E eu… eu não deveria ter feito aquilo."

As palavras dele a atingiram como um soco. Era isso. Ele se arrependia. "Você não se arrepende?", ela perguntou, a voz embargada.

Ele hesitou. "Eu me arrependo de ter sido impulsivo. De ter colocado você em uma situação delicada. Mas não me arrependo de ter te beijado." Ele deu um passo em sua direção, a voz baixa e rouca. "O que eu sinto por você, Clara, é algo que eu não consigo mais ignorar. Mas a nossa situação é… complicada."

"Complicada como?", ela perguntou, sentindo uma pontada de esperança misturada ao medo.

Daniel se afastou, andando pela sala. "Você sabe. Eu sou seu chefe. E há… outras coisas."

"Outras coisas?", Clara insistiu. A curiosidade a consumia. Ela sabia que Daniel era um homem reservado, que não falava muito sobre sua vida pessoal. Mas agora, era crucial entender o que o impedia de se entregar a eles.

"Minha ex-esposa", ele disse, a voz tensa. "Lúcia. Ela não está bem. Está passando por um momento difícil. E eu… eu me sinto responsável por isso."

Clara o olhou, chocada. Ela não fazia ideia de que ele era casado, ou divorciado. O passado de Daniel era um livro fechado para ela. "Você é casado?"

"Não mais. Divorciado. Mas a Lúcia… ela tem lidado com problemas de saúde mental. E, por mais que eu tenha seguido em frente, sinto que ainda tenho um dever para com ela. Não posso simplesmente virar as costas."

A revelação o atingiu. Aquele Daniel sombrio, preocupado, que ela havia notado nas últimas semanas, agora fazia sentido. Ele estava dividido entre a nova paixão que sentia por Clara e a responsabilidade que sentia pelo passado.

"Daniel, eu não sabia", ela disse, a voz suave. "Você não tem que se sentir culpado. Você merece ser feliz."

"E você também, Clara. E o que está acontecendo entre nós… é real. Eu sei que é. Mas eu não posso te dar o que você merece agora. Não enquanto a Lúcia estiver nesse estado." Ele suspirou novamente, o peso do mundo em seus ombros. "Eu preciso resolver isso. Preciso ter certeza de que ela está segura, que está se recuperando. E só depois… só depois eu posso pensar em nós."

As palavras dele a deixaram em um turbilhão de emoções. Havia alívio por saber que os sentimentos dele eram reais, mas também tristeza pela incerteza do futuro. Ela se aproximou dele, tocando seu braço.

"Daniel, eu entendo", ela disse, a voz firme. "Mas você não precisa passar por isso sozinho. Se precisar de alguém para conversar, para desabafar… eu estarei aqui."

Ele olhou para ela, os olhos marejados. A fragilidade que ele escondia era palpável. E, naquele momento, Clara sentiu uma compaixão ainda maior por ele. Ela o queria, queria o amor dele, mas também o desejava feliz, em paz.

"Clara", ele disse, a voz embargada. "Você é a mulher mais compreensiva que eu já conheci."

Ele a puxou para um abraço, e Clara o retribuiu, sentindo o corpo dele tremer. Aquele abraço não era de desejo, mas de conforto, de cumplicidade. Era um abraço que falava de esperança, de um futuro incerto, mas não impossível.

Enquanto ele a abraçava, Clara sentiu um calafrio. A sombra do passado de Daniel pairava sobre eles, uma ameaça silenciosa que poderia destruir tudo o que eles estavam começando a construir. Mas, naquele momento, ela decidiu que não desistiria. Ela o amava, e lutaria por eles, por mais difícil que fosse.

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