Apaixonada pelo Chefe

Capítulo 23 — O Jogo de Mariana

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 23 — O Jogo de Mariana

O sol da manhã no Rio de Janeiro banhava a cidade em um dourado vibrante, mas para Isabella, o dia amanhecera nublado, carregado de uma apreensão fria. A mensagem de Mariana, recebida na noite anterior, pairava em sua mente como uma nuvem negra, ameaçando dissipar qualquer resquício de paz que ela tivesse conseguido encontrar. A ideia de um encontro com a ex-noiva de Ricardo era perturbadora, um convite para o olho do furacão que ela tanto tentava evitar.

Ela estava no apartamento de Ricardo, sentada à mesa da cozinha, um café intocado à sua frente. Ricardo entrou na cozinha, o sorriso nos lábios se desfez ao perceber a expressão tensa dela. Ele se aproximou, os olhos buscando os dela com uma preocupação genuína.

"O que foi, meu amor? Você parece distante hoje." Ele acariciou o rosto dela, mas Isabella se afastou levemente, um reflexo involuntário que não passou despercebido por ele.

"Ricardo... eu recebi uma mensagem." Ela hesitou, reunindo coragem para proferir as palavras. "Da Mariana."

O semblante de Ricardo endureceu instantaneamente. Seus olhos se estreitaram, e a tensão em sua postura era palpável. "O que ela disse?"

"Ela quer se encontrar comigo. Amanhã. No café. Ela disse que tem algo importante para me contar sobre você." A voz de Isabella era um fio, carregada de angústia. Ela temia a reação dele, mas também precisava compartilhar essa nova ameaça.

Ricardo deu um passo para trás, a raiva começando a borbulhar em seus olhos. "Isso é inaceitável. Ela não pode continuar se intrometendo nas nossas vidas."

"Eu sei, mas... eu acho que preciso ir, Ricardo." A decisão saiu antes mesmo que ela pudesse pensar. Havia algo na mensagem de Mariana que a intrigava, uma nota de urgência que não podia ser ignorada.

"O quê? Isabella, você não pode ir!" Ricardo exclamou, a voz carregada de incredulidade e preocupação. "Você não vai cair nos jogos dela."

"Não são jogos, Ricardo. É uma chance. Uma chance de talvez entender o que está acontecendo. De colocar as cartas na mesa. Se ela tem algo a dizer, é melhor que eu ouça diretamente dela, do que ficar imaginando." Isabella se levantou, a determinação começando a tomar o lugar do medo. Ela não queria mais ser uma marionete nas mãos do passado dele.

"Mas o que ela poderia ter a dizer que seja mais importante do que o que eu já te disse?" Ricardo perguntou, a frustração evidente em sua voz. "Ela está tentando te manipular, Isabella. Ela sabe que você está vulnerável e está usando isso contra nós."

"Talvez. Ou talvez ela esteja querendo se redimir. Ou talvez... não sei, Ricardo. Mas eu preciso saber. Eu preciso ter certeza." Isabella o encarou, a determinação em seus olhos era inabalável. "Eu te amo, e por isso eu preciso ter essa certeza. Não quero que nada fique no ar, que nada fique escondido entre nós."

Ricardo a observou por um longo momento, a batalha interna visível em seu rosto. Ele a amava o suficiente para respeitar sua decisão, mesmo que ela o aterrorizasse. "Tudo bem", ele disse, a voz carregada de resignação. "Mas você não vai sozinha."

"Eu não quero que você vá, Ricardo. Isso seria dar a ela o poder de nos separar. Eu preciso resolver isso sozinha."

"Não, Isabella. Você não vai sozinha. Eu vou com você. Estarei lá, observando. Se ela tentar alguma coisa, eu estarei lá para te proteger." A decisão dele era firme. Ele não permitiria que Isabella ficasse exposta aos jogos de Mariana.

O encontro no café foi tenso. Aquele lugar, que antes representara um refúgio e momentos de cumplicidade para Isabella, agora era um palco para um confronto inevitável. Mariana já estava sentada a uma mesa no canto, o olhar fixo na porta. Sua beleza, antes percebida por Isabella como melancólica e frágil, agora parecia fria e calculista.

Isabella se aproximou, seguida de perto por Ricardo. Mariana se levantou, um sorriso tênue em seus lábios que não alcançava seus olhos.

"Isabella. Que bom que você veio", disse Mariana, a voz suave, mas com um tom de superioridade sutil. "Ricardo. Não esperava te ver aqui."

"Eu não confio em você, Mariana", Ricardo disse, a voz firme e sem rodeios. "E não vou deixar que você machuque a Isabella."

Mariana riu, um som seco e sem alegria. "Eu não quero machucar ninguém. Eu só quero ser honesta. Algo que você, Ricardo, nunca soube fazer muito bem." Ela dirigiu seu olhar para Isabella. "Ele te disse tudo? Sobre nós? Sobre o que aconteceu no dia em que terminamos?"

Isabella sentiu um nó na garganta. "Ele me disse que vocês terminaram. Que foi difícil."

"Difícil é pouco", Mariana retrucou, o tom mais afiado. "Ele me deixou. Ele me abandonou. E ele te contou a versão dele, tenho certeza. Mas a verdade é que ele estava fugindo. Fugindo de responsabilidades. Fugindo do amor."

Ricardo deu um passo à frente. "Cuidado com o que você diz, Mariana."

"Eu vou dizer a verdade, Ricardo", ela disse, ignorando-o. "Eu estava grávida. Quando você me deixou, eu estava grávida do seu filho."

As palavras atingiram Isabella como um raio. Ela olhou para Ricardo, o choque estampado em seu rosto. A incredulidade se misturava com a dor. Ele não havia mencionado nada sobre isso. Nada.

Ricardo ficou pálido. "Isso é mentira, Mariana. Você sabe que é mentira."

"É a mais pura verdade, Ricardo", ela disse, com uma firmeza que parecia genuína. "Eu não contei para você na época porque você já estava com a cabeça em outro lugar. E eu não queria ser um fardo. Mas agora... agora eu vejo você com ela, e sinto que você merece saber a verdade. A verdade sobre a sua falha como homem. E a verdade sobre o meu sofrimento."

Isabella se sentiu tonta. A revelação era devastadora. Se fosse verdade, isso explicaria muitas coisas. A hesitação de Ricardo, a complexidade do passado. Mas por que ele nunca contou? Por que ela nunca soube?

"Você está mentindo", Ricardo repetiu, a voz trêmula. "Você sempre inventou coisas."

"Eu inventei o quê? A gravidez? O fato de eu ter perdido o bebê logo depois porque o estresse e a solidão me consumiram? Eu guardei essa dor por anos, Ricardo. Por anos eu sofri em silêncio, enquanto você seguia sua vida, talvez encontrando o amor verdadeiro em outra pessoa." Mariana olhou para Isabella, um brilho de lágrimas nos olhos. "E agora você está com ela. E eu... eu sou apenas a sombra do seu passado, a mulher que você abandonou com o seu pior segredo."

Isabella se sentiu sufocada. A revelação de Mariana era um golpe brutal. Ela olhou para Ricardo, buscando alguma explicação, alguma confirmação. Mas ele estava em choque, a mente claramente tentando processar a avalanche de informações.

"Ricardo?", ela sussurrou, a voz embargada. "É verdade?"

Ricardo a olhou, os olhos cheios de dor e confusão. Ele parecia dilacerado. "Isabella, eu..."

"Eu preciso ir", Isabella disse, levantando-se abruptamente. A mesa parecia girar. A realidade se distorceu. A confiança que ela estava começando a depositar em Ricardo parecia ruir diante de seus olhos. A sombra de Mariana não era apenas uma ex-noiva, mas uma mulher que guardava um segredo doloroso ligado a ele.

Ela saiu do café sem olhar para trás, deixando Ricardo e Mariana em um silêncio carregado de acusações e mágoas. A brisa do Rio, que antes parecia um sopro de esperança, agora era um vento gelado que açoitava sua alma. O jogo de Mariana havia começado com força total, e Isabella se sentia presa em um tabuleiro onde as regras eram cruéis e as peças, corações partidos. A dúvida, que ela tanto temia, agora se materializava em uma verdade dolorosa e inesperada.

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