Apaixonada pelo Chefe

Capítulo 24 — A Verdade em Pedaços

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 24 — A Verdade em Pedaços

O ar da manhã no Rio de Janeiro, que antes trazia consigo a promessa de um novo dia, agora parecia pesado, carregado pela incerteza que pairava sobre Isabella. A revelação de Mariana no café ecoava em sua mente como um trovão distante, cada palavra um fragmento de verdade dolorosa que ameaçava estilhaçar o amor que ela construía com Ricardo. Ela estava em seu apartamento, sentada na beira da cama, a cabeça entre as mãos, a mente um turbilhão de perguntas sem resposta.

Ricardo havia tentado ligar, mandar mensagens, mas Isabella não conseguia atender. Ela precisava de espaço. Precisava de tempo para processar tudo. A imagem de Mariana, a dor em seus olhos, a acusação velada em suas palavras, tudo se misturava com a imagem de Ricardo, o homem por quem ela se apaixonara, agora envolto em um mistério que ela não entendia. A gravidez que Mariana alegara, a perda do bebê, a dor silenciosa por anos... tudo isso era demais para absorver de uma vez.

Finalmente, o celular tocou novamente. Era Ricardo. Ela hesitou, mas atendeu, a voz embargada pela emoção.

"Isabella, por favor, me escuta", a voz dele soou, carregada de desespero e angústia. "Eu sei que você está chateada. Eu sei que você deve estar confusa. Mas eu juro, Isabella, eu juro que não é o que parece."

"Então o que é, Ricardo?", Isabella perguntou, a voz embargada. "Por que ela estava grávida de você? E por que você nunca me contou nada? Eu pensei que você fosse honesto comigo."

"Eu sou honesto, Isabella. E eu te amo. Mas a situação com Mariana foi... complicada. Muito complicada." Ricardo suspirou profundamente. "Quando eu a conheci, eu era muito jovem. E ela era... avassaladora. Nós tivemos um relacionamento intenso, mas tumultuado. Eu me afastei dela porque percebi que não era um amor saudável. E quando ela me disse sobre a gravidez, eu fiquei apavorado. Eu era um garoto, não estava pronto para ser pai. E ela... ela sempre foi manipuladora. Eu não sabia se ela estava falando a verdade. E as pessoas ao meu redor, incluindo minha mãe, me aconselharam a me afastar, a não me envolver. Disseram que ela estava mentindo para me prender."

As palavras dele eram sinceras, mas a dúvida ainda persistia. A dor no olhar de Mariana parecia tão real.

"E o bebê, Ricardo? O que aconteceu com o bebê?" Isabella perguntou, a voz ainda trêmula.

"Eu nunca soube. Ela disse que perdeu. Mas... eu não tenho certeza se ela estava falando a verdade. Ela sempre teve um jeito de distorcer as coisas para se beneficiar. E eu... eu fui um covarde. Eu me afastei. Eu não enfrentei a situação. Eu fugi. E eu me arrependo disso todos os dias, Isabella. Eu me arrependo de não ter sido um homem melhor naquela época." As lágrimas de Ricardo podiam ser sentidas através do telefone.

"Mas por que agora, Ricardo? Por que ela resolveu contar tudo isso agora?"

"Eu não sei. Talvez ela esteja se sentindo solitária. Talvez ela esteja querendo algo de mim. Talvez ela esteja querendo te afastar de mim. Eu não sei as intenções dela, Isabella. Mas eu sei que o que eu sinto por você é a coisa mais real que já me aconteceu."

Ele fez uma pausa, a voz embargada. "Eu te amo, Isabella. E eu não quero te perder. Por favor, me dê uma chance de explicar tudo. De te mostrar a verdade. A verdade sobre mim. E sobre nós."

Isabella ficou em silêncio por um momento, o coração apertado. As palavras dele ressoavam com uma verdade que ela não podia negar. A covardia do passado, a confusão, a manipulação... tudo parecia se encaixar em um quadro doloroso. Ela amava Ricardo. Amava-o com toda a força de sua alma. E ela acreditava nele. Acreditava na sinceridade de sua voz, na dor em seu coração.

"Eu... eu preciso de tempo, Ricardo", ela finalmente disse, a voz ainda fraca. "Preciso pensar. Preciso entender."

"Eu entendo", ele respondeu, a voz resignada, mas com um fio de esperança. "Eu estarei aqui quando você estiver pronta. E eu te amo."

Desligaram. Isabella se sentou em silêncio, o peso da revelação ainda a sufocando. Ela não duvidava do amor de Ricardo, mas a sombra de Mariana, e o segredo que ela carregava, ainda lançava uma dúvida sombria sobre o futuro deles. Ela precisava de respostas. Precisava de clareza.

Mais tarde naquele dia, Isabella decidiu ir até o apartamento de Ricardo. Ela precisava vê-lo, ouvir a verdade diretamente de sua boca, sem a interferência de Mariana. Quando ela chegou, Ricardo a recebeu com um abraço apertado, como se ela fosse a única coisa que o mantinha são.

"Obrigado por vir", ele disse, a voz rouca.

Eles se sentaram na sala, e Ricardo começou a falar. Contou todos os detalhes de seu relacionamento com Mariana. A intensidade avassaladora, a juventude impulsiva, o medo paralisante quando ela alegou a gravidez. Ele admitiu sua covardia em se afastar, a culpa que o consumiu por anos. Ele descreveu como tentou superar aquilo, como lutou para não ser definido pelo seu passado.

"Eu nunca contei para você antes, Isabella, porque eu tinha medo. Medo de que você me deixasse. Medo de que você me visse como um monstro. Mas eu não sou. Eu sou um homem que cometeu erros. Erros graves. E eu estou disposto a assumir a responsabilidade por eles." Ele a segurou firmemente pelas mãos. "Eu não amei Mariana. Eu me senti preso, assustado. O que eu sinto por você é completamente diferente. É calmo, é forte, é verdadeiro. E é por isso que eu não posso te perder."

Isabella o ouviu atentamente, cada palavra caindo como pedras em seu coração. Ela viu a dor, o arrependimento, a sinceridade em seus olhos. A versão de Ricardo era coerente, e ela podia sentir a verdade em sua voz.

"E se ela estava mesmo grávida, Ricardo?", ela perguntou, a voz ainda carregada de incerteza.

Ricardo apertou os olhos. "Eu não sei, Isabella. Eu realmente não sei. E a verdade é que, naquele momento, não importava mais. Porque eu já não a amava. E eu estava fugindo. Eu não quero que isso defina quem eu sou agora. E eu não quero que isso nos defina."

Ele a puxou para mais perto. "Eu te amo, Isabella. E eu quero construir um futuro com você. Um futuro onde não haja segredos. Onde haja confiança e amor. E eu estou disposto a lutar por isso. Com todas as minhas forças."

Isabella olhou para ele, o amor que sentia por ele lutando contra a sombra do passado que ainda pairava. A verdade, ela percebeu, era um mosaico complexo, feito de pedaços de dor, de erros, de arrependimentos e de um amor que, apesar de tudo, parecia forte o suficiente para resistir.

"Eu acredito em você, Ricardo", ela finalmente disse, a voz suave, mas firme. "Eu acredito no seu amor. Mas nós precisamos ter certeza. Precisamos ter certeza de que não há mais nada. De que essa história está realmente encerrada."

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Ricardo. "Eu prometo. E se for preciso, eu vou atrás da verdade. Eu vou descobrir o que aconteceu. Mas o mais importante é que o nosso futuro é o que importa agora."

Ele a beijou, um beijo que era ao mesmo tempo um pedido de desculpas, uma promessa e uma declaração de amor. Isabella retribuiu o beijo, sentindo a esperança renascer em seu peito. A verdade havia sido dolorosa, mas ela havia sido revelada. E agora, cabia a eles construir um novo capítulo, um capítulo onde a confiança prevalecesse e o amor fosse o único protagonista. As cicatrizes do coração ainda existiam, mas com o amor de Ricardo, Isabella sentia que elas poderiam se tornar lembranças de uma batalha vencida, e não feridas abertas.

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