A Noiva do Bilionário II

Capítulo 2 — Sombras do Passado, Ecos do Presente

por Valentina Oliveira

Capítulo 2 — Sombras do Passado, Ecos do Presente

O sol da manhã filtrava-se pelas pesadas cortinas de seda do quarto de Dona Celeste, pintando listras douradas sobre o tapete persa. Helena observava sua mãe dormir, a respiração ainda frágil, mas com um leve rubor nas bochechas que não via há meses. Aquele pequeno sinal de vida era um bálsamo para sua alma, um lembrete de que a luta valia a pena.

Dona Clarice entrou silenciosamente, trazendo uma bandeja com café fresco e torradas. "Bom dia, minha querida. Dormiu bem?"

"O melhor possível, Dona Clarice", Helena respondeu, afastando-se da cama com cuidado para não acordar a mãe. "É um alívio vê-la um pouco melhor."

"Deus é grande, Helena. E a sua volta fez toda a diferença. A senhora está mais animada, mais serena. A presença de um filho é um remédio que nenhum médico pode prescrever."

Helena sorriu, agradecida pelo carinho da governanta. "Eu preciso resolver algumas coisas na cidade, Dona Clarice. Preciso visitar o advogado da família e ver como andam as finanças da empresa. Papai sempre foi muito reservado sobre esses assuntos."

Dona Clarice assentiu, a testa franzida em uma leve preocupação. "O Dr. Matias ainda atende o Dr. Fernando. Ele deve ter tudo organizado. Mas cuidado, Helena. A cidade mudou. E as pessoas também."

A advertência de Dona Clarice pairou no ar como uma nuvem escura. Helena sabia que a cidade onde crescera, a cidade que ela amara e de onde fugira, agora abrigava um Ricardo Montenegro ainda mais poderoso e influente. O homem que ela um dia amou com toda a sua alma, e que a decepcionara de forma avassaladora, era agora o magnata que ditava as regras em muitos setores da economia local e nacional. A notícia de sua ascensão era onipresente, estampada em capas de revistas e em manchetes de jornais.

Após se despedir de sua mãe, Helena vestiu um tailleur discreto e dirigiu seu carro alugado pela cidade. As ruas familiares a recebiam com uma mistura de nostalgia e estranhamento. Lojas que antes eram pequenas boutiques agora eram vitrines luxuosas de grifes internacionais. Novos prédios imponentes, com o selo da Montenegro Corp., pontuavam a paisagem, desafiando o céu com sua grandiosidade.

O escritório do Dr. Matias era um dos poucos redutos do passado que pareciam intocados. A mobília escura, a estante abarrotada de livros jurídicos e o cheiro de couro e papel velho eram um refúgio familiar. Dr. Matias, um homem de cabelos brancos e olhar perspicaz, a recebeu com a cordialidade de sempre.

"Helena! Que grata surpresa vê-la de volta. Sinto muito pelas circunstâncias, mas é sempre um prazer. Sua mãe está cada vez mais forte, me disseram."

"Um dia de cada vez, Dr. Matias", Helena respondeu, sentando-se na cadeira à frente dele. "Vim para tratar dos assuntos da família, e também da empresa. Papai deixou tudo bem organizado?"

"Seu pai era um homem metódico, minha cara. Ele previu tudo. Os negócios estão sólidos, e sua posição como herdeira principal está assegurada. Mas, com a saúde de sua mãe em declínio, ele também providenciou uma estrutura para que você pudesse se dedicar a ela sem descuidar dos seus deveres." Ele abriu uma pasta e começou a explicar os detalhes.

Enquanto ouvia atentamente, Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O nome da Montenegro Corp. surgiu em uma das cláusulas. Uma parceria estratégica que seu pai havia fechado com a empresa de Ricardo, pouco antes de sua saúde declinar. A notícia a atingiu como um soco no estômago. Não havia como fugir dele.

"Ricardo Montenegro...", ela murmurou, o nome soando amargo em sua boca.

Dr. Matias suspirou, percebendo a tensão em sua voz. "Sim, Helena. Seu pai e Ricardo Montenegro sempre tiveram uma relação profissional complexa, mas respeitosa. Ele acreditava que essa parceria seria benéfica para ambas as empresas, especialmente neste momento em que você está focada em sua mãe."

"Ele não me consultou?", a voz de Helena era tensa.

"Seu pai agiu com sua habitual discrição. Ele sabia que você poderia ter reservas, mas confiou que, com o tempo, você entenderia a estratégia. Ricardo Montenegro é um negociador implacável, mas é um homem de palavra quando o assunto é negócios."

Helena fechou os olhos por um instante, tentando controlar a avalanche de sentimentos. A raiva, a mágoa, a decepção. Ela se lembrava de como Ricardo a tratara, de como suas promessas se revelaram vazias. E agora, sua vida profissional estava atrelada à dele.

"Eu preciso vê-lo", ela disse, a decisão estampada em seu rosto. "Preciso entender essa parceria. E preciso colocar meus limites."

"Tenha cuidado, Helena", Dr. Matias a advertiu. "Ricardo Montenegro não é o mesmo homem que você conheceu. Ele é ainda mais poderoso, e, dizem, ainda mais implacável. Ele construiu seu império sobre a inteligência, a audácia e, por vezes, sobre a frieza. Tenha a certeza de que você está pronta para enfrentá-lo."

"Eu não tenho escolha, Dr. Matias", ela respondeu, a voz firme, apesar do turbilhão interno. "Não posso deixar que os negócios me afastem da minha mãe. E não posso deixar que a sombra de Ricardo Montenegro domine a minha vida novamente."

Ao sair do escritório, o sol da tarde parecia mais forte, quase agressivo. A cidade, antes um lembrete de sua infância e juventude, agora se tornara um campo de batalha. A Montenegro Corp. pairava sobre ela como uma ameaça constante.

Naquela noite, enquanto cuidava de sua mãe, Helena relembrou os dias em que tudo parecia mais simples. Os bailes de verão na mansão, as conversas ao pé da piscina, os olhares furtivos de Ricardo. Ela se lembrava da paixão avassaladora que os consumiu, da promessa de um amor eterno que ele sussurrara em seus ouvidos. E se lembrava, com dor lancinante, da traição que descobriu, da humilhação que a levou a fugir para Londres, para longe de tudo e de todos que a machucavam.

A traição. A palavra ecoava em sua mente. A descoberta de que Ricardo, o homem que ela amava, a estava usando. Que o casamento era apenas um degrau em sua escalada para o poder, e que ela, Helena, era apenas um peão em seu jogo. A dor ainda estava ali, latente, mas sob ela, uma força de vontade se forjava.

No dia seguinte, Helena marcou um encontro na sede da Montenegro Corp. A recepção era monumental, um reflexo do poder de Ricardo. O mármore polido, o vidro reluzente, a multidão de executivos apressados criavam uma atmosfera de poder e ambição.

Ela foi conduzida até a sala de reuniões executiva. Era um espaço imponente, com uma vista panorâmica da cidade. E ali, de pé, de costas para a porta, estava ele. Ricardo Montenegro.

O tempo não o havia amansado. Ao contrário, parecia tê-lo esculpido em uma versão ainda mais imponente e perigosa. Os cabelos escuros estavam ligeiramente mais curtos, a barba por fazer dava um ar de virilidade ainda maior. O terno impeccável realçava a linha forte de seus ombros. Ele se virou, e seus olhos azuis, antes cheios de paixão e admiração por ela, agora eram frios e calculistas.

"Helena", ele disse, a voz grave, desprovida de qualquer emoção. "Imaginei que viria."

Helena sentiu um tremor percorrer seu corpo, mas manteve a compostura. A antiga paixão ainda pulsava, um fantasma doloroso, mas a mágoa era mais forte.

"Ricardo", ela respondeu, a voz firme. "Precisamos conversar sobre essa parceria."

Ele deu um sorriso sutil, um brilho perigoso em seus olhos. "Achei que você teria mais a dizer sobre o meu retorno. Afinal, você não parece muito feliz em me ver."

"Você sabe que não", Helena retrucou, sem rodeios. "Não esperava que você se tornasse o principal parceiro dos negócios da minha família. E muito menos, que meu pai fizesse isso sem me consultar."

Ricardo caminhou lentamente em sua direção, os passos firmes e calculados. "Seu pai confiou em mim, Helena. Assim como eu confiei nele. E agora, confio em você. Precisamos trabalhar juntos. O mercado não espera. E a Montenegro Corp. não espera."

Ele parou a poucos centímetros dela, a intensidade de seu olhar a fazendo sentir como se estivesse em um campo de força. "Eu sei que você fugiu, Helena. Eu sei que você me odeia. Mas isso não muda o fato de que somos donos de uma parte significativa dos negócios um do outro agora. E eu não gosto de perder."

A frase final pairou no ar, carregada de uma ameaça velada. Helena sentiu um misto de medo e determinação. As sombras do passado haviam retornado com força total, e ela sabia que sua luta em prol de sua mãe e de sua família estava apenas começando. Ela teria que enfrentar Ricardo Montenegro, o homem que a amou e a destruiu, e provar que, mesmo após anos de exílio, a noiva do bilionário ainda tinha força para lutar por aquilo que era seu.

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