Meu Chefe, Meu Amor

Capítulo 12 — A Fuga para o Refúgio e o Peso das Consequências

por Isabela Santos

Capítulo 12 — A Fuga para o Refúgio e o Peso das Consequências

O corredor parecia se esticar infinitamente enquanto Sofia caminhava a passos largos, o som dos seus saltos ecoando alto e solitário no silêncio da empresa. A adrenalina do beijo roubado ainda corria em suas veias, misturada a um medo avassalador e a uma excitação proibida. Ela precisava sair dali, precisava de um refúgio, de um lugar onde pudesse respirar sem sentir o olhar de Leonardo sobre ela, sem a constante lembrança de seus lábios nos dela.

Seu destino era a pequena cafeteria no térreo, um lugar onde ela costumava ir para se recompor em momentos de estresse. A atmosfera acolhedora, o cheiro doce de café e pão fresco, e a presença discreta de estranhos sempre a tranquilizavam. Ela entrou, o sino da porta anunciando sua chegada, e dirigiu-se instintivamente para a mesa mais afastada, perto da janela.

Sentada ali, observando o movimento da rua, Sofia tentava, em vão, organizar os pensamentos. O beijo. Aquele beijo inesperado e avassalador com Leonardo. Como isso pôde acontecer? Ela, a profissional exemplar, a mulher que sempre manteve uma distância calculada de seu chefe, havia se entregado à paixão naquele momento de vulnerabilidade mútua.

A culpa a corroía. Havia cruzado uma linha, uma linha que ela jurou jamais ultrapassar. O relacionamento profissional que ela cultivou com tanto esmero, a imagem de competência e seriedade que construiu ao longo dos anos, tudo aquilo parecia ter sido abalado por um único instante de desejo. E o que Leonardo pensava agora? Ele se arrependia? Provavelmente. A declaração dele "Isso não pode acontecer, Sofia" ainda ecoava em sua mente, uma sentença fria que contrastava brutalmente com a suavidade de seus lábios.

Uma lágrima solitária rolou por sua bochecha. Ela a enxugou rapidamente, disfarçando o gesto como se estivesse ajeitando o cabelo. Não podia se dar ao luxo de desmoronar ali, em público. Precisava ser forte. Mas a força parecia ter a abandonado, substituída por uma fragilidade dolorosa.

O barista, um jovem de sorriso gentil, aproximou-se. "Bom dia, Sofia. O de sempre?"

Ela forçou um sorriso. "Bom dia, André. Sim, por favor. Um cappuccino grande."

Enquanto esperava seu pedido, Sofia pegou o celular. Olhou para a tela, considerando ligar para sua melhor amiga, Clara. Mas o que diria a ela? "Clara, eu beijei meu chefe e agora não sei o que fazer da vida"? Clara, sempre tão prática e direta, provavelmente a repreenderia por sua imprudência. Talvez fosse melhor guardar isso para si mesma, por enquanto. Pelo menos até ter alguma clareza sobre o que estava acontecendo.

Leonardo. A imagem dele, a intensidade em seus olhos, o calor de seus braços ao redor dela, voltaram com força total. Ela sentia um misto de repulsa pela própria impulsividade e uma necessidade quase dolorosa de reviver aqueles momentos. Aquele beijo não fora apenas físico; fora uma conexão, uma comunicação silenciosa de sentimentos que ambos pareciam ter reprimido por tanto tempo.

Mas a realidade era implacável. Ela era a diretora de marketing, ele o CEO. Um relacionamento entre eles seria um escândalo, um desastre para suas carreiras e para a imagem da empresa. E havia a questão moral, a ética profissional. Ela sabia disso. Sabia que estava errada.

Seu cappuccino chegou, o vapor quente aquecendo suas mãos. Ela deu um gole, o amargor familiar do café tentando trazer um pouco de compostura. Mas a tempestade interna continuava. O peso das consequências pairava sobre ela como uma nuvem negra.

De repente, o celular tocou, vibrando em sua mão. Era uma mensagem de Leonardo. Sofia prendeu a respiração. O que ele diria?

"Sofia, podemos conversar? Em meu escritório. Agora."

O coração dela acelerou. Conversar? Agora? Sentiu um nó na garganta. A ideia de vê-lo novamente, de enfrentar os olhos dele depois do beijo, era ao mesmo tempo aterrorizante e irresistível.

Ela digitou uma resposta rápida, os dedos tremendo levemente. "Estou em uma cafeteria. Não posso ir agora."

A resposta dele veio quase imediatamente. "Sofia, por favor. É importante."

O desespero em sua mensagem a fez hesitar. Algo devia ter acontecido. Ou talvez ele quisesse apenas "resolver" a situação, colocar um ponto final definitivo. A segunda opção a machucou mais do que ela gostaria de admitir.

Respirando fundo, ela respondeu: "Estou a caminho."

Deixou o café quase intocado na mesa e saiu apressadamente, o coração batendo descompassado. Cada passo de volta para o prédio parecia um passo em direção a um precipício. O refúgio temporário havia sido invadido pela realidade, e agora ela teria que enfrentar as consequências do beijo roubado.

Ao chegar ao andar executivo, sentiu o ar ficar mais denso. Os olhares curiosos dos poucos funcionários que a viram passar não passaram despercebidos. Ela se dirigiu diretamente à porta do escritório de Leonardo, sem hesitar.

Respirou fundo mais uma vez e bateu.

"Entre," a voz dele soou, mais tensa do que o usual.

Ela abriu a porta e entrou. Leonardo estava em pé, perto da janela, de costas para ela, observando a vista da cidade. A postura dele era rígida, indicando uma profunda preocupação.

Ele se virou ao ouvi-la entrar, e o olhar que ele lhe lançou fez seu estômago revirar. Havia uma seriedade profunda em seus olhos, uma gravidade que ela não via frequentemente.

"Sofia," ele começou, a voz controlada, mas com uma carga emocional subjacente. "Eu sinto muito pelo que aconteceu na sala de reuniões."

Ela assentiu, incapaz de falar. As palavras dele a atingiram. Era um arrependimento? Ou apenas uma constatação de que haviam quebrado as regras?

"Eu fui imprudente," ele continuou, passando a mão pelo cabelo. "Não pensei nas consequências. E nós dois sabemos que um relacionamento entre nós seria... complicado."

A palavra "complicado" soou como um eufemismo para "impossível" e "destrutivo". Sofia sentiu um aperto no peito.

"Eu sei," ela respondeu, a voz baixa. "Eu também fui imprudente."

Um silêncio pesado se instalou entre eles. Leonardo caminhou até a mesa, sentando-se. O semblante dele era de quem carrega um fardo pesado.

"Precisamos colocar um ponto final nisso," ele disse, olhando diretamente para ela. "Precisamos voltar ao profissionalismo. Para o bem de ambos, e para o bem da empresa."

As palavras dele eram duras, diretas, mas necessárias. Sofia sentiu uma pontada de decepção, misturada com um alívio estranho. Era o fim. O fim do sonho perigoso que ela começava a nutrir.

"Eu concordo," ela disse, tentando manter a voz firme. "Profissionalismo."

Leonardo suspirou, um som longo e resignado. "Graças a Deus você entende, Sofia. Eu não sei o que faria se tivesse que lidar com isso de outra forma."

A forma como ele disse "graças a Deus" a fez pensar. Havia algo mais ali, algo que ele não estava expressando totalmente. Mas ela não podia pressionar.

"Eu preciso ir," ela disse, virando-se para a porta.

"Sofia, espere," ele a chamou. Ela se virou. "Eu só queria dizer... o que aconteceu... não me deixou indiferente."

O olhar dele era sincero, e por um instante, Sofia viu a armadura dele rachar, revelando a vulnerabilidade que ela sentia também.

"Eu também não," ela sussurrou, antes de se virar e sair do escritório, deixando Leonardo com o peso das consequências e o eco de um beijo que não deveria ter acontecido, mas que mudou tudo.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%