O Milionário Solitário II

Capítulo 14 — A Casa na Praia e o Confronto com o Passado

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — A Casa na Praia e o Confronto com o Passado

O carro de Eduardo deslizava suavemente pela estrada costeira, o mar azul cintilando sob o sol da tarde. Ao lado dele, Sofia observava a paisagem mudar, a vegetação se tornando mais densa e selvagem à medida que se afastavam da cidade. A casa de praia de sua avó, um refúgio isolado em meio à natureza exuberante, era agora o foco de sua esperança. A frase enigmática de Dona Helena, “Onde o sol não alcança, mas a verdade reside”, ecoava em sua mente, alimentando a crença de que ali estariam as provas definitivas contra o Dr. Monteiro.

Eduardo sentia a apreensão de Sofia, e a sua própria. A mansão em Santa Teresa era um campo minado de segredos, mas a casa de praia, tão isolada, parecia ainda mais propícia a emboscadas. Ele havia acionado discretamente a segurança de sua empresa para ficarem atentos a qualquer movimentação suspeita na região, mas sabia que a lealdade dos antigos capangas de seu avô era perigosa e imprevisível.

“Você acha que sua avó realmente escondeu algo lá?”, perguntou Eduardo, sua voz um pouco rouca pela tensão.

Sofia assentiu, os olhos fixos no horizonte. “Ela amava aquele lugar. Era o único lugar onde ela se sentia completamente livre. Ela costumava me dizer que lá era o seu santuário, onde ela podia ser apenas ela mesma, sem máscaras ou medos.” A lembrança trouxe um sorriso agridoce aos seus lábios. “Se há algum lugar onde ela confiaria para guardar algo tão importante, seria ali.”

Ao chegarem à propriedade, um portão de ferro enferrujado se abriu para revelar um caminho sinuoso que levava a uma casa modesta, mas charmosa, com paredes brancas manchadas pelo tempo e um telhado de telhas antigas. A varanda se estendia pela frente, com cadeiras de vime desgastadas e um balanço que parecia sussurrar histórias do vento. O cheiro de maresia e de flores silvestres preenchia o ar.

Enquanto desciam do carro, Sofia sentiu uma familiaridade reconfortante. Era como voltar no tempo, para os dias em que vinha ali com a avó, para fugir do calor do Rio e das preocupações da cidade. Mas agora, essa familiaridade vinha tingida de uma urgência sombria.

“Precisamos ser cuidadosos”, disse Eduardo, sua voz mais baixa, mais vigilante. “Este lugar é mais isolado do que parece. Se alguém estiver nos observando, não teremos para onde correr.”

Eles entraram na casa. O interior era simples, com móveis antigos que pareciam carregar a alma de Dona Helena. Poeira cobria os objetos, mas o ambiente ainda mantinha um eco de sua presença. Sofia caminhou pela sala, tocando em cada objeto com reverência. Encontrou uma estante de livros antiga, cheia de volumes empoeirados, e, logo atrás, um velho baú de madeira entalhada.

“Minha avó amava colecionar coisas antigas”, disse Sofia, seus olhos fixos no baú. “Ela sempre dizia que cada objeto tinha uma história para contar.”

Eduardo se aproximou do baú. Estava pesado e trancado. “Parece que é aqui que começamos.”

Com uma chave que Sofia encontrou em uma gaveta próxima, o baú se abriu com um rangido melancólico. Dentro, não havia ouro ou joias, mas uma coleção de objetos pessoais de Dona Helena: cartas antigas, fotografias, um bordado inacabado e, no fundo, um pequeno cofre de metal.

“Este é o cofre que ela sempre carregava consigo quando íamos para cá”, disse Sofia, a voz embargada. “Eu nunca soube o que tinha dentro.”

Eduardo pegou o cofre. Era mais pesado do que parecia. Após alguns minutos de perícia, ele conseguiu abri-lo. Dentro, jaziam dois itens: um pequeno medalhão de prata, com as iniciais de Dona Helena gravadas, e um maço de documentos amarelados.

Sofia pegou o medalhão, sentindo o metal frio em suas mãos. Ela o abriu e encontrou, em vez de uma foto, um pequeno compartimento secreto. Dentro, um minúsculo microfilme.

“O que é isso?”, perguntou Eduardo, intrigado.

“Eu não sei”, respondeu Sofia, olhando para o microfilme com espanto. “Mas minha avó era muito esperta. Ela sabia que precisava de um jeito discreto de guardar a verdade.”

Eduardo pegou os documentos do cofre. Eram cópias de contratos, cartas e registros financeiros. Havia, ali, a prova irrefutável da fraude do Dr. Monteiro. Um contrato original, assinado por Dona Helena, que confirmava a transferência de uma parte considerável dos seus bens sob coação, e cartas do Dr. Monteiro, com tom ameaçador, evidenciando a manipulação.

“É isso, Sofia”, disse Eduardo, a voz carregada de emoção. “Aqui está a prova. Tudo o que sua avó tentou manter em segredo, tudo o que ela sofreu.”

Enquanto eles examinavam os documentos, um som vindo do lado de fora fez com que ambos se sobressaltassem. O barulho de um carro se aproximando.

“Alguém chegou”, sussurrou Eduardo, pegando Sofia pela mão. “Precisamos sair daqui.”

Eles correram para a varanda e viram um carro escuro estacionar em frente ao portão. Dois homens saíram, com olhares frios e determinados. Reconheceram-nos imediatamente: eram seguranças da mansão, homens que Eduardo sabia que serviam fielmente ao legado de seu avô.

“Parece que alguém não quer que a verdade venha à tona”, disse Eduardo, a adrenalina correndo em suas veias. “Precisamos ir. Agora!”

Eles se viraram para entrar de volta na casa, mas a porta de trás, que dava para os fundos da propriedade, foi abruptamente aberta. Outro homem apareceu, bloqueando a saída. Era Marcus, o antigo capataz da fazenda de gado do Dr. Monteiro, um homem conhecido por sua brutalidade e lealdade cega ao falecido.

“Não vão a lugar nenhum”, disse Marcus, um sorriso cruel em seu rosto. “O Dr. Monteiro, mesmo morto, ainda tem suas ordens a cumprir.”

Sofia sentiu o medo paralisá-la. Estavam cercados. Eduardo se colocou à frente dela, em posição de defesa.

“Marcus, você sabe que isso é loucura”, disse Eduardo, tentando manter a calma. “Esses documentos são a prova de um crime. Entregue-os.”

“Ordem é ordem, Sr. Eduardo. E a ordem é impedir que essas provas cheguem a qualquer lugar.” Marcus sacou uma arma.

O confronto era inevitável. A casa na praia, o santuário de paz de Dona Helena, transformou-se em um palco de perigo. Sofia segurava o medalhão com o microfilme, enquanto Eduardo tentava proteger a ela e às provas. As sombras do passado haviam se materializado, e a luta pela verdade estava apenas começando, em um cenário desolador e cheio de memórias.

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