O Milionário Solitário II

Capítulo 17 — O Retorno a São Paulo e a Sombra do Perigo

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — O Retorno a São Paulo e a Sombra do Perigo

A beleza serena de Paraty contrastava violentamente com a urgência que agora pulsava nas veias de Helena e Ricardo. A breve trégua, o refúgio momentâneo, havia servido para reabastecer suas energias e fortalecer suas convicções. Mas o perigo não esperava por eles. A necessidade de proteger a família de Ricardo e de reunir provas irrefutáveis contra o Dr. Valeriano era premente.

A viagem de volta a São Paulo foi tensa. Cada milha percorrida parecia aproximá-los não apenas de casa, mas também das garras frias da ameaça que pairava sobre suas vidas. Ricardo dirigia com a concentração de um general em campo de batalha, os olhos varrendo o retrovisor a cada instante. Helena, ao seu lado, observava a paisagem urbana se aproximando com um misto de familiaridade e apreensão. A cidade que antes representava o palco de seus amores e desilusões, agora parecia um labirinto perigoso.

Ao chegarem ao apartamento de Ricardo, a atmosfera era carregada de uma quietude que soava mais como um silêncio antes da tempestade. A segurança era impecável, mas a sensação de vulnerabilidade persistia. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era como entrar em um território inimigo, mesmo sabendo que era o seu lar.

"Precisamos ser rápidos e discretos", Ricardo disse, a voz baixa e firme, enquanto trancava a porta com um clique seguro. "Vou entrar em contato com a tia Lúcia. Precisamos coordenar a retirada da Sofia e do Leo para um local ainda mais seguro."

Enquanto Ricardo se retirava para o escritório, com o telefone em mãos e a testa franzida em concentração, Helena se dirigiu ao quarto. A cama, onde tantas vezes haviam compartilhado momentos de intimidade e paixão, agora parecia um lembrete silencioso do futuro incerto que os aguardava. Ela se olhou no espelho, a própria imagem um reflexo de sua ansiedade. As olheiras profundas denunciavam as noites insones, mas nos seus olhos ainda ardia a chama da determinação.

Ricardo voltou pouco depois, o semblante aliviado. "Ela está bem. E segura. Eles já foram levados para outro lugar, um lugar que o Valeriano jamais imaginaria. A tia Lúcia é muito mais esperta do que ele pensa."

"E os documentos?" Helena perguntou, o coração batendo mais forte.

"Agora é a hora. Eu sei exatamente onde eles estão. Precisamos ir até a mansão."

A simples menção da mansão fez um frio se instalar no estômago de Helena. Aquele lugar, palco de tantas lembranças, de tantos confrontos, era agora o centro do perigo. A casa onde o império de Ricardo havia sido construído e quase desmoronado, onde os segredos mais obscuros haviam sido guardados.

"Ricardo, você tem certeza? É arriscado demais", ela insistiu, a voz embargada.

"Não temos outra escolha, Helena. Esses documentos são a nossa única chance de provar a minha inocência e expor a verdade. Sem eles, o Valeriano continuará com o poder de nos destruir." Ele a segurou pelos ombros, olhando-a nos olhos com uma intensidade que a fez tremer. "Eu sei que é pedir muito. Mas eu preciso que você confie em mim. E que venha comigo."

Helena respirou fundo. O medo era real, mas a confiança em Ricardo era ainda maior. O amor que os unia era a sua armadura. "Eu vou. Eu vou com você."

A viagem até a mansão foi curta, mas pareceu uma eternidade. O carro de Ricardo deslizou pelas ruas silenciosas da madrugada, a escuridão servindo como um manto para disfarçar seus passos. Ao se aproximarem, a grandiosidade imponente da mansão se materializou na escuridão, suas janelas escuras parecendo olhos vazios. Um arrepio percorreu Helena. O lugar estava estranhamente quieto. Nenhum sinal de vida.

Ricardo estacionou o carro em um ponto discreto, a poucas quadras da entrada principal. Desceram em silêncio, movendo-se com a cautela de assaltantes, embora fossem os donos legítimos de tudo aquilo. A porta dos fundos, que ele conhecia bem, cedeu com um gemido baixo ao seu toque. O interior da mansão era escuro, a única luz provinha das frestas das cortinas grossas. O cheiro de poeira e de um perfume caro, mas desbotado, pairava no ar.

"Onde estão os documentos?", Helena sussurrou, a voz quase inaudível.

"No meu antigo escritório. Em um cofre escondido atrás de uma estante", Ricardo respondeu, liderando o caminho pelos corredores silenciosos. Cada passo parecia ecoar no vasto espaço, aumentando a sensação de desconforto. Helena sentiu os olhares imaginários das estátuas e dos quadros pesarem sobre eles.

Chegaram ao escritório. A mobília imponente parecia intocada, como se o tempo tivesse parado ali. Ricardo dirigiu-se à estante de livros, a mão passando por alguns volumes até encontrar o ponto certo. Com um clique suave, uma parte da estante se moveu, revelando um cofre de aço escuro.

Ele retirou uma pequena caixa de metal do bolso. "É aqui. A chave mestra."

O mecanismo do cofre rangeu ao ser aberto, o som estridente quebrando o silêncio da noite. Lá dentro, além de alguns objetos pessoais de valor sentimental, havia uma pasta de couro. Ricardo a pegou, os dedos tremendo levemente. Era isso. A prova de tudo.

Enquanto ele examinava o conteúdo da pasta, um ruído vindo do corredor fez os corações de ambos dispararem. Um barulho de passos. Pesados. Inesperados.

"Droga!", Ricardo sibilou, fechando o cofre rapidamente. "Tem alguém aqui."

Helena sentiu o pânico subir. Não era possível. Eles deveriam estar sozinhos.

Os passos se aproximavam. Claramente, não eram passos furtivos, mas sim passos de quem se sentia seguro, de quem não esperava invasores. A luz de uma lanterna varreu o corredor, projetando sombras dançantes nas paredes.

"Quem está aí?", uma voz grave e autoritária ecoou. Era a voz de Valeriano.

Ricardo puxou Helena para trás de uma poltrona imponente. "Precisamos sair daqui. Agora."

Eles se esgueiraram pela porta, tentando o máximo de silêncio. A luz da lanterna os seguia de perto. Sentiram o cheiro forte de charuto. Valeriano não estava sozinho. Havia mais alguém com ele.

"Achei você, Ricardo!", Valeriano gritou, a voz cheia de um triunfo cruel. "Pensei que tivesse fugido para sempre. Mas você sempre volta para a sua toca de ladrões."

Ricardo agarrou a mão de Helena. "Corra!"

Eles dispararam pelo corredor, os passos de Valeriano e seu comparsa ecoando atrás deles. O pânico se instalou, a adrenalina inundando seus corpos. As sombras da mansão pareciam se fechar sobre eles, transformando o lugar que um dia foi um lar em uma armadilha mortal. A fuga desesperada havia recomeçado.

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