O Milionário Solitário II

Capítulo 18 — A Emboscada na Mansão e a Fúria de um Homem Encurralado

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — A Emboscada na Mansão e a Fúria de um Homem Encurralado

O ar rarefeito da mansão, antes impregnado de poeira e de um perfume desbotado, agora era cortado pela adrenalina e pelo cheiro acre do medo. A tranquilidade enganosa da noite em São Paulo fora desfeita em um instante, substituída pelo som ameaçador dos passos de Valeriano e seu comparsa ecoando pelos corredores luxuosos. Ricardo, com Helena agarrada à sua mão, sentia a fúria borbulhar em seu peito. Ser pego daquela forma, tão desprevenido, era uma afronta.

"Para onde vamos?", Helena sussurrou, a voz embargada pela corrida e pelo pavor. O corredor parecia um labirinto sem fim, cada porta fechada um potencial esconderijo ou uma armadilha.

"Para a saída de emergência. O túnel secreto", Ricardo respondeu, a respiração ofegante. Ele conhecia cada centímetro daquela casa, cada passagem secreta. Era uma vantagem que ele não podia deixar escapar.

A luz da lanterna de Valeriano varria implacavelmente a escuridão atrás deles, acompanhada pelo som trovejante de seus passos pesados. O homem era implacável, um predador que sentia o cheiro da presa encurralada.

"Não adianta correr, Ricardo!", Valeriano gritou novamente, a voz reverberando pelas paredes de mármore. "Você sempre volta para o seu veneno. E agora, eu vou te dar a dose final!"

Ricardo apertou a mão de Helena com mais força. "Confie em mim. Vou te tirar daqui."

Eles viraram em um corredor lateral, mais estreito e menos iluminado. Um móvel antigo, uma cômoda pesada, estava encostado na parede. Com um esforço concentrado, Ricardo a empurrou, revelando uma abertura escura e estreita. Era a entrada para o túnel.

"Rápida!", ele a impulsionou para dentro. O espaço era apertado, o cheiro de terra úmida e mofo era sufocante. Helena sentiu o claustrofobia apertá-la, mas o medo de Valeriano era maior.

Ricardo entrou logo atrás dela, fechando a passagem secreta com a cômoda o mais rápido que pôde. Ouviu os gritos de Valeriano se aproximando, a fúria contida em sua voz.

"Você não vai escapar de mim, seu rato de esgoto!", o homem urrou, batendo na madeira maciça.

O som das batidas fortes e furiosas era aterrador. Helena fechou os olhos, tentando controlar a respiração ofegante. A escuridão total era um bálsamo para seus olhos, mas um tormento para sua mente.

"Ele vai descobrir", ela sussurrou, a voz trêmula.

"Ele não vai", Ricardo disse, a voz surpreendentemente calma, embora seu corpo estivesse tenso. "Esse túnel leva para o antigo galpão de jardinagem. É longo, mas nos tira para fora da propriedade sem que ele perceba."

Eles caminharam no escuro, guiados apenas pelo tato e pela memória de Ricardo. O chão era irregular, pedras soltas ameaçavam fazê-los tropeçar. Helena sentia a presença forte e protetora de Ricardo ao seu lado, um farol em meio à escuridão.

O som das batidas na cômoda diminuiu gradualmente, substituído pelos gritos frustrados de Valeriano, que logo se tornaram mais distantes. A raiva do homem era palpável, mas ele não era onipresente.

"Ele está furioso", Helena comentou, um leve riso nervoso escapando de seus lábios.

"Ele sempre foi. A arrogância o cega", Ricardo respondeu, um toque de satisfação em sua voz. "Ele acha que tem tudo sob controle. Mas ele subestima a inteligência e a astúcia."

Após o que pareceu uma eternidade, eles chegaram a uma grade de metal enferrujada. Ricardo a empurrou com dificuldade, e a luz fraca da madrugada invadiu o túnel. Era o amanhecer. Um novo dia, uma nova chance.

Eles emergiram em um gramado coberto de orvalho, o ar fresco da manhã um alívio bem-vindo. O galpão de jardinagem estava ali, abandonado e coberto de teias de aranha. A mansão, imponente e sombria, parecia um monstro adormecido ao longe.

Ricardo pegou a pasta de couro que havia conseguido resgatar. As bordas estavam amassadas, mas o conteúdo estava intacto. "Isso é tudo. A prova de que ele me incriminou, de que ele roubou tudo de mim. E de muitos outros."

"E agora?", Helena perguntou, o olhar fixo na pasta.

"Agora, vamos para a polícia. Vamos acabar com isso de uma vez por todas." A decisão em sua voz era inabalável.

Mas o destino, cruel e imprevisível, tinha outros planos. Ao se virarem para o carro, que haviam deixado estacionado em uma rua lateral, eles se depararam com uma cena chocante. O carro estava cercado por dois homens corpulentos, vestidos com roupas escuras, os rostos impassíveis. E em pé, na frente deles, estava Valeriano. A expressão em seu rosto era uma mistura de triunfo e desprezo. Ele parecia ter antecipado seus movimentos.

"Achou mesmo que seria tão fácil, Ricardo?", Valeriano zombou, um sorriso cruel desenhado em seus lábios. "Eu conheço você. Sei do seu orgulho. Sei que não resistiria à tentação de pegar suas preciosas 'provas'. Mas eu sou mais esperto."

Helena sentiu o sangue gelar. A armadilha perfeita.

"Você não vai conseguir fugir desta vez", Valeriano continuou, dando um passo à frente. "O que é meu, é meu. E você, Ricardo, é meu há muito tempo. Uma peça no meu jogo."

Ricardo se colocou à frente de Helena, protegendo-a com o corpo. Seus olhos faiscaram de fúria. Ele estava encurralado, mas não derrotado.

"Você está enganado, Valeriano", Ricardo disse, a voz baixa e perigosa. "Eu não sou mais a sua peça. Eu sou o jogador. E a sua jogada final será a sua ruína."

Um dos homens avançou, a intenção clara de agarrá-los. Mas antes que ele pudesse alcançar, Ricardo agiu. Com um movimento rápido e surpreendente, ele jogou a pasta no chão, espalhando os papéis pela grama orvalhada.

"O que você está fazendo?", Helena gritou, chocada.

"Distração", Ricardo respondeu, e então, com uma força inesperada, empurrou Helena em direção aos arbustos, enquanto ele se jogava contra o outro homem.

A confusão tomou conta. Os papéis voavam com o vento, espalhando-se pelo gramado. Valeriano gritou ordens, sua voz cheia de desespero. Os dois capangas tentaram conter Ricardo, mas ele lutava com a fúria de um homem que não tinha nada a perder.

Helena, enquanto se escondia nos arbustos, observava a cena com o coração disparado. Ela via Ricardo lutando bravamente, mas estava em desvantagem. Valeriano, em um acesso de raiva, pegou um pedaço de madeira caído no chão e avançou sobre Ricardo.

"Pare!", Helena gritou, saindo de seu esconderijo. A coragem a impulsionou, o amor por Ricardo superando o medo.

Valeriano hesitou por um instante, surpreso pela aparição dela. Aquela fração de segundo foi o suficiente. Ricardo, com um último esforço, se livrou de um dos homens e acertou um soco poderoso no rosto de Valeriano. O homem cambaleou para trás, atingindo o chão com um baque surdo.

Os capangas, vendo seu chefe caído e a situação se complicando, hesitaram. O som das sirenes se aproximava. A polícia.

Ricardo agarrou a mão de Helena. "Vamos!"

Eles correram, deixando para trás a mansão, os papéis espalhados e o homem que havia destruído suas vidas. A fuga havia sido perigosa, a emboscada, aterrorizante, mas eles haviam sobrevivido. E a luta pela verdade, pela justiça, ainda não havia terminado.

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