O Milionário Solitário II

Capítulo 6

por Valentina Oliveira

Ah, que delícia ter você de volta, meu caro leitor, para desdobrar mais um capítulo dessa trama que pulsa em nossos corações! A brisa do mar ainda sussurra segredos em nossas orelhas, e o perfume das flores que desabrocham em Paraíso Azul nos convida a mergulhar em novas emoções. Prepara o seu coração, porque os capítulos que seguem prometem ser tão turbulentos e apaixonantes quanto o próprio oceano.

Capítulo 6 — O Despertar dos Sentidos e a Armadilha do Desejo

O sol da manhã banhava a varanda da mansão dos Montenegro com uma luz dourada e preguiçosa, mas para Aurora, o dia já havia começado com uma tempestade interna. Ela se olhava no espelho, alisando o tecido leve de seu vestido florido, um presente de Sofia, que parecia zombar da inquietação que a consumia. Ontem à noite, no jantar, a presença de Ricardo havia sido um furacão silencioso, varrendo todas as suas defesas. Cada olhar trocado, cada palavra casual, cada toque involuntário de suas mãos ao pegar um copo... tudo reverberava nela com uma intensidade que a assustava.

Ela se lembrava do instante em que Ricardo, durante a conversa sobre a restauração do jardim, a olhou nos olhos. Não era o olhar frio e calculista do homem de negócios que ela havia conhecido em São Paulo, nem o olhar de superioridade de quem se sente dono do mundo. Era um olhar que a desnudava, que parecia enxergar além das aparências, até a alma ferida que ela tentava esconder. Um olhar que incendiava, que prometia um abismo de sensações.

E ele, Ricardo Montenegro, sentia-se como um marinheiro experimentado em águas calmas, de repente pego por uma correnteza traiçoeira. A vila, antes um refúgio de paz, tornara-se um palco de conflitos internos. Aurora não era apenas uma jardineira talentosa; era uma mulher que o intrigava, que o desafiava, que o fazia questionar a solidez do seu mundo construído sobre a lógica e o controle.

Naquela manhã, enquanto observava o movimento no porto pela janela do seu escritório, o cheiro do café fresco se misturava à maresia, uma combinação que lhe trazia uma estranha familiaridade. Ele pensava em Aurora, na forma como seus olhos brilhavam quando falava das plantas, na doçura com que acariciava as pétalas de uma rosa. Uma imagem dela, inclinada sobre um canteiro, o sol a emoldurar os cabelos castanhos, invadia seus pensamentos e o deixava desnorteado. Ele, Ricardo Montenegro, o homem que herdara um império e que jamais se permitira perder o controle, sentia-se à mercê de uma força que não compreendia.

"Senhor Montenegro", a voz de seu advogado, Dr. Almeida, soou na porta, tirando-o de seu devaneio. "Tenho os documentos da transferência da propriedade da antiga fábrica para a fundação, como o senhor solicitou."

Ricardo assentiu, a mente ainda focada em Aurora. "Ótimo, Almeida. O projeto de revitalização do centro histórico é a prioridade. Precisamos mostrar à vila que estamos comprometidos com o seu futuro." Ele sabia que essa era a desculpa perfeita para manter Aurora por perto, para observar cada passo dela, para entender o que aquela mulher fazia com ele.

Mais tarde, enquanto inspecionava os preparativos para a festa de inauguração da nova ala da biblioteca municipal – um evento que ele mesmo fizera questão de organizar para celebrar o renascimento cultural da vila – Ricardo a viu. Aurora estava ajudando Sofia a arrumar flores em um vaso imenso, suas mãos ágeis e delicadas. O vestido que ela usava, um tom azul-celeste que realçava a cor dos seus olhos, contrastava com a terra que ainda manchava suas unhas. E, por um instante, Ricardo sentiu um desejo avassalador de se aproximar, de tocar aqueles dedos, de sentir a textura da pele dela.

Ele respirou fundo, tentando se recompor. "Aurora," chamou, a voz mais grave do que pretendia.

Ela se virou, e um leve rubor coloriu suas bochechas ao encontrar o olhar intenso de Ricardo. "Senhor Montenegro."

"Vejo que está envolvida em todos os preparativos", ele disse, tentando soar casual, mas sentindo o coração bater descompassado.

"Sofia insistiu que eu ajudasse", respondeu ela, um sorriso tímido nos lábios. "Adoro festas, mesmo que sejam para inaugurar bibliotecas."

"Bibliotecas são importantes", Ricardo concordou, aproximando-se um pouco mais. "Elas guardam histórias. E algumas histórias, como a sua, Aurora, parecem ter um poder de encantar." Ele viu a surpresa nos olhos dela, e sentiu uma satisfação perigosa em causar aquela reação.

Sofia, percebendo a tensão no ar, sorriu e se afastou discretamente, deixando os dois a sós em meio à profusão de flores.

"Não sei se entendo o que quer dizer, Senhor Montenegro", Aurora murmurou, desviando o olhar para as pétalas de uma gérbera.

"Quero dizer que você é uma mulher que não passa despercebida. Que sua paixão pelo que faz é contagiante. E que..." Ele hesitou, buscando as palavras certas. "...e que sua presença aqui tem sido... revigorante."

O elogio, vindo dele, era como um raio inesperado. Aurora sentiu o corpo vibrar, uma onda de calor subindo por seu pescoço. Ela estava acostumada com a admiração, mas a forma como Ricardo dizia aquilo, com a intensidade em seus olhos, era diferente. Era como se ele estivesse confessando algo profundo.

"Agradeço suas palavras, Senhor Montenegro", ela disse, a voz um sussurro. "Estou apenas fazendo o meu trabalho. E o jardim precisa de atenção para desabrochar."

"Assim como alguns corações", Ricardo retrucou, um leve sorriso nos lábios. Ele deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal, e Aurora sentiu o perfume amadeirado dele, uma fragrância que a hipnotizava. "Talvez eu precise de uma jardineira para me ajudar a cuidar do meu próprio jardim. Um jardim que anda meio esquecido."

O ar entre eles ficou denso, carregado de uma eletricidade palpável. Aurora sentiu o desejo borbulhar em seu interior, um instinto primitivo que a fez querer se entregar àquele momento. Os olhos de Ricardo estavam fixos nos dela, e ela podia ver neles a mesma luta que travava em seu próprio peito. O homem que ela tentava esquecer, o homem que representava tudo o que ela havia fugido, agora a atraía com uma força irresistível.

De repente, um grupo de convidados se aproximou, interrompendo o momento. Ricardo se afastou lentamente, um vislumbre de decepção em seu rosto.

"Precisamos ir", ele disse, a voz novamente profissional, mas com um tom subjacente de algo mais. "A festa vai começar."

Aurora assentiu, o coração disparado, a mente em turbilhão. Ela se sentiu como uma flor exposta ao sol forte, sentindo o calor que a fazia desabrochar, mas também o medo de queimar. A presença de Ricardo Montenegro, outrora um fantasma do seu passado, tornava-se uma presença avassaladora no seu presente. E ela não sabia se estava pronta para o que aquele desabrochar poderia significar. O desejo que ele despertava nela era uma armadilha deliciosa, e Aurora se via perigosamente atraída para o seu centro.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%