Segredos do Coração II

Capítulo 14 — O Encontro com o Fantasma do Poder

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 14 — O Encontro com o Fantasma do Poder

A notícia da ação judicial movida por Inês caiu como uma pedra no estômago de Ana Clara. A audácia da madrasta em se apresentar como vítima e acusadora era chocante, mas, ao mesmo tempo, reveladora de sua natureza implacável. Lucas sentia a angústia de Ana Clara, mas também a força que ela extraía dessa adversidade. "Não vamos nos deixar abater, Clara", disse ele, sua voz transmitindo confiança. "Vamos provar que ela está errada."

O Dr. Almeida, apesar da aparente vantagem de Inês, estava determinado a lutar. Ele já estava reunindo todos os documentos que comprovavam a inocência de Arthur e a fraude de Felipe Almeida. "Precisamos de mais", disse ele, pensativo. "Precisamos de uma prova irrefutável que ligue Inês a Felipe, ou que mostre sua cumplicidade na ruína de Arthur. E a chave, eu ainda acredito, está em seu passado, Ana Clara. Na sua mãe, Lúcia, e no pai dela."

A ideia de procurar o Sr. Rodrigues, o pai de Lúcia, era uma aposta arriscada. Um homem recluso, afastado da família há décadas, poderia ser a fonte de informações cruciais ou um muro intransponível. Mas Ana Clara sentia que era o único caminho a seguir. "Eu preciso ir", declarou ela, seus olhos fixos em um ponto distante. "Eu preciso conhecer o avô que nunca conheci, e talvez, apenas talvez, ele ainda guarde alguma lembrança de minha mãe, alguma verdade sobre aquele tempo."

Lucas insistiu em acompanhá-la. A ideia de Ana Clara ir sozinha ao encontro de um homem misterioso e potencialmente perigoso era impensável. "Não vou deixar você ir sozinha", disse ele, com a firmeza que ela tanto amava. "Seja lá quem for esse Sr. Rodrigues, estaremos juntos."

O Sr. Rodrigues vivia em uma mansão antiga e imponente, nos arredores do Rio de Janeiro, cercada por jardins bem cuidados, mas com uma aura de isolamento. A casa parecia parada no tempo, um testemunho de uma era passada. A empregada que os atendeu, uma senhora de semblante austero, anunciou a visita com relutância.

A espera foi longa e tensa. Ana Clara sentia o peso dos anos que separavam aquela família, o silêncio que havia engolido as memórias. Finalmente, um homem idoso, com cabelos brancos e um olhar que parecia carregar o peso do mundo, apareceu na porta de uma sala luxuosa. Era o Sr. Rodrigues.

"Quem são vocês?", perguntou ele, sua voz fraca, mas com um tom de autoridade.

Ana Clara respirou fundo. "Senhor Rodrigues, meu nome é Ana Clara. Sou filha de Arthur, e neta de sua filha, Lúcia."

O nome de Lúcia pareceu ressoar na sala. O Sr. Rodrigues fixou seus olhos em Ana Clara, uma mistura de surpresa e algo que parecia ser dor em seu olhar. Ele convidou-os a sentar, mas a atmosfera permaneceu fria e distante.

Ana Clara, com a ajuda de Lucas, contou a história. A carta de seu pai, a luta contra a traição, a ação judicial de Inês. Ela falou sobre o amor de seu pai por Lúcia, sobre o medalhão, sobre a esperança de que ele pudesse ter alguma pista.

O Sr. Rodrigues ouviu em silêncio, seus olhos perdidos em algum lugar no passado. Quando Ana Clara terminou, ele permaneceu calado por um longo tempo. "Arthur...", ele murmurou. "Ele sempre amou minha filha. Mesmo depois que tudo aconteceu, ele nunca a esqueceu."

"Por que o senhor se afastou deles?", perguntou Ana Clara, a voz embargada pela emoção. "Por que nunca nos procurou?"

O Sr. Rodrigues suspirou, um som pesado e melancólico. "Eu cometi erros, minha jovem. Erros graves. Eu desaprovei o relacionamento de Lúcia com Arthur. Acreditava que ele não era bom o suficiente para ela, que sua família não era adequada para a minha. Fui cego pelo orgulho e pela ambição. E quando Lúcia engravidou, eu a forcei a se afastar dele. A forcei a ir embora. Foi o maior arrependimento da minha vida."

Ana Clara sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. A imagem de sua mãe, uma jovem forçada a abandonar o amor de sua vida, era dolorosa. "E o que aconteceu com ela? Com minha mãe?"

"Ela viveu uma vida solitária", disse o Sr. Rodrigues, a voz embargada. "Ela nunca se casou novamente. Se dedicou ao trabalho, à arte. Mas o coração dela sempre pertenceu a Arthur. E quando ela soube que ele estava com Inês, ela ficou arrasada. Ela temia o pior, temia que Inês o destruísse, assim como eu a destruí."

"A senhora Inês...", disse Lucas, sua voz firme. "Ela sabia sobre o senhor? Ela sabia que a senhorita Lúcia tinha um pai poderoso?"

O Sr. Rodrigues franziu a testa. "Inês? Sim, Arthur mencionou Inês. Falava dela com uma estranha mistura de gratidão e... apreensão. Dizia que ela o estava ajudando, mas que ele não se sentia completamente à vontade com ela. Eu nunca a conheci pessoalmente."

"E o medalhão?", perguntou Ana Clara. "Meu pai disse que era a única lembrança que ele tinha de minha mãe."

O Sr. Rodrigues sorriu fracamente. "Ah, o medalhão. Lúcia me pediu para guardá-lo. Era uma peça antiga da família. Ela queria que Arthur o tivesse como um símbolo do amor que ele sentia por ela, e do amor que ela sentia por ele. Eu o dei a Arthur, anos depois, quando o reencontrei. Ele o guardava com um zelo quase religioso."

Ana Clara sentiu um fio de esperança. O Sr. Rodrigues não parecia ter conhecimento direto das artimanhas de Inês ou Felipe, mas sua perspectiva sobre o passado de Lúcia e Arthur era inestimável. Ele poderia ser a testemunha que faltava para provar o amor de seu pai por sua mãe e o motivo pelo qual ele lutava.

"Senhor Rodrigues", disse Ana Clara, sua voz firme. "Eu preciso de provas. Documentos, cartas, qualquer coisa que prove o amor entre minha mãe e meu pai. Algo que possa ajudar a limpar o nome de meu pai e a desmascarar Inês."

O Sr. Rodrigues olhou para Ana Clara, seus olhos agora mais claros, com um lampejo de determinação. "Eu guardei algumas coisas, minha jovem. Cartas de Lúcia para mim, antes de tudo acontecer. E uma carta que Arthur me enviou, anos atrás, pedindo desculpas e contando um pouco sobre o que estava acontecendo. Talvez isso possa ajudar."

Ele se levantou e se dirigiu a uma estante antiga, tirando uma caixa de madeira entalhada. Dentro, havia papéis amarelados, cartas escritas com uma caligrafia elegante e delicada. Ana Clara sentiu uma conexão imediata com a escrita de sua mãe.

Enquanto examinavam as cartas, um detalhe chamou a atenção de Lucas. Em uma das cartas de Lúcia, ela mencionava um amigo em comum com Arthur, um homem que compartilhava a paixão pela arquitetura e que poderia ajudá-los em um momento de crise. O nome era familiar.

"Felipe Almeida", disse Lucas, sua voz baixa. "Lúcia mencionava um amigo de Arthur chamado Felipe Almeida. Ela dizia que ele parecia ser um bom homem, um homem de confiança."

O Sr. Rodrigues ficou pálido. "Felipe Almeida... Arthur o mencionava às vezes. Dizia que era um colega de profissão que estava o ajudando com alguns projetos. Eu não sabia que eles eram tão próximos."

Ana Clara sentiu um arrepio. A ironia era cruel. A mulher que o Sr. Rodrigues via como um bom homem, um amigo, era o mesmo que havia traído seu pai e, possivelmente, orquestrado sua ruína. E Inês, que agora se beneficiava dessa traição, estava tentando apagar a memória de Arthur e manchar a reputação de Ana Clara.

Ao saírem da mansão do Sr. Rodrigues, Ana Clara sentia um misto de esperança e apreensão. Ela tinha em mãos as cartas de sua mãe, um vislumbre do amor que uniu seus pais. Mas a descoberta de que Felipe Almeida já era uma figura presente na vida de Arthur, e que sua mãe o via com bons olhos, complicava a linha do tempo da traição. Seria Inês a mente por trás de tudo, manipulando até mesmo a percepção de Felipe? Ou seria Felipe o vilão original, e Inês apenas uma oportunista que se aproveitou da situação?

A verdade se desdobrava em camadas, cada revelação levantando novas perguntas. E Ana Clara sabia que a figura de Inês era central em todo esse emaranhado. O fantasma do poder que ela representava pairava sobre cada passo, e Ana Clara estava determinada a confrontá-lo, mesmo que isso significasse enfrentar os demônios do passado de sua própria família.

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