Segredos do Coração II

Capítulo 4 — O Legado do Arquiteto

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 4 — O Legado do Arquiteto

Os dias seguintes foram marcados por uma tensão silenciosa entre Helena e Marcos. A revelação de Inês havia lançado uma sombra sobre a casa, e a busca por respostas sobre a morte de Sofia se tornou uma obsessão para Helena. Ela vasculhava antigas caixas de memórias, revivia detalhes daquela noite fatídica, procurando por qualquer pista, qualquer indício que pudesse confirmar as palavras de sua mãe.

Marcos, por sua vez, tentava manter a calma e a racionalidade, mas era claro que a história também o abalara. Ele passava mais tempo com Sr. Afonso, tentando desviar o assunto para temas mais leves, mas Helena sentia que ele também guardava suas próprias dúvidas e medos.

Um dia, enquanto Helena estava na biblioteca da casa, perdida em meio a livros antigos e documentos empoeirados, Marcos apareceu. Ele segurava uma pasta grossa, com o selo de um renomado escritório de arquitetura de Salvador.

"Helena, eu estive pensando muito sobre o que você disse", Marcos começou, a voz um pouco hesitante. "E eu decidi fazer uma coisa. Seu pai sempre foi um homem muito orgulhoso de suas conquórias. E eu queria te mostrar uma parte do legado dele que talvez você não conheça."

Ele abriu a pasta, revelando plantas e desenhos arquitetônicos detalhados. Eram projetos de prédios históricos, de casas suntuosas, de obras que haviam moldado a paisagem de Salvador ao longo das décadas.

"Seu pai era um arquiteto brilhante, Helena", Marcos disse, com admiração genuína na voz. "Um dos melhores da Bahia. Ele projetou muitas das construções que hoje são símbolos da nossa cidade."

Helena olhou para os desenhos com fascínio. Ela sabia que seu pai tinha uma carreira de sucesso, mas nunca havia se aprofundado nos detalhes. Os traços firmes e elegantes, a precisão dos detalhes, tudo revelava o talento e a paixão do Sr. Afonso por sua profissão.

"Eu não sabia que ele era tão… renomado", Helena confessou, sentindo um misto de orgulho e de surpresa.

"Ele era um visionário", Marcos respondeu. "E ele sempre me inspirou muito. Eu me tornei arquiteto por causa dele. Ele me ensinou a amar as linhas, as formas, a maneira como um edifício pode contar uma história."

Marcos apontou para um projeto em particular, um plano para a restauração de um antigo teatro no centro da cidade. "Este foi um dos últimos projetos dele antes de ele ficar doente. Ele tinha planos ambiciosos para revitalizar essa área. Ele acreditava que a história e a modernidade poderiam coexistir em harmonia."

Enquanto Marcos explicava os detalhes do projeto, Helena percebeu algo incomum em um dos desenhos. Um pequeno anexo, que não parecia fazer parte do projeto original. Era uma planta para uma edificação subterrânea, com uma entrada discreta, quase escondida.

"O que é isso, Marcos?", Helena perguntou, apontando para o anexo. "Eu não entendo."

Marcos se aproximou e olhou para o desenho, uma expressão de confusão em seu rosto. "Isso é estranho. Não me lembro de ter visto isso antes. Talvez seja um esboço de um projeto alternativo, ou uma ideia que ele descartou."

Helena sentiu um arrepio. A descrição de sua mãe sobre uma figura misteriosa, a possibilidade de que a morte de Sofia não tenha sido um acidente, e agora, um plano secreto para uma construção subterrânea na área onde o acidente ocorreu. Tudo parecia se conectar de uma forma sinistra.

"Marcos", Helena disse, a voz baixa e tensa. "Onde ficava exatamente a rua onde Sofia… onde o acidente aconteceu?"

Marcos pensou por um instante. "Era perto do antigo teatro. Uma rua estreita, com pouca movimentação à noite."

Helena pegou outro desenho, um mapa da região com os projetos do Sr. Afonso. Ela seguiu as linhas, comparando os mapas, até encontrar a localização do teatro e da rua em questão. O anexo secreto no projeto de restauração do teatro parecia corresponder exatamente à área onde o acidente de Sofia aconteceu.

"O que isso significa, Helena?", Marcos perguntou, percebendo a apreensão em seu rosto.

"Eu não sei", Helena respondeu, sentindo o coração acelerar. "Mas sinto que pode ser importante. Minha mãe disse que viu alguém. Talvez esse anexo tenha a ver com isso. Talvez seu pai estivesse investigando algo."

Marcos olhou para Helena, a preocupação em seus olhos. "Helena, você não pode se obcecar com isso. É um risco para você. E pode estar apenas imaginando coisas."

"E se não estiver, Marcos? E se houver uma verdade escondida? Eu não posso simplesmente ignorar isso. Minha mãe me pediu para ficar atenta. E agora, com essa planta… parece que meu pai estava investigando algo."

Marcos respirou fundo, tentando absorver a informação. Ele amava Helena e não queria vê-la se colocar em perigo. Mas ele também sabia que, uma vez que Helena se decidia por algo, era difícil fazê-la desistir.

"Tudo bem", ele disse, um tom de resignação em sua voz. "Eu vou te ajudar. Mas com cautela. Precisamos ter certeza de que não estamos nos precipitando. E, acima de tudo, precisamos manter isso em segredo. Especialmente do seu pai. Ele não precisa de mais preocupações agora."

Helena assentiu, sentindo um alívio por não estar sozinha naquela jornada. O legado de seu pai, que antes parecia apenas um tributo ao seu talento, agora se transformava em uma pista crucial para desvendar um mistério sombrio.

Nos dias seguintes, Helena e Marcos passaram horas na biblioteca, analisando os projetos do Sr. Afonso, procurando por qualquer detalhe que pudesse fornecer mais informações sobre a construção subterrânea. Eles descobriram que o Sr. Afonso havia solicitado permissões especiais para a obra, citando a necessidade de reforçar as fundações do teatro. Mas os detalhes eram vagos, e as autorizações pareciam ter sido obtidas com certa facilidade, o que levantava suspeitas.

Uma noite, enquanto revisavam os documentos, Helena encontrou um diário escondido em um compartimento secreto de uma das caixas. Era um diário escrito por seu pai, em segredo. As anotações eram curtas e enigmáticas, mas revelavam que ele desconfiava de atividades ilícitas na área próxima ao teatro.

"Parece que a restauração esconde algo maior", dizia uma das anotações. "Desconfio que a movimentação noturna não é apenas de trabalhadores. Há algo mais sinistro acontecendo sob a luz da lua."

Outra anotação dizia: "Acredito que o acidente de Sofia foi apenas um disfarce. A verdade está enterrada. E preciso descobri-la antes que seja tarde demais."

Helena leu as anotações com o coração acelerado. Seu pai não apenas desconfiava, mas tinha a certeza de que o acidente de Sofia não fora um acidente. Ele estava investigando, e a construção subterrânea era a chave.

"Marcos", Helena disse, a voz embargada pela emoção e pelo medo. "Meu pai sabia. Ele sabia que Sofia não morreu em um acidente. Ele estava tentando descobrir a verdade."

Marcos pegou o diário e leu as anotações, o rosto pálido. Ele entendia agora a profundidade do mistério que cercava a família. O legado do arquiteto não era apenas de construções, mas de um segredo que ele tentou desvendar até o fim.

"Precisamos ir até lá, Helena", Marcos disse, a voz firme. "Precisamos ver o que há naquela construção subterrânea. Essa é a única maneira de sabermos o que aconteceu."

Helena assentiu, sentindo um misto de terror e determinação. O amor de Marcos, que antes parecia uma distração de sua busca por respostas, agora se tornava seu maior aliado. Juntos, eles estavam prestes a desenterrar a verdade, mesmo que ela pudesse ser mais perigosa do que jamais imaginaram. O legado do arquiteto estava prestes a ser revelado, e Helena sabia que essa descoberta poderia mudar o curso de suas vidas para sempre.

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