Segredos do Coração II

Capítulo 5 — A Sombra do Passado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 5 — A Sombra do Passado

A decisão de investigar a construção subterrânea tomou conta de Helena. A cada noite, o diário de seu pai se tornava seu companheiro, as palavras enigmáticas alimentando sua obsessão. Marcos, dividido entre a preocupação com Helena e a lealdade a seu mentor, o Sr. Afonso, concordou em ajudá-la, mas com a condição de que agissem com extrema cautela.

"Não sabemos o que vamos encontrar lá, Helena", Marcos alertou, enquanto planejavam os detalhes de sua incursão. "Pode ser perigoso. Pode haver pessoas envolvidas que não querem que a verdade venha à tona."

"Eu sei, Marcos", Helena respondeu, a voz firme, mas com um tremor sutil. "Mas eu preciso saber. Pela Sofia, pela minha mãe, pelo meu pai. Eles merecem a verdade. E eu também."

Naquela noite, sob o manto escuro da madrugada soteropolitana, Helena e Marcos se dirigiram à área próxima ao antigo teatro. A rua estava deserta, a iluminação pública escassa, criando um cenário propício para os seus planos. O silêncio era quebrado apenas pelo som distante das ondas do mar e pelo latido de um cachorro em alguma rua vizinha.

Marcos, com sua experiência em arquitetura, havia estudado as plantas do Sr. Afonso exaustivamente. Ele sabia onde procurar pela entrada secreta para a construção subterrânea, algo que parecia ter sido camuflado habilmente sob os escombros de uma antiga edificação abandonada.

"Aqui", Marcos sussurrou, apontando para uma pilha de pedras e entulho. "De acordo com as anotações do seu pai, a entrada deve estar escondida por aqui."

Com cuidado, eles começaram a remover as pedras, o suor escorrendo por seus rostos. O trabalho era árduo e tenso. Cada pedra removida aumentava a expectativa e o medo do que poderiam encontrar. Finalmente, Marcos soltou um suspiro de alívio e de surpresa.

"Consegui!", ele exclamou baixinho.

Sob as pedras, uma escada de metal desgastada descia para a escuridão. O ar que emanava de lá era úmido e mofado, carregado de um cheiro estranho, algo que Helena não conseguia identificar.

"Você tem certeza que quer fazer isso?", Marcos perguntou, olhando para Helena com apreensão.

Helena assentiu, a determinação em seus olhos. "Tenho. Não posso voltar atrás agora."

Com lanternas em punho, eles desceram pela escada precária. O espaço era claustrofóbico, as paredes de concreto úmidas e sujas. A construção parecia ser um antigo túnel ou um depósito subterrâneo, com algumas salas menores conectadas a um corredor principal.

"Meu pai não era apenas um arquiteto", Helena murmurou, tocando a parede fria. "Ele era um detetive disfarçado."

À medida que exploravam o local, encontraram evidências de que aquele lugar não era apenas um projeto arquitetônico. Havia caixas de metal enferrujadas empilhadas em um canto, e em uma das salas menores, uma mesa de metal com alguns equipamentos estranhos, como se fossem usados para experimentos.

"O que é isso, Marcos?", Helena perguntou, apontando para uma garrafa de vidro com um líquido escuro e espesso.

Marcos pegou a garrafa com cuidado. "Não sei. Mas não parece nada bom."

Eles continuaram a explorar, o coração batendo forte no peito. Foi em uma sala mais afastada, escondida atrás de uma porta pesada e mal fechada, que encontraram o que parecia ser o centro das operações. Havia uma mesa grande no meio da sala, e sobre ela, uma espécie de laboratório improvisado. Frascos, tubos de ensaio, e uma máquina complexa, com fios e luzes piscando.

No canto da sala, Helena viu algo que a fez gelar. Uma série de fotos antigas, datadas de anos atrás. Eram fotos de pessoas, algumas em situações suspeitas, outras em momentos de negociação. E em uma das fotos, ela reconheceu um rosto familiar: o de Ricardo Almeida, um antigo sócio de seu pai que havia desaparecido misteriosamente anos antes, logo após a morte de Sofia.

"Ricardo Almeida!", Helena exclamou, chocada. "O que ele estava fazendo aqui?"

Marcos pegou as fotos e as analisou com atenção. "Seu pai estava investigando Ricardo. E parece que ele estava envolvido em algo… ilegal."

Embaixo das fotos, Helena encontrou um pequeno caderno, com anotações ainda mais crípticas do que as do diário de seu pai. As anotações falavam sobre "experimentação", "substâncias" e "resultados inesperados". E em uma das páginas, um nome se destacava: "Sofia".

Helena sentiu o sangue gelar. Sofia? O que Sofia tinha a ver com tudo aquilo? Ela pegou o caderno com mãos trêmulas e começou a ler as anotações sobre Sofia. Eram relatos de observações, de reações a uma substância experimental que seu pai havia administrado a Sofia, supostamente para um tratamento médico experimental, algo que ele nunca havia mencionado a ninguém.

"Meu Deus", Helena sussurrou, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Meu pai… ele estava testando algo em Sofia? Por quê?"

Marcos observou Helena, a dor em seu rosto. Ele sabia que aquela descoberta era um golpe devastador.

"Helena, não tire conclusões precipitadas", ele disse, tentando acalmá-la. "Seu pai era um homem bom. Ele jamais faria algo para machucar Sofia."

"Mas as anotações, Marcos! Ele estava testando uma substância! E as fotos de Ricardo Almeida… o que isso significa?"

De repente, um barulho alto ecoou do lado de fora da sala. Um barulho de metal batendo em metal. Eles não estavam sozinhos.

"Alguém está aqui", Marcos sussurrou, os olhos arregalados.

Helena e Marcos se olharam, o medo tomando conta deles. Eles haviam sido descobertos.

Uma sombra se projetou pela porta, e uma figura masculina surgiu na penumbra. Era Ricardo Almeida. Ele estava mais velho, com um semblante sombrio e um olhar frio e calculista.

"Ora, ora", Ricardo disse, um sorriso irônico no rosto. "O que temos aqui? Um reencontro inesperado."

Helena sentiu um pavor paralisante. Aquele homem, o antigo sócio de seu pai, o homem que aparecia nas fotos, estava ali, na sua frente.

"O que você está fazendo aqui, Ricardo?", Helena perguntou, a voz trêmula, mas com uma ponta de coragem.

"Eu poderia perguntar o mesmo para vocês", Ricardo respondeu, aproximando-se lentamente. "Invadindo propriedades alheias, não é mesmo?"

"Meu pai descobriu o que você estava fazendo", Helena disse, apontando para o caderno. "Ele sabia que você estava envolvido com experimentações ilegais. Ele sabia que você foi o responsável pela morte de Sofia."

Ricardo riu, um riso sem humor. "Seu pai era um tolo. Ele pensava que podia me deter. Mas ele estava enganado. E agora, vocês dois estão no meu caminho."

Marcos se colocou na frente de Helena, protegendo-a. "Não vamos deixar você fazer nada de mal, Ricardo."

Ricardo sacou uma arma, a ponta brilhando na luz fraca. "Vocês não têm escolha. Vocês viram demais. E agora, precisam desaparecer, assim como Sofia desapareceu."

O pânico tomou conta de Helena. Ela sabia que estavam em perigo mortal. A verdade sobre a morte de Sofia, que ela tanto buscava, agora a colocava em uma situação de vida ou morte. A sombra do passado havia se materializado, e Helena sentiu que a luta pela sua própria vida estava apenas começando. O legado do arquiteto, que parecia ser uma busca por justiça, agora se transformava em uma corrida contra o tempo, contra um inimigo implacável que não hesitava em usar a violência para proteger seus segredos.

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