Cap. 12 / 21

Amor nas Alturas

Capítulo 12 — A Revelação Sob a Chuva Torrencial

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — A Revelação Sob a Chuva Torrencial

A chuva caía implacável sobre a cidade, transformando as ruas em rios escuros e cintilantes. O céu, em sua fúria, parecia espelhar a tempestade que se formava dentro de Gabriel. Ele estacionou o carro em frente ao pequeno chalé de Laura, as luzes fracas filtrando-se pelas cortinas, um farol de calor em meio à escuridão gélida. O coração batia descompassado, um tambor de guerra anunciando o confronto iminente. Cada gota de chuva que chicoteava o para-brisa parecia um aviso, um prenúncio da devastação que ele estava prestes a causar.

Ele desceu do carro, o guarda-chuva inútil contra a força do vento e da água. A adrenalina corria em suas veias, um misto de medo e determinação. Ele não podia mais adiar. Laura merecia a verdade, por mais brutal que fosse. Ela, que sempre se mostrou forte e resiliente, teria que enfrentar essa nova realidade, por mais que despedaçasse seu mundo.

Tocou a campainha, o som abafado pela chuva. Cada segundo de espera era uma tortura. A porta se abriu, revelando Laura. Seus olhos, antes tão cheios de luz e alegria, agora carregavam um lampejo de surpresa e, em seguida, de preocupação ao vê-lo ali, encharcado e com um semblante sombrio.

"Gabriel! O que aconteceu? Você está todo molhado!", exclamou ela, a voz suave, mas com um toque de apreensão. Ela deu um passo para fora, tentando puxá-lo para dentro.

Ele a segurou pelos braços, a força de seu aperto transmitindo a urgência do momento. Seus olhos se encontraram, e Laura percebeu que algo terrível havia acontecido. O amor que emanava dele era inegável, mas agora estava tingido de uma tristeza profunda, de uma angústia que ela jamais vira.

"Laura, precisamos conversar", disse ele, a voz grave, quase um sussurro rouco.

Ela o puxou para dentro, fechando a porta contra a tempestade. O calor acolhedor do chalé contrastava com a frieza que pairava entre eles. Ela o guiou até a sala, oferecendo uma toalha, mas ele mal a notava. Estava focado nela, na mulher que amava mais do que a própria vida, a mulher que, agora, ele sabia ser sua irmã.

"O que foi, Gabriel? Você está me assustando", disse ela, sentando-se no sofá, os olhos fixos nele, esperando a resposta que parecia levar uma eternidade.

Gabriel respirou fundo, o ar pesado em seus pulmões. A imagem de Sofia, a dor em seus olhos, a história que ela lhe contara... tudo isso o impulsionou. Ele precisava ser direto, por mais que cada palavra fosse um prego em seu próprio caixão.

"Laura, algo foi descoberto hoje. Algo sobre a sua família. Sobre a minha família." Ele hesitou, buscando as palavras. "Sua mãe... ela tinha um segredo. Um segredo que ela guardou por toda a vida."

Laura franziu a testa, confusa. "Que segredo? Minha mãe sempre foi uma mulher reservada, mas eu não entendo..."

Gabriel sentou-se ao lado dela, mas manteve uma distância sutil, como se temesse tocá-la, temesse que o toque pudesse trair a verdade que ele estava prestes a revelar.

"Laura", ele começou, a voz embargada pela emoção, "você se lembra de quando eu te contei sobre o meu desejo de ter uma irmã, sobre a minha mãe que perdeu um filho antes de mim?"

Ela assentiu, os olhos marejados. "Lembro. Você disse que ela nunca se recuperou completamente."

"Era mais do que isso, Laura. Muito mais. Sua mãe... ela era a amante do meu pai."

A declaração pairou no ar, densa e chocante. Laura arregalou os olhos, a incredulidade estampada em seu rosto.

"O quê? Não... isso não pode ser verdade! Minha mãe... ela era uma mulher tão pura, tão honesta..."

"Ela era, Laura. Mas ela também era apaixonada. E seu pai também. Eles se amaram intensamente. E desse amor... nasceu uma criança."

Laura engasgou, a respiração presa na garganta. As peças começavam a se encaixar de uma forma aterradora, uma lógica cruel que a deixava sem chão.

"Uma criança...?", sussurrou ela, a voz um fio.

Gabriel assentiu, seus olhos fixos nos dela, buscando uma força que ele não tinha. "Sim. Uma menina. E essa menina... Laura... essa menina era você."

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, apenas quebrado pelo som estrondoso da chuva lá fora. Laura olhava para ele, a mente em turbilhão, tentando processar a informação que desmantelava tudo o que ela acreditava ser. Seus pais, sua identidade, seu amor por Gabriel... tudo agora parecia distorcido, maculado por uma verdade chocante.

"Você... você está dizendo que eu sou sua irmã?", ela finalmente conseguiu dizer, a voz embargada pelo choro.

Gabriel fechou os olhos por um instante, a dor lancinante percorrendo seu corpo. "Sim, Laura. Você é a minha irmã. A irmã que eu nunca soube que tinha. E eu... eu me apaixonei por você. Pela mulher que é minha irmã."

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Laura, quentes e amargas. Ela se encolheu no sofá, como se quisesse desaparecer. O amor que ela sentia por Gabriel, tão puro, tão forte, agora se transformava em um pesadelo. O homem que ela amava com toda a sua alma, o homem que a fazia sentir-se completa, era seu irmão. A ideia era repulsiva, a dor era insuportável.

"Não... não, Gabriel! Isso não pode ser verdade!", ela implorou, a voz quebrada. "Eu não posso ser sua irmã! Eu te amo! Eu te amo mais do que tudo!"

Ele estendeu a mão, mas hesitou antes de tocá-la, o medo de ser rejeitado, de machucá-la ainda mais, o contendo. "Eu também te amo, Laura. E é por isso que precisávamos saber a verdade. Por mais que doa, precisamos aceitar quem somos."

Ela se levantou abruptamente, andando pela sala, o desespero estampando em seu rosto. "Aceitar? Como eu posso aceitar isso? Como você pode me pedir para aceitar que o homem que eu amo é meu irmão? Isso é um pesadelo! É um pecado!"

"Eu sei que é doloroso, Laura. Eu também estou sofrendo. Mas não é culpa de ninguém. Foi um amor que aconteceu antes de nós, um amor que resultou em uma vida. E agora, nós temos que lidar com as consequências."

"Consequências?", ela riu sem humor, as lágrimas escorrendo sem controle. "Qual a consequência, Gabriel? O nosso amor? Você está me dizendo que tudo o que vivemos... tudo o que sentimos... foi um erro terrível?"

Ele a olhou, a dor em seus olhos refletindo a dela. "Não foi um erro sentir. Foi um erro que as circunstâncias nos impuseram. O amor que sentimos um pelo outro é real, Laura. Mas agora... agora ele precisa ser redefinido. Ele não pode mais ser o amor romântico que compartilhamos."

Laura o encarou, o choque dando lugar a uma raiva fria e cortante. "Redefinido? Como você redefine um amor que te consumiu? Como você apaga tudo isso? Você está me pedindo o impossível, Gabriel!"

Ela se virou, olhando pela janela para a chuva torrencial que caía, como se esperasse que a água levasse embora a dor, a confusão, a verdade insuportável. O chalé, antes um refúgio de amor, agora parecia uma prisão de angústia.

"Eu não entendo", ela sussurrou, a voz embargada. "Como minha mãe pôde me esconder isso? Como ela pôde permitir que eu me apaixonasse pelo meu próprio irmão?"

"O medo, Laura. O medo de perder tudo. O medo de enfrentar a verdade. Ela se arrependeu. Ela sofreu com isso por todos esses anos. E eu... eu sofri sem saber que você era minha irmã, que o amor que eu sentia por você tinha uma razão de ser tão forte."

Ele se aproximou dela, a hesitação evidente em cada passo. "Eu sei que é difícil agora. E eu não espero que você entenda de imediato. Mas eu preciso que você saiba que eu sempre vou te amar, Laura. Como irmã. Como a pessoa que você é. Mas o nosso amor romântico... ele não pode mais existir."

As palavras dele a atingiram como um golpe físico. Ela se afastou, incapaz de suportar a proximidade dele, de suportar a verdade que os separava.

"Eu preciso ficar sozinha, Gabriel", disse ela, a voz firme apesar do choro. "Eu preciso processar isso. Eu não posso te ver agora. Eu não posso mais te olhar e pensar no homem que eu amava. Eu te vejo como meu irmão. E isso... isso me destrói."

Gabriel sentiu um vazio imenso se abrir em seu peito. A rejeição, por mais compreensível que fosse, era um golpe doloroso. Mas ele sabia que ela precisava de espaço, de tempo para lidar com a tragédia que os unia e os separava.

"Eu entendo", disse ele, a voz baixa. "Mas saiba que eu estarei aqui. Para você. Para o que precisar."

Ele se virou e saiu do chalé, deixando Laura sozinha em meio à tempestade que agora parecia ecoar a tempestade em sua alma. A chuva continuava a cair, lavando as ruas, mas nada poderia lavar a dor e a desolação que haviam se instalado em seus corações. O amor nas alturas havia desmoronado, lançando-os em um abismo de dor e incerteza, onde a única certeza era a verdade cruel que os separava.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%