Cap. 16 / 21

Amor nas Alturas

Amor nas Alturas

por Valentina Oliveira

Amor nas Alturas

Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 16 — A Trama se Afunda na Noite Escura

O vento uivava com uma fúria que espelhava a tempestade que se abatia sobre a alma de Helena. A chuva, antes torrencial, agora caía em finos e gélidos fios, como lágrimas teimosas que se recusavam a secar. A revelação de Eduardo, a verdade nua e crua sobre a morte de seu pai, ecoava em sua mente como um trovão distante, mas com a mesma capacidade de devastar. Ela o amava, sim, amava com a intensidade que um raio de sol atravessa a escuridão, mas como poderia amar um homem cujas mãos, ainda que sem intenção direta, haviam selado o destino do homem que ela mais venerava?

Sentada na varanda da mansão dos Montenegro, enrolada em um xale de lã que parecia insuficiente para aquecer o frio que emanava de dentro dela, Helena observava a noite se estender, densa e opressora. Os jardins, outrora palco de risadas e promessas sussurradas, agora pareciam um labirinto sombrio, repleto de sombras que dançavam em sua visão periférica. Cada gota de chuva que batia nas folhas das samambaias parecia zombar de sua fragilidade, de sua incerteza.

Eduardo, com a testa franzida em preocupação, observava-a de longe, sem ousar se aproximar. Sabia que era o momento de Helena, um espaço sagrado onde nem mesmo o amor mais profundo poderia intervir. Ele a vira desmoronar, a força que a caracterizava se esvaindo como areia entre os dedos. A confissão fora um fardo pesado, mas a necessidade de ser honesto com ela, de não carregar mais o peso da culpa sozinho, o impulsionara. Agora, restava esperar que a verdade, por mais dolorosa que fosse, pudesse ser o alicerce para um futuro, ou apenas a ruína de tudo o que haviam construído.

"Helena," ele chamou, a voz rouca pela emoção contida.

Ela não se virou. Apenas um leve tremor em seus ombros indicou que o ouvira.

"Eu sei que é difícil," ele continuou, dando um passo hesitante em sua direção. "Mas eu não podia mais esconder isso de você. A memória do seu pai... ela merece a verdade."

"A verdade," Helena repetiu, a voz embargada, olhando para o céu escuro como se esperasse uma resposta de lá. "Uma verdade que me despedaça, Eduardo. Como pode algo tão sombrio nascer de um amor que parecia tão puro?"

Ele se aproximou mais, o cheiro de chuva e terra molhada misturando-se ao perfume suave que ela usava. "O amor, Helena, nem sempre escolhe caminhos retos. Às vezes, ele se enreda em fios de destino, em escolhas que nos ultrapassam." Ele tentou tocar seu ombro, mas ela se afastou sutilmente, criando uma distância física que parecia abissal.

"Escolhas? Ou covardia, Eduardo? Seu pai, um homem implacável, movido pela ganância. E você... você se tornou a peça central de seu jogo sujo. Você sabia o que ele planejava. Você me observou, dia após dia, enquanto eu vivia em uma mentira cuidadosamente construída." As palavras saíram com uma aspereza que ela não reconhecia em si mesma.

"Eu era jovem, Helena. Assustado. Meu pai era uma força da natureza, e eu... eu era um barco à deriva em sua tempestade. Eu tentei detê-lo, acredite. Tentei de todas as formas impedir que ele executasse aquele plano terrível." A voz de Eduardo transbordava desespero. Ele se sentia nu, exposto, a sua alma em carne viva diante dela. "Mas ele era muito poderoso, e eu, muito fraco."

"Fraco?" Helena finalmente se virou, seus olhos, mesmo na penumbra, brilhando com uma dor intensa. "A sua fraqueza custou a vida do meu pai, Eduardo. O homem que me deu tudo, que me ensinou o valor da honra, da verdade. E agora, tudo em que eu acreditava está manchado. A nossa história, o nosso futuro... tudo."

Ela se levantou, o xale escorregando de seus ombros. O ar gelado a envolveu, mas ela mal sentiu. A frieza maior vinha de dentro. "Eu preciso pensar, Eduardo. Preciso entender como seguir em frente quando o chão sob meus pés desmoronou."

"Helena, por favor, não vá. Não me deixe assim," ele implorou, estendendo a mão em sua direção. "Eu não te amo menos por causa disso. Pelo contrário, eu te amo mais. Porque você é a luz que eu sempre busquei, e a verdade... a verdade, mesmo que dolorosa, é o único caminho para a cura."

"Cura? Como se cura um coração dilacerado pela traição, Eduardo? Como se cura a dor de saber que o amor que você sentiu era construído sobre as ruínas da vida de quem você mais amou?" As lágrimas finalmente começaram a rolar, quentes e amargas em seu rosto. "Eu preciso de tempo. Preciso de espaço. Preciso descobrir quem eu sou, sem todas essas máscaras, sem todas essas mentiras."

Ela deu um passo para trás, seus olhos fixos nos dele, uma mistura de desespero e determinação. "E quando eu descobrir, talvez eu possa te dizer se ainda existe um lugar para você em minha vida. Mas, por agora... por agora, eu preciso ficar sozinha."

Com essas palavras, Helena se virou e entrou na mansão, deixando Eduardo sozinho na varanda, sob a chuva que parecia lavar o mundo, mas que em seu coração só aumentava a sensação de desespero e solidão. A noite escura engolia a esperança, e a trama de suas vidas parecia se afundar ainda mais nas sombras, com um futuro incerto e um passado que se recusava a ser esquecido. As paredes da mansão pareciam sussurrar os segredos que a verdade recém-revelada havia desenterrado, e o peso do amor e da culpa se tornava quase insuportável.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%