Cap. 7 / 21

Amor nas Alturas

Capítulo 7 — O Mistério Revelado na Mansão Abandonada

por Valentina Oliveira

Capítulo 7 — O Mistério Revelado na Mansão Abandonada

O sol da manhã em Paraty pintava as casas coloniais com tons dourados, mas a atmosfera na mansão abandonada na encosta da serra era de um cinza sombrio e opressivo. Poeira empoeirada cobria os móveis antigos, e teias de aranha adornavam os cantos, transformando o lugar em um eco silencioso de tempos passados. O cheiro de mofo e umidade pairava no ar, misturado a uma fragrância sutil e quase esquecida de lavanda, que Isabela jurava reconhecer.

Após o beijo intenso e a conversa reveladora na noite anterior, Miguel e Isabela sentiram que não podiam mais adiar a investigação. A carta, a menção ao projeto secreto, o medo de roubo – tudo apontava para a necessidade de desenterrar o passado. Miguel, munido de um mapa antigo que encontrou nos pertences do pai, e Isabela, guiada por uma intuição forte e pela saudade do avô, chegaram à mansão que, segundo os boatos, pertenceu a um velho amigo de seu avô, um arquiteto com quem ele colaborava em segredo.

"Você tem certeza que é aqui, Miguel?", Isabela perguntou, a voz baixa, ecoando pelo vasto hall de entrada, onde uma escadaria imponente subia em direção à escuridão do segundo andar. O silêncio era perturbador, apenas quebrado pelo ranger de suas próprias pisadas na madeira envelhecida.

Miguel assentiu, um mapa amassado em sua mão. "Segundo isso, sim. Meu pai raramente falava sobre esse amigo, o senhor Armando. Mas quando falava, era com um certo respeito, e um toque de melancolia. Dizia que ele se isolou depois de um... infortúnio."

Isabela percorreu com o olhar os retratos empoeirados nas paredes, rostos esquecidos de semblantes severos. O ar era denso, carregado de uma história que ela sentia pulsando ao seu redor. "Infortúnio? Que tipo de infortúnio?"

"Eu não sei. Meu pai era reservado sobre esses assuntos. Mas a ligação dele com o seu avô, e essa carta... algo me diz que a resposta está aqui." Miguel olhou em volta, seus olhos percorrendo cada detalhe como um detetive experiente. A paixão que ele sentia por Isabela se transformava agora em uma determinação feroz de protegê-la, de desvendar a verdade para ela.

Eles começaram a explorar os cômodos, cada um revelando um cenário de abandono e esquecimento. A sala de estar, outrora suntuosa, agora ostentava um piano de cauda coberto por um lençol empoeirado, com as teclas amareladas parecendo sorrir em um eco mudo de melodias perdidas. Na biblioteca, livros antigos se empilhavam em prateleiras, suas capas desbotadas contando histórias de sabedoria esquecida.

Foi na sala de jantar que Isabela encontrou a primeira pista significativa. Uma mesa posta com louça fina, como se a refeição tivesse sido interrompida abruptamente. Ao lado de um prato, um guardanapo de linho levemente amarrotado, e sobre ele, um pequeno medalhão de prata com a gravação de um pássaro estilizado, um símbolo que Isabela reconheceu de imediato.

"Miguel!", ela exclamou, pegando o medalhão com dedos trêmulos. "Esse pássaro... é o símbolo que meu avô usava em seus desenhos. Ele o chamava de 'o mensageiro'. Ele o desenhava em todos os seus projetos importantes."

Miguel se aproximou, seus olhos fixos no medalhão. A peça parecia familiar, como se ele já a tivesse visto em alguma foto antiga do pai. "O mensageiro... Interessante. Parece que o seu avô e o senhor Armando compartilhavam mais do que apenas a paixão pela arquitetura."

Eles continuaram a busca, a esperança renovada impulsionando-os. A sensação de que estavam pisando em terreno sagrado, onde segredos de família se misturavam a paixões antigas, era palpável. Finalmente, no escritório do senhor Armando, escondido atrás de uma estante de livros giratória, eles encontraram uma porta secreta.

"Uma passagem secreta! Seu avô e o senhor Armando realmente gostavam de drama", Miguel brincou, mas a tensão em sua voz era evidente. Ele empurrou a porta, que rangeu em protesto, revelando um pequeno cômodo escuro e abafado.

O cômodo era surpreendentemente intacto, como se o tempo tivesse parado ali. Havia uma mesa de desenho com rolos de plantas e desenhos espalhados, e um cavalete com uma tela ainda inacabada. No centro da mesa, uma caixa de madeira entalhada.

"Isso deve ser...", Isabela começou, a voz embargada.

Miguel pegou a caixa, sentindo o peso da história em suas mãos. Ele a abriu com cuidado. Dentro, não havia joias ou dinheiro, mas sim um conjunto de desenhos e anotações, todos relacionados a um projeto monumental: a concepção de um edifício que parecia desafiar as leis da física, com formas orgânicas e linhas fluidas, algo que Isabela nunca vira em nenhuma das obras conhecidas de seu avô. E, entre os desenhos, a carta. A carta que ele havia visto no escritório de seu pai.

Ele a pegou e começou a ler em voz alta, sua voz ecoando no silêncio do cômodo. A carta era datada de muitos anos atrás, escrita com a caligrafia elegante de seu avô.

"Caro Armando," ele leu. "Escrevo com o coração apertado, mas a verdade precisa ser dita. Nosso projeto, a 'Aurora', como a batizamos, é mais do que uma obra arquitetônica. É uma promessa de um futuro mais justo, onde a beleza e a funcionalidade se unem para criar um lar para todos. Mas temo que nossa visão esteja sendo distorcida. A proposta de investidores que você mencionou, com suas exigências de modificação e foco no lucro, me assusta. Tenho receio de que a essência da 'Aurora' seja corrompida, que ela se torne apenas mais um empreendimento predatório, e não o santuário que idealizamos. Peço que reconsidere. Nossa amizade vale mais do que qualquer sucesso financeiro. Mas se eles insistirem, se a integridade da 'Aurora' estiver em risco, eu não terei escolha senão... protegê-la. Por todos os meios necessários. Com esperança e apreensão, Seu amigo, [Nome do Avô de Isabela]."

Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Aurora... o nome do projeto. E a proposta dos investidores... Você acha que foi aí que tudo começou, Miguel? Que a família [Sobrenome da Família de Miguel] estava envolvida nesse projeto?"

Miguel assentiu, sua mente trabalhando a mil por hora. "Meu pai sempre foi um homem de negócios, mas nunca de explorar os outros. Ele valorizava a integridade. Se ele tinha essa carta, se ele guardava esses desenhos, é porque ele sabia a importância do que estava em jogo. E se o seu avô falou em 'proteger por todos os meios necessários', algo grave deve ter acontecido."

Ele pegou outro conjunto de anotações, estas escritas em um tom mais desesperado. Falavam sobre a pressão para vender os direitos autorais, sobre ameaças veladas, e sobre a necessidade de esconder os planos originais para que eles não fossem roubados ou alterados.

"Parece que eles queriam o projeto para si, Isabela", Miguel disse, a voz grave. "Queriam o que seu avô e o senhor Armando criaram, mas para fins egoístas. E seu avô, em sua nobreza, se recusou a ceder."

De repente, um barulho alto vindo do andar de baixo interrompeu a investigação. Era o som de vidro quebrando, seguido por passos apressados. O medo tomou conta deles. Alguém estava na mansão com eles.

"Quem está aí?", Miguel gritou, colocando-se protetoramente à frente de Isabela.

Nenhuma resposta. Apenas o som de alguém vasculhando os cômodos. Eles precisavam sair dali, e rápido. Miguel pegou a caixa com os desenhos e a carta, enquanto Isabela, com o medalhão do "mensageiro" seguro em sua mão, olhava para a passagem secreta, decidida a não deixar que o legado de seu avô se perdesse. A verdade sobre a "Aurora" estava começando a se desvendar, mas a que preço? E quem eram os predadores que ainda rondavam as sombras, determinados a roubar os sonhos de dois homens visionários? A aventura deles estava apenas começando, e o perigo era muito mais real do que eles imaginavam.

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