Cap. 8 / 21

Amor nas Alturas

Capítulo 8 — A Sombra do Passado e o Preço da Verdade

por Valentina Oliveira

Capítulo 8 — A Sombra do Passado e o Preço da Verdade

O som estrondoso do vidro quebrando no andar de baixo ecoou pela mansão abandonada, transformando o silêncio investigativo em um silêncio de medo. Miguel e Isabela se entreolharam, a adrenalina correndo em suas veias. Aquela busca por respostas havia se transformado em uma fuga iminente.

"Precisamos sair daqui", Miguel sussurrou, sua voz tensa. Ele fechou a caixa com os desenhos e a carta, abraçando-a contra o peito como se fosse um tesouro precioso.

Isabela, com o medalhão do "mensageiro" firmemente apertado em sua mão, assentiu. A imagem do seu avô, um homem de princípios inabaláveis, lutando para proteger sua criação, a "Aurora", da ganância alheia, a enchia de uma mistura de orgulho e raiva. Ela não permitiria que a verdade fosse enterrada.

Eles se moveram com a cautela de quem tenta escapar de um predador. O som dos passos no andar de baixo se aproximava, irregular e desajeitado, mas inconfundível. Parecia alguém que não estava acostumado a se mover em ambientes tão antigos e labirínticos.

"Por aqui", Miguel indicou a passagem secreta, seus olhos buscando a saída. Eles se espremeram pelo corredor estreito, o ar rarefeito e a escuridão completa testando seus nervos. Os sons da perseguição pareciam ficar mais distantes, mas a sensação de serem observados persistia.

Quando emergiram de volta ao hall de entrada principal, a luz fraca da tarde que entrava pelas janelas empoeiradas revelou uma figura solitária parada perto da porta principal, encapuzada e de costas para eles. A figura se virou lentamente ao ouvir o som de seus passos.

Era um homem, de meia-idade, com um olhar desconfiado e um semblante cansado. Seus olhos, no entanto, eram penetrantes, e pareciam vasculhar cada centímetro do ambiente, como se procurasse algo que havia sido roubado.

"Quem são vocês?", a voz dele era áspera, carregada de uma raiva contida. "O que estão fazendo aqui?"

Miguel, ainda protegendo a caixa, deu um passo à frente. "Somos... exploradores. Estamos interessados na história desta casa."

O homem soltou uma risada seca e sem humor. "História? Esta casa não tem mais história. Só ruínas. E vocês não parecem ter autorização para invadir a propriedade alheia."

Isabela sentiu um aperto no estômago. Aquele homem parecia saber que eles não eram meros curiosos. Havia algo em seus olhos, uma familiaridade sombria, que a perturbava. "A senhora Dona Eugênia nos permitiu entrar", ela mentiu, agarrando-se à primeira desculpa que lhe veio à mente. "Ela é a proprietária. Está nos ajudando a catalogar a história da arquitetura da região."

O homem a olhou com mais atenção, seus olhos fixando-se no medalhão que ela segurava. Um brilho de reconhecimento, misturado com algo parecido com ganância, cruzou seu rosto. "O mensageiro", ele murmurou, sua voz mal audível. "Você tem o símbolo. Onde o encontrou?"

O coração de Isabela gelou. Aquele homem sabia. Ele sabia do projeto, do símbolo. "Eu... encontrei na sala de jantar", ela respondeu, tentando manter a calma, mas sentindo o medo crescer.

"Interessante", ele disse, dando um passo em direção a eles. "Muito interessante. Talvez vocês tenham encontrado mais do que apenas 'história'." Ele olhou para a caixa que Miguel segurava. "E o que vocês têm aí? Projetos? Mapas? Algo que pertenceu ao senhor Armando?"

Miguel se manteve firme. "Não é da sua conta. E nós estamos indo embora."

O homem riu novamente, um som frio e desprovido de qualquer calor. "Vocês acham que podem simplesmente entrar aqui, mexer nas coisas e sair como se nada tivesse acontecido? Essa casa guarda segredos, segredos que muita gente quer manter enterrados. E eu... eu sou um guardião desses segredos." Ele tirou do bolso um pequeno dispositivo eletrônico. "E se vocês não me entregarem o que encontraram, serei forçado a chamar reforços."

A ameaça era clara. Aquele homem não era apenas um invasor aleatório; ele estava ali por um motivo específico, provavelmente ligado ao conteúdo da caixa.

"Reforços?", Miguel questionou, a voz firme. "Quem são vocês realmente? E o que você quer com os projetos do meu pai e do avô de Isabela?"

A menção ao pai de Miguel pegou o homem de surpresa. Uma ruga de confusão se formou em sua testa. "Seu pai? O que seu pai tem a ver com isso?"

Miguel sabia que precisava jogar com cuidado. Ele não podia revelar tudo o que sabia, nem quanto sabia. "Meu pai era amigo do senhor Armando. Ele tinha interesse nesses projetos. E eu... eu estou apenas cumprindo um desejo dele."

O homem os observou por um longo momento, avaliando suas palavras, seus olhares. A hesitação em seu rosto sugeria que ele não era tão confiante quanto aparentava.

"Vocês não entendem o que está em jogo", ele finalmente disse, baixando o dispositivo. "A 'Aurora' não é apenas um edifício. É uma ideia. Uma ideia perigosa, se cair nas mãos erradas. Seu avô era um idealista. E idealistas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de suas próprias visões."

"Nós queremos a verdade", Isabela disse, a voz cheia de convicção. "Queremos saber o que aconteceu com o projeto e por que ele foi escondido."

"A verdade tem um preço", o homem respondeu, um sorriso sombrio em seus lábios. "E às vezes, esse preço é muito alto. Vocês podem ter libertado um fantasma, crianças. Um fantasma que pode assombrar todos nós." Ele deu um passo para trás, indicando que não os impediria de sair. "Vão. Mas saibam que vocês não são os únicos interessados nos segredos desta casa. E que a família [Sobrenome da Família de Miguel] tem um histórico complexo com este lugar. Um histórico que vocês talvez não queiram desenterrar."

Com essa advertência enigmática, o homem se virou e desapareceu em meio às sombras do corredor, deixando Miguel e Isabela sozinhos com a caixa de segredos e a sensação perturbadora de que a verdade que buscavam estava intrinsecamente ligada a um passado sombrio, onde as linhas entre família, ambição e traição eram perigosamente tênues.

Eles saíram da mansão, o sol da tarde agora tingido de um tom alaranjado e melancólico. O cheiro de mofo e lavanda parecia pairar em suas roupas, um lembrete constante da escuridão que haviam acabado de deixar para trás.

"O que ele quis dizer com 'a família [Sobrenome da Família de Miguel] tem um histórico complexo com este lugar'?", Isabela perguntou, sua voz carregada de apreensão.

Miguel balançou a cabeça, a expressão pensativa. "Eu não sei, Bela. Meu pai nunca mencionou essa casa, nem o senhor Armando, de forma tão explícita. Mas se ele guardava essa carta, se ele se importava com essa história, então ele sabia de algo. Algo que esse homem parecia conhecer e tentar esconder." Ele olhou para a caixa. "A 'Aurora'. Um projeto genial, um ideal nobre, e agora, uma fonte de perigo. Precisamos descobrir mais sobre o que aconteceu. Precisamos desvendar quem era esse homem, e qual era a verdadeira conexão da minha família com a 'Aurora'."

Eles voltaram para a pousada, a cidade de Paraty parecendo um palco de beleza contrastante com a escuridão que os envolvia. A conversa com o homem na mansão, suas palavras crípticas e a advertência sobre o passado, plantaram uma semente de dúvida e medo no coração de Miguel. Ele se sentia cada vez mais mergulhado em um mistério que envolvia não apenas o avô de Isabela, mas também seu próprio pai e a história de sua família. A verdade, ele percebia, era um labirinto complexo, e cada passo em direção a ela parecia levá-los mais fundo em um território perigoso e desconhecido. O "mensageiro" que seu avô tanto amava parecia ter trazido consigo um presságio de tempestade.

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