A Noiva do Bilionário

Capítulo 10 — A Confrontação e o Dilema do Coração

por Camila Costa

Capítulo 10 — A Confrontação e o Dilema do Coração

A notícia que seu pai lhe dera ecoava na mente de Isabela como um trovão distante, mas insistente. As palavras "destruir pessoas", "apropriou-se de ideias", "desapareceu misteriosamente" a assombravam, sobrepondo-se às memórias recentes do jantar romântico, dos beijos apaixonados, das promessas de amor. Victor Magnata, o homem que ela acreditava ser seu futuro, agora parecia envolto em uma névoa de suspeita e perigo.

Ela passou o dia em um estado de torpor, tentando conciliar as duas realidades. De um lado, o Victor gentil, atencioso, que a fizera se sentir amada e segura. Do outro, a figura sombria que seu pai descrevera, um homem implacável, capaz de tragar a vida de outros em sua busca incessante por poder. Era como estar presa entre o céu e o inferno, sem saber para onde correr.

Naquela noite, ela estava marcada para sair com Victor novamente. Um convite para um evento de caridade, uma oportunidade de desfilar o amor que parecia ter florescido tão rapidamente. Mas agora, a ideia a enchia de apreensão. Como ela poderia fingir normalidade, como poderia olhá-lo nos olhos e não ver a sombra das acusações pairando sobre ele?

Ela decidiu que precisava confrontá-lo. Não podia continuar vivendo naquela incerteza, com o coração dividida entre o amor e a desconfiança. Se Victor era realmente o homem que ela amava, ele seria capaz de explicar, de esclarecer. E se não fosse... bem, então ela precisaria ser forte o suficiente para se afastar.

Victor a esperava em frente ao salão de eventos, imponente em seu smoking. Ele sorriu ao vê-la, um sorriso radiante que, por um breve instante, dissipou a escuridão que a envolvia. Mas, ao se aproximar, Isabela sentiu a força da sua determinação.

"Victor", ela disse, sua voz firme, apesar do nervosismo que a percorria. "Precisamos conversar. Agora."

Seu tom o pegou de surpresa. O sorriso de Victor vacilou por um instante, substituído por uma expressão de leve confusão. "Claro, Isa. O que houve?"

"Não aqui", ela respondeu, olhando para o fluxo de convidados que entravam no salão. "Precisamos de um lugar mais reservado."

Ele a olhou por um longo momento, seus olhos azuis tentando decifrar o que se passava em sua mente. Finalmente, ele assentiu. "Tudo bem. Vamos para o meu escritório, aqui perto. É mais discreto."

No luxuoso escritório de Victor, com vista para a cidade cintilante, a tensão era palpável. Isabela permaneceu em pé, com os braços cruzados, enquanto Victor se sentava em sua imponente mesa.

"O que você quer me dizer, Isa?", ele perguntou, sua voz mais séria agora.

Isabela respirou fundo. "Meu pai, o Dr. Armando Ribeiro, me contou algo hoje. Algo sobre você. Sobre o início da sua carreira."

O semblante de Victor se fechou. A frieza que Isabela tanto aprendera a reconhecer em seus primeiros encontros voltou com força total. Ele não disse nada, apenas a encarou, esperando que ela continuasse.

"Ele me contou sobre um jovem empreendedor", Isabela prosseguiu, a voz trêmula. "Alguém que teve uma ideia brilhante, que apresentou a você. E que depois... desapareceu. E você lançou o projeto dele, Victor. É verdade?"

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Victor permaneceu imóvel, seus olhos fixos nos dela, como se tentasse ler sua alma. O relógio na parede marcava os segundos lentamente, aumentando a agonia de Isabela.

Finalmente, Victor se levantou e caminhou até a janela, olhando para as luzes da cidade. "Seu pai é um homem bom, Isa. Ele se preocupa com você. Mas, às vezes, a preocupação pode distorcer a realidade."

"Então, não é verdade?", Isabela perguntou, um fio de esperança se acendendo em seu peito.

Victor se virou para ela, seu olhar intenso. "A verdade, Isa, é sempre mais complexa do que parece. O mundo dos negócios é implacável. Eu comecei do nada. Lutei contra tudo e contra todos para chegar onde cheguei."

"Mas você destruiu alguém para isso, Victor?", ela insistiu, a voz embargada. "Você tirou o projeto de alguém? Você causou o desaparecimento de alguém?"

Ele deu um passo em direção a ela, e pela primeira vez, Isabela sentiu um medo genuíno dele. Havia algo em seus olhos que a assustava, uma escuridão que ela não conseguia decifrar.

"Eu lutei por tudo o que tenho, Isa", ele disse, sua voz baixa e grave. "E não me arrependo de nada. O mundo não perdoa os fracos. E eu nunca fui fraco."

A resposta dele não era uma negação direta, mas uma afirmação de sua própria força, de sua própria moralidade distorcida. Ela percebeu, com um aperto no coração, que seu pai estava certo. Havia uma parte de Victor que ela não conhecia, uma parte sombria e implacável que ele mantinha oculta.

"Então... é verdade", ela sussurrou, sentindo as lágrimas rolarem livremente agora. "Você... você é capaz de fazer isso."

Victor deu um passo à frente, tentando segurar seu rosto. "Isa, o que importa é o agora. O que nós temos. Eu te amo. E não deixarei que boatos e fantasmas do passado interfiram nisso."

Mas Isabela se afastou, o toque dele parecendo queimar sua pele. "Como posso acreditar em você, Victor? Como posso amar um homem que, por trás de todo o seu sucesso, esconde tamanha crueldade?"

"A crueldade, Isa, muitas vezes é necessária para sobreviver", ele disse, sua voz dura. "E eu fiz o que era preciso. Mas com você... eu sou diferente. Você me faz querer ser um homem melhor."

O dilema a consumia. O homem que ela amava estava ali, pedindo sua confiança, jurando amor. Mas as sombras do passado, as revelações perturbadoras, a impediam de acreditar plenamente. Ela se lembrava da dor que Ricardo lhe causara, e o medo de passar por aquilo novamente, de se entregar a um homem que poderia ser capaz de tanta maldade, era paralisante.

"Eu não posso, Victor", ela disse, sua voz embargada pela dor. "Eu não posso ignorar isso. Eu preciso de tempo. Eu preciso pensar."

Victor a olhou por um longo momento, seus olhos azuis frios e calculistas. A ternura havia desaparecido, substituída pela decepção e pela raiva contida. "Tempo para quê, Isa? Para ouvir mais fofocas? Para deixar que as sombras do passado destruam o que nós construímos?"

"Tempo para entender quem você realmente é", ela respondeu, sentindo uma força inesperada brotar dentro dela. Ela não era mais a garota ingênua que se machucara facilmente. Ela havia aprendido, ela havia crescido.

Victor deu um passo para trás, um sorriso irônico brincando em seus lábios. "Se é isso que você precisa, então vá. Mas saiba, Isa, que você está deixando para trás algo raro. Algo que talvez nunca mais encontre."

Isabela o olhou pela última vez, com o coração partido, mas com a certeza de que precisava fazer a coisa certa. Ela se virou e saiu do escritório, deixando Victor Magnata sozinho com suas sombras e suas ambições. A noite, que prometia ser de celebração, terminara em uma confrontação dolorosa. E Isabela sabia que o caminho à frente seria solitário, mas necessário. Ela precisava encontrar a verdade, antes de poder sequer pensar em amar novamente.

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