A Noiva do Bilionário
A Noiva do Bilionário
por Camila Costa
A Noiva do Bilionário
Autor: Camila Costa
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Capítulo 11 — O Sussurro da Traição e o Gelo no Coração
A noite que se seguiu ao jantar com o Sr. Valério foi um borrão de ansiedade para Isabella. A revelação perturbadora sobre a possível armação de Sofia pairava como uma nuvem negra em sua mente, obscurecendo a brisa leve do romance que começava a florescer entre ela e Ricardo. O aroma das rosas do jardim parecia agora tingido de um leve perfume de engano, e cada sombra na mansão parecia esconder um segredo.
Ela revirava-se na cama macia, o colchão luxuoso de nada valia contra a inquietação que a consumia. Os olhos de Ricardo, tão sinceros e cheios de desejo naquela noite, eram um contraste agudo com a imagem de Sofia, a amiga que ela um dia confiou, a mulher que, segundo Valério, poderia estar manipulando tudo. O bilionário, com sua voz grave e penetrante, havia plantado uma semente de dúvida que, para seu desespero, já germinava com força em seu peito.
"Sofia... por quê?", murmurou Isabella para o silêncio do quarto, a voz embargada. Lembrou-se das risadas compartilhadas, dos segredos sussurrados, dos planos futuros que tantas vezes discutiram. Sofia era sua confidente, sua sister, a pessoa em quem ela depositava a mais pura confiança. A ideia de que essa confiança pudesse ter sido traída, de que Sofia pudesse estar agindo nas sombras, era quase insuportável.
Seus pensamentos vagavam para o bilionário. O Sr. Valério. Ele parecia genuinamente preocupado com ela. Mas seria ele confiável? Sua história com Ricardo era de rivalidade, de negócios obscuros. Poderia ele estar usando essa história para desestabilizar Ricardo, e ela, Isabella, era apenas uma peça nesse jogo perigoso? A mente de Isabella era um campo de batalha, onde a verdade e a mentira travavam um combate feroz.
Ao amanhecer, com o sol ainda tímido pintando o céu de tons pastéis, Isabella desceu para o café da manhã. A mansão estava silenciosa, apenas o burburinho suave da cozinha e o canto dos pássaros quebrava a paz matinal. Ricardo já estava na sala de jantar, imerso em papéis, o olhar concentrado, mas com um leve sorriso nos lábios ao avistar Isabella.
"Bom dia, meu amor", disse ele, levantando-se para recebê-la com um beijo suave nos lábios. O toque dele, tão reconfortante, era um bálsamo para sua alma turbulenta. Por um instante, a dúvida vacilou. Mas a imagem do olhar de Valério, a seriedade em sua voz, retornaram com força.
"Bom dia, Ricardo", respondeu ela, retribuindo o beijo, mas sem a mesma entrega de sempre. Sentiu o aperto de sua mão, a preocupação em seus olhos.
"Você parece distante hoje", comentou ele, conduzindo-a à mesa. "Algum pesadelo?"
Isabella sentiu um nó na garganta. Como explicar o que sentia sem parecer paranoica ou desconfiada? Ela não tinha provas concretas contra Sofia, apenas as palavras de um homem com quem Ricardo tinha um histórico complicado.
"Não, só... pensei demais", ela respondeu evasivamente, servindo-se de um café fumegante. O aroma forte da bebida não era suficiente para afastar a amargura que a corroía.
Ricardo a observou atentamente. "Pensou em quê, meu bem? Se for sobre o que o Sr. Valério disse ontem à noite, não se preocupe. Ele é um homem com seus próprios interesses, sabe como é."
"Mas e se ele estiver dizendo a verdade, Ricardo?", a pergunta escapou antes que ela pudesse contê-la. A audácia de sua própria pergunta a assustou.
Ricardo franziu a testa, sua expressão mudando de carinho para uma cautela sutil. "A verdade sobre o quê, especificamente?"
Isabella hesitou. A confiança em seus olhos era tão palpável que ela quase cedeu. Mas o sussurro da traição era mais alto. Ela decidiu por um caminho mais indireto.
"Sobre... Sofia. Ele insinuou que ela não era quem dizia ser. Que ela tinha... segundas intenções."
Ricardo suspirou, um som de resignação. "Isabella, Valério tenta manipular todos ao seu redor. Ele não gosta de Sofia porque ela é uma das poucas pessoas que não se curva à sua vontade. Ele também não gosta de mim. Ele está tentando nos separar, criar desconfiança."
"Mas e se ele estiver certo?", insistiu Isabella, sua voz ganhando um tom mais urgente. "E se Sofia estiver usando você? Usando essa história toda para atingir algum objetivo dela?"
O olhar de Ricardo endureceu levemente. A paciência em seus olhos dava lugar a uma ponta de frustração. "Isabella, eu sei que Valério te assustou. Mas ele está mentindo. Sofia é sua amiga. Confie nela."
"Eu confiava", disse Isabella, a voz embargada. "Mas agora... eu não sei mais em quem confiar. O que Valério disse fez sentido. Ele mencionou coisas sobre o passado de Sofia, coisas que ela nunca me contou."
Ricardo pegou as mãos dela entre as suas, o toque agora mais firme, quase exigente. "Quais coisas, Isabella? Diga-me. Se há algo que você sabe, ou suspeita, eu preciso saber."
A pressão em sua voz a fez hesitar. Ela não queria trazer mais problemas para Ricardo, não queria que ele se sentisse traído por sua amiga. Mas a necessidade de entender, de desvendar essa teia de mentiras, era avassaladora.
"Ele disse que Sofia... que ela não era tão pura quanto parecia. Que ela teve um envolvimento com um homem muito influente no passado, um homem que poderia querer se vingar de você. E que ela pode estar te manipulando para se proteger." As palavras saíram em um sussurro, carregadas de dor e confusão.
Ricardo soltou as mãos dela com um sobressalto. Seus olhos se arregalaram por um instante, um lampejo de algo que Isabella não conseguiu decifrar – surpresa? Raiva? Medo?
"Isso é um absurdo!", exclamou ele, levantando-se abruptamente e começando a andar pela sala. "Valério está inventando histórias para te assustar! Sofia nunca se envolveria com alguém que pudesse te machucar!"
"Mas e se for verdade, Ricardo? E se ela estiver escondendo algo de nós dois? Algo que pode nos prejudicar gravemente?" A voz de Isabella tremeu. O frio que sentia não vinha do ar condicionado da mansão, mas de dentro de si. O gelo da desconfiança começava a congelar seu coração.
Ricardo parou de andar e se virou para ela, o rosto pálido. "Isabella, escute. Valério é um mestre em criar intrigas. Ele está usando suas inseguranças contra você. Sofia é leal. Eu confio nela. E eu preciso que você confie em mim e nela."
"Mas e se a sua confiança estiver sendo cega, Ricardo?", a pergunta ecoou no silêncio tenso. Isabella via a confusão nos olhos dele, a luta entre a confiança que ele depositava em Sofia e as palavras de Valério, agora amplificadas pelas dúvidas dela.
"Eu não posso acreditar que Sofia faria isso", disse Ricardo, a voz mais baixa, quase para si mesmo. "Eu a conheço há anos. Ela sempre esteve ao meu lado."
"E você me conhece há quanto tempo, Ricardo?", a pergunta de Isabella foi um golpe baixo, um reflexo de sua própria dor e insegurança. As palavras saíram com uma amargura que ela não esperava.
Ricardo a olhou, seus olhos escuros fixos nos dela. A dor em seu rosto era palpável. Ele a amava, ela sabia disso. Mas as dúvidas plantadas por Valério, agora regadas pelas próprias inseguranças de Isabella, estavam criando um abismo entre eles. A lealdade de Sofia, a confiabilidade de Valério, a própria verdade – tudo se tornava incerto.
O café da manhã, que deveria ter sido um momento de intimidade e carinho, transformou-se em um campo de batalha silencioso. A confiança que eles tanto lutaram para construir estava sob ataque. E Isabella, no centro dessa tempestade, sentia o gelo se instalar em seu coração, um presságio sombrio do que estava por vir. A sombra do passado de Sofia, projetada pelas palavras de Valério, agora obscurecia o presente, lançando uma névoa de incerteza sobre o futuro de seu amor com Ricardo.