A Noiva do Bilionário

Capítulo 12 — O Labirinto de Sofia e a Coragem Desesperada

por Camila Costa

Capítulo 12 — O Labirinto de Sofia e a Coragem Desesperada

A tensão entre Isabella e Ricardo após a conversa matinal pairava como uma aura palpável na mansão. O silêncio, antes reconfortante, agora soava carregado de palavras não ditas, de suspeitas que rastejavam pelas frestas do carinho. Isabella se sentia dividida, um pedaço dela ainda confiava cegamente em Sofia, a amiga de tantos anos, enquanto outro pedaço, assustado e ferido, ecoava as advertências do Sr. Valério.

Ela tentou se concentrar em suas tarefas, mas cada movimento parecia ecoar a angústia em seu peito. O aroma das flores do jardim, que antes a acalmava, agora parecia sufocante, quase como se tentasse mascarar um odor de podridão. Ricardo, por sua vez, parecia mergulhado em seus negócios, mas Isabella notava os olhares furtivos que ele lhe lançava, carregados de preocupação e uma frustração velada. Ele não acreditava em Valério, e esperava que ela também não acreditasse.

"Eu preciso falar com a Sofia", decidiu Isabella, a voz tremendo ligeiramente. Era a única maneira de dissipar essa nuvem de incerteza. Se Sofia pudesse esclarecer as insinuações de Valério, talvez tudo voltasse ao normal. Talvez sua confiança em Ricardo e em sua amiga pudesse ser restaurada.

Ela pegou o celular, os dedos pairando sobre o nome de Sofia na lista de contatos. Havia uma relutância em discar, um medo do que ela poderia encontrar. E se Valério estivesse certo? E se Sofia a confrontasse com mentiras elaboradas, com um disfarce perfeito?

Finalmente, com um suspiro profundo, ela discou. O telefone tocou, cada toque parecendo um martelar em seu peito.

"Alô?", a voz de Sofia soou, surpreendentemente leve e animada. "Bella, que surpresa boa! Como você está?"

A naturalidade na voz de Sofia foi um choque para Isabella. Era a voz de uma amiga preocupada, sem um pingo de culpa ou hesitação. Talvez Valério tivesse mentido. Talvez ela estivesse sucumbindo à paranoia.

"Sofia, eu... eu preciso falar com você", Isabella começou, a voz ainda hesitante. "É algo importante. Podemos nos encontrar?"

Sofia não hesitou. "Claro! Onde e quando? Estou livre agora, se quiser vir aqui."

"Não, é melhor eu ir até você. Na sua casa. Pode ser?" Isabella sentiu um alívio fugaz. A disposição de Sofia em se encontrar pessoalmente era um bom sinal.

"Claro, meu bem. Venha, ficarei feliz em te ver. Te espero."

O encontro com Sofia foi marcado para a tarde. Isabella passou as horas seguintes em um estado de apreensão constante. Ela repassou as palavras de Valério em sua mente, tentando encontrar falhas na história, mas a ambiguidade intencional de suas insinuações as tornava ainda mais perturbadoras.

Ao chegar à casa de Sofia, uma elegante cobertura com vista para o mar, Isabella sentiu um nó no estômago se apertar. A porta se abriu e Sofia apareceu, radiante, com um sorriso caloroso que costumava confortá-la.

"Bella! Que bom te ver!", disse Sofia, abraçando-a calorosamente. "Entre, por favor. Um chá? Um café?"

"Chá seria ótimo, obrigada", respondeu Isabella, tentando manter a voz firme.

Enquanto Sofia preparava o chá na cozinha moderna e impecável, Isabella observava ao redor. Tudo parecia perfeito, a casa refletindo o sucesso e a sofisticação de sua amiga. Mas a sombra da dúvida persistia.

Sentaram-se na sala de estar, o sol da tarde iluminando o ambiente com uma luz dourada. Isabella bebeu o chá, suas mãos tremendo levemente. Ela decidiu ir direto ao ponto, sem rodeios.

"Sofia, preciso te perguntar algo. Algo que o Sr. Valério disse ontem à noite."

O sorriso de Sofia vacilou por um instante, mas ela rapidamente se recompôs. "Valério? O que aquele homem disse agora?" Havia um tom de desprezo em sua voz que Isabella reconheceu, mas que, estranhamente, não a acalmou completamente.

"Ele insinuou que você... que você não é quem diz ser. Que você teve um envolvimento com um homem influente no passado, alguém que poderia querer se vingar de Ricardo. E que você está usando essa situação para se proteger, ou para algum outro propósito." As palavras saíram em um fluxo rápido, carregadas de ansiedade.

Sofia ficou em silêncio por um momento, o olhar fixo em Isabella. Não havia raiva em seus olhos, mas uma profunda tristeza.

"Bella, eu não sei o que Valério te disse exatamente, mas ele está mentindo. Ou, pelo menos, distorcendo a verdade de forma cruel." Sofia pegou as mãos de Isabella, seu toque firme e reconfortante. "Sim, eu tive um envolvimento no passado. Um envolvimento complicado e doloroso que eu nunca quis que você soubesse, porque não queria te preocupar. Mas não é o que Valério sugere."

Isabella a olhou nos olhos, procurando um vislumbre de falsidade, mas encontrou apenas sinceridade.

"Fui casada por um tempo com um homem muito poderoso, um homem que não era como Ricardo", Sofia continuou, a voz baixa e embargada. "Ele era controlador, possessivo. Nosso casamento foi um erro, um erro que eu cometi quando era jovem e ingênua. Eu sofri muito com ele. Consegui me libertar, mas ele nunca aceitou o divórcio. Ele me perseguiu por um tempo, ameaçou minha família. Foi um pesadelo."

O coração de Isabella apertou. A história de Sofia era chocante, mas soava genuína.

"O Sr. Valério sabia disso?", perguntou Isabella, a esperança renascendo em seu peito.

"Eu não tenho certeza de como ele soube", respondeu Sofia, suspirando. "Talvez ele tenha seus informantes, talvez ele tenha investigado meu passado. Mas ele está usando isso para nos prejudicar. Ele quer criar desconfiança entre mim e Ricardo, e entre você e Ricardo. Ele sempre quis destruir Ricardo de alguma forma."

"Mas... por que ele faria isso?", Isabella não conseguia entender.

"Porque Valério é um homem amargurado, Bella. Ele perdeu um grande negócio para Ricardo anos atrás, um negócio que ele achava que era dele. Desde então, ele nutre um ódio profundo. Ele vê você como um ponto fraco de Ricardo, e se ele puder te afastar dele, ele acha que vai conseguir machucá-lo." Sofia apertou as mãos de Isabella. "Por favor, acredite em mim, Bella. Eu nunca, jamais, machucaria você ou Ricardo. Eu o amo como um irmão. E você se tornou a irmã que eu nunca tive."

Lágrimas começaram a brotar nos olhos de Isabella. A dor da desconfiança, a culpa por ter duvidado de sua amiga, tudo a atingiu de uma vez.

"Sofia, eu sinto muito", ela sussurrou, a voz embargada. "Eu... eu hesitei. Eu duvidei de você. As palavras de Valério me assustaram."

Sofia a abraçou com força. "Está tudo bem, meu amor. Eu entendo. Valério é um manipulador habilidoso. Ele sabe como plantar a semente da dúvida. O importante é que a verdade veio à tona. E que você veio até mim para esclarecer as coisas."

Elas permaneceram abraçadas por um longo tempo, a força do abraço dissipando a escuridão que havia se instalado. Isabella sentiu uma imensa gratidão por Sofia, e uma profunda vergonha por ter duvidado dela.

Ao sair da casa de Sofia, Isabella sentiu um peso ter sido retirado de seus ombros. O labirinto de dúvidas e medos parecia ter se desfeito. Ela sabia que precisava conversar com Ricardo imediatamente, contar a ele tudo o que Sofia havia revelado, e pedir perdão por sua desconfiança.

Enquanto dirigia de volta para a mansão, Isabella sentiu uma nova determinação crescer dentro dela. Ela não seria mais manipulada por Valério. Ela lutaria pelo amor que sentia por Ricardo, e pela amizade que nutria por Sofia. Era uma coragem desesperada, mas era uma coragem que a impulsionava para frente, em direção à verdade, e em direção a um futuro onde o amor pudesse prevalecer sobre a escuridão. A batalha não estava ganha, ela sabia, mas a primeira trincheira havia sido defendida com sucesso.

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