Cap. 6 / 25

O Homem que Amei

Claro, com todo o prazer! Prepare-se para se perder nas reviravoltas do coração de "O Homem que Amei".

por Ana Clara Ferreira

Claro, com todo o prazer! Prepare-se para se perder nas reviravoltas do coração de "O Homem que Amei".

O Homem que Amei

Capítulo 6 — A Tempestade Desperta na Alma Dourada

O sol, teimoso em seu brilho dourado, tentava penetrar as nuvens carregadas que se avolumavam no horizonte, espelhando a turbulência que tomara conta da alma de Isabella. O retorno a São Paulo, após o breve refúgio em Campos do Jordão, não trouxe a paz esperada, mas sim uma angústia latente, um pressentimento sombrio que se agarrava a ela como a névoa fria da serra. Cada esquina da cidade parecia sussurrar segredos, cada rosto anônimo no burburinho da Avenida Paulista trazia consigo a sombra de um fantasma.

Ela tentava se agarrar à normalidade, à rotina que antes lhe era tão reconfortante. De volta ao escritório de advocacia da família, a frieza do mármore e o cheiro de livros antigos pareciam um abraço familiar, mas algo havia mudado. Seus colegas a olhavam com uma mistura de curiosidade e compaixão, como se pudessem ler em seus olhos o turbilhão que a consumia. Helena, sua assistente fiel e confidente, tentava, com sua habitual discrição, amenizar a carga.

"Doutora Isabella", disse Helena, entrando em sua sala com uma bandeja de café fumegante. "O senhor Almeida ligou novamente. Parece urgente."

Isabella suspirou, sentindo um nó apertar sua garganta. Rafael Almeida. O nome ecoava em sua mente como um sino fúnebre. O ex-sócio de seu pai, o homem por trás daquele silêncio ensurdecedor que pairava sobre a morte de Ricardo. A vontade de enfrentá-lo, de arrancar dele a verdade, era um fogo que a consumia por dentro, mas o medo, esse veneno insidioso, a paralisava.

"Deixe-o esperar, Helena. Tenho que revisar estes contratos", respondeu, a voz um fio. Seus dedos deslizaram pelas páginas amareladas, mas as palavras se embaralhavam, a concentração um luxo que ela não podia mais se permitir. Cada linha de texto parecia se transformar nas palavras de Gabriel, na suavidade de seu toque, na intensidade de seu olhar. Gabriel. A lembrança dele era um bálsamo e uma tortura. Aquele amor improvável, nascido em meio à dor e à desconfiança, era agora a única luz em seu caminho.

O telefone tocou, estridente. Era ele. Isabella hesitou, o coração disparado. Atender ou não atender? A cada toque, uma batalha se travava em seu interior. Finalmente, com os dedos trêmulos, ela atendeu.

"Isabella?" A voz dele, grave e melodiosa, a percorreu como um arrepio.

"Gabriel", sussurrou, a voz embargada. "Eu... eu não estou bem."

Houve um instante de silêncio do outro lado, um silêncio que falava volumes. "Onde você está? Posso ir até aí?"

A urgência em sua voz a confortou. Era como se ele pudesse sentir sua fragilidade à distância. "Estou no escritório. Estou..." Ela não conseguiu terminar a frase.

"Eu vou para aí agora. Não se preocupe. Estou com você."

A promessa, tão simples e tão poderosa, trouxe um alívio momentâneo. Ela desligou, sentindo uma onda de gratidão inundá-la. Gabriel era sua âncora naquele mar revolto. Ela fechou os olhos, tentando encontrar forças. Precisava ser forte. Por ela, por Gabriel, e por um futuro que ainda era incerto.

As horas se arrastaram lentamente. Isabella se dedicou a tarefas banais, tentando preencher o vazio, afastar os pensamentos intrusivos. A imagem de seu pai, sempre tão forte e imponente, contrastava com a fragilidade que sentia agora. O que ele teria pensado de tudo isso? Ele saberia a verdade sobre Almeida?

Ao entardecer, um carro familiar parou em frente ao edifício. Gabriel desceu, seu olhar encontrando o dela na janela do escritório. Havia uma preocupação genuína em seus olhos, um amor que transcendia as palavras. Ele entrou no prédio, e em poucos minutos, estava em sua sala.

"Isabella", ele disse, aproximando-se dela com passos firmes. Ele a envolveu em seus braços, um abraço forte e protetor que a fez sentir-se segura pela primeira vez em dias. Ela se aninhou em seu peito, fechando os olhos, permitindo que as lágrimas que tanto lutou para reprimir finalmente caíssem.

"Eu não aguento mais, Gabriel", ela murmurou, a voz abafada em sua camisa. "Essa sensação de estar sendo observada, esse medo constante... É como se eu estivesse vivendo em um pesadelo."

Ele acariciou seus cabelos. "Eu sei. Mas você não está sozinha. Eu estou aqui."

Eles ficaram assim por um longo tempo, o silêncio preenchido apenas pela respiração um do outro. A tempestade dentro de Isabella parecia se acalmar, impulsionada pela presença serena dele.

"Precisamos ir até o fim com isso, Isabella", disse Gabriel, a voz firme. "Precisamos descobrir o que aconteceu com o seu pai. E precisamos enfrentar Almeida."

Ela levantou a cabeça, o olhar encontrando o dele. Havia uma nova determinação em seus olhos. "Eu sei. Mas como? Ele é um homem poderoso, cheio de influência."

"Nós temos a verdade, Isabella. E a verdade, por mais difícil que seja, tem um poder imenso. Juntos, nós somos mais fortes." Ele segurou seu rosto entre as mãos. "Eu te amo, Isabella. E farei tudo para te proteger e para que você encontre a paz que merece."

As palavras dele, ditas com tanta sinceridade, renovaram suas forças. Ela acreditava nele. Acreditava no amor que os unia. Era esse amor que lhe daria coragem para enfrentar o que quer que viesse.

Naquela noite, eles jantaram em um restaurante discreto, longe dos holofotes. A conversa fluiu, não sobre os problemas, mas sobre o futuro, sobre os sonhos que ainda poderiam realizar. Gabriel a fez rir, a fez esquecer, por um breve momento, a escuridão que os cercava.

Ao se despedirem, um beijo apaixonado selou a promessa de um novo recomeço. Ele a deixou em casa, observando-a entrar no prédio, um guardião silencioso. Isabella subiu para seu apartamento, a mente mais clara, o coração mais leve. A tempestade ainda estava lá, mas agora, ela sabia que não estava sozinha para enfrentá-la. Gabriel era seu farol, sua força, o homem que amava e que a amava de volta, com uma intensidade que a fazia acreditar que, mesmo nas noites mais escuras, o sol sempre voltaria a brilhar.

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