Cap. 9 / 25

O Homem que Amei

Capítulo 9 — A Confrontação e a Fuga da Verdade

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 9 — A Confrontação e a Fuga da Verdade

A verdade, uma vez desenterrada, tinha um poder avassalador. Para Isabella, o diário de seu pai e os documentos incriminatórios eram as armas que ela precisava para desmantelar o império de mentiras construído por Rafael Almeida. A raiva se misturava à dor, mas acima de tudo, havia uma clareza cristalina sobre o que precisava ser feito. A hesitação que antes a paralisava havia desaparecido, substituída por uma determinação fria e calculista.

Gabriel, com sua rede de contatos e sua inteligência aguçada, já havia estabelecido um canal com um jornalista respeitado, conhecido por sua ética e coragem em desmascarar figuras poderosas. A conversa com o jornalista, embora ainda preliminar, havia sido promissora. Ele estava disposto a ouvir, a investigar, mas precisava de provas concretas, de uma narrativa que pudesse sustentar uma reportagem explosiva.

"Precisamos de mais uma peça, Isabella", disse Gabriel, enquanto revisavam os documentos em seu apartamento, o silêncio da noite preenchido apenas pelo som da chuva que retornara com força. "Almeida é astuto. Ele pode tentar desacreditar o diário, alegando que foi forjado. Precisamos de algo que prove, inequivocamente, que ele orquestrou tudo."

Isabella pensou nas conversas que seu pai mencionava no diário, nas reuniões com Almeida, nos acordos secretos. Havia um nome que se repetia com frequência, um advogado que, segundo Ricardo, era o braço direito de Almeida em todas as transações obscuras: Dr. Sérgio Bastos.

"Dr. Bastos", disse Isabella, a voz firme. "Ele era o advogado de Almeida. Se alguém sabe a verdade, é ele. Ou pelo menos, tem os documentos que comprovam a verdade."

A ideia de confrontar o advogado de Almeida era arriscada. Ele era tão parte do esquema quanto o próprio Almeida. Mas Isabella sentia que era a única opção. O diário de seu pai mencionava encontros entre ele e Bastos, tentativas frustradas de Ricardo de renegociar os termos impostos por Almeida.

"Precisamos abordá-lo com cautela", alertou Gabriel. "Se ele for tão leal a Almeida quanto parece, pode ser perigoso."

Decidiram que seria melhor uma abordagem mais discreta, um encontro inesperado em um local público, onde a presença de terceiros pudesse dissuadir qualquer agressão. A oportunidade surgiu na forma de um evento de caridade para o qual ambos, Isabella e Gabriel, haviam sido convidados, e onde sabiam que Dr. Bastos também estaria presente.

A noite do evento era fria e úmida, mas a atmosfera no salão era de gala e sofisticação. Isabella, deslumbrante em um vestido azul-marinho que realçava seus olhos, sentia-se como uma atriz em um palco, o coração batendo forte, mas a mente focada em sua missão. Gabriel estava ao seu lado, um porto seguro em meio à multidão.

Após algum tempo de busca discreta, eles o avistaram. Dr. Sérgio Bastos, um homem de semblante sério e olhar desconfiado, conversava com um grupo de empresários. Isabella respirou fundo e, com Gabriel a seu lado, dirigiu-se até ele.

"Dr. Bastos?", Isabella o chamou, a voz clara e firme.

Ele se virou, os olhos de Bastos se arregalando levemente ao reconhecê-la. Havia um lampejo de surpresa e apreensão em seu olhar. "Doutora Isabella. Que surpresa agradável."

"Não creio que seja uma surpresa, Dr. Bastos", Isabella respondeu, mantendo o contato visual. "Eu sei que o senhor conhece a verdade sobre o que aconteceu com meu pai. Sei que o senhor intermediou os acordos fraudulentos que levaram à ruína dele. E eu tenho as provas."

A expressão de Bastos mudou. O semblante polido deu lugar a uma rigidez quase imperceptível. Ele tentou disfarçar. "Eu não sei do que a senhora está falando. Eu apenas cumpri meu dever profissional, como advogado de Rafael Almeida."

"Seu dever profissional?", Isabella replicou, a voz ganhando um tom de acusação. "Seu dever profissional foi ajudar a destruir a vida de um homem honrado? Foi se beneficiar da ganância de Almeida?"

Gabriel interveio, a voz calma, mas firme. "Dr. Bastos, nós temos documentos. O diário do Sr. Ricardo Andrade. Ele detalha toda a sua participação nos esquemas de Almeida. E estamos prestes a torná-los públicos."

Bastos deu um passo para trás, o corpo tenso. O suor começou a brotar em sua testa. Ele olhou ao redor, como se buscasse uma saída. "Isso é um absurdo. Uma difamação."

"É a verdade, Dr. Bastos", insistiu Isabella. "E se o senhor não quiser ser cúmplice em toda essa farsa, talvez queira nos contar o que sabe. Talvez queira nos mostrar os documentos originais que comprovam os acordos. Os originais que seu pai guardava."

Houve um silêncio tenso. Isabella podia sentir os olhares curiosos de algumas pessoas ao redor. A pressão estava aumentando. Bastos sabia que não poderia negar tudo para sempre. A ameaça de uma exposição pública o desestabilizava.

De repente, ele mudou de atitude. A rigidez deu lugar a um desespero contido. "Esperem", sussurrou ele, olhando nervosamente ao redor. "Não aqui. Isso é muito sério." Ele hesitou. "Tenho um escritório. Podem ir até lá. Mas vocês não podem falar nada a ninguém. Entendido?"

Isabella e Gabriel se entreolharam. Era a chance que eles esperavam. "Entendido", respondeu Isabella.

A despedida foi rápida e tensa. Bastos se afastou rapidamente, misturando-se à multidão. Isabella sentiu um misto de alívio e apreensão. A verdade estava ao alcance de suas mãos, mas o caminho para obtê-la ainda era perigoso.

Naquela mesma noite, em um escritório discreto e sem identificação na região central da cidade, Isabella e Gabriel aguardavam Dr. Bastos. O advogado chegou visivelmente perturbado, os olhos inquietos varrendo o ambiente. Ele havia trazido consigo uma pasta de couro, tão gasta quanto a que Isabella encontrou no escritório de seu pai.

"Tudo o que está aqui", disse Bastos, a voz embargada, depositando a pasta na mesa. "É a prova de tudo. Almeida me usou. Ele me coagiu. Eu tinha que fazer o que ele mandava, ou ele destruiria minha carreira, minha família."

Ele abriu a pasta, revelando uma pilha de documentos: contratos originais, e-mails trocados entre ele e Almeida, cópias de transferências bancárias que não batiam com as versões oficiais. Havia, inclusive, uma carta escrita por Almeida, detalhando o plano para incriminar Ricardo Andrade.

Isabella pegou os documentos, a mão tremendo de emoção. Eram as provas irrefutáveis. A verdade que ela tanto buscava estava ali, em suas mãos. A caligrafia de Almeida, a frieza de suas palavras, tudo se casava com a história contada no diário de seu pai.

Enquanto folheavam os documentos, a porta do escritório se abriu abruptamente. E quem estava ali, parado no limiar, era Rafael Almeida. Seus olhos, frios e calculistas, varreram a cena, fixando-se nos papéis espalhados sobre a mesa.

"O que está acontecendo aqui?", sua voz era um rosnado baixo e perigoso.

Dr. Bastos empalideceu, aterrorizado. Isabella e Gabriel se levantaram, posicionando-se entre Almeida e os documentos.

"Estamos apenas revisando alguns assuntos antigos, Almeida", disse Gabriel, com uma calma que beirava a provocação.

Almeida deu um passo à frente, os punhos cerrados. "Você sabe muito bem o que está acontecendo, Gabriel. E você", ele virou-se para Isabella, o rosto contorcido de raiva. "Você acha que pode me destruir com essas mentiras?"

"Não são mentiras, Almeida. São fatos. E agora, com os documentos originais, a verdade virá à tona", disse Isabella, segurando uma das cartas de Almeida.

A fúria tomou conta dele. Ele avançou em direção a Isabella, a intenção de arrancar os papéis das mãos dela clara em seus olhos. Mas Gabriel se colocou entre eles, bloqueando seu caminho.

"Não seja tolo, Almeida", disse Gabriel, com um sorriso sombrio. "Você perdeu. A verdade sempre encontra seu caminho."

Em um movimento rápido e desesperado, Almeida tentou empurrar Gabriel. Foi o suficiente para que Isabella aproveitasse a distração. Com os documentos em mãos, ela correu em direção à porta, abrindo-a e saindo para a noite chuvosa, Gabriel logo atrás dela.

Almeida gritou, furioso, mas não pôde impedi-los. A verdade estava em suas mãos, e eles estavam fugindo para protegê-la, para garantir que ela viesse à luz e trouxesse justiça para Ricardo Andrade. A batalha estava longe de terminar, mas a virada era inegável. A verdade, finalmente, havia começado a sua fuga.

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