O Homem Perfeito II

Capítulo 19 — A Prova Incontestável e a Sombra de Marcos

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 19 — A Prova Incontestável e a Sombra de Marcos

A descoberta dos documentos da mina de diamantes foi um divisor de águas. Rafael apresentou tudo à polícia, e a investigação sobre a fortuna dos Montenegro ganhou um novo e robusto capítulo. As provas eram contundentes: Afonso Montenegro, o patriarca da família, havia construído sua império com base em extração ilegal e venda de diamantes, operando uma rede criminosa que se estendia por décadas. Artur, ciente de tudo, usou esse conhecimento como alavancagem, garantindo sua posição e silenciando qualquer um que pudesse ameaçar revelar a verdade.

Sofia sentiu um misto de alívio e horror. Alívio por ver a verdade vir à tona, por saber que a fachada de Artur e de sua família seria desmascarada. Horror ao pensar na extensão da podridão que permeava sua história.

"É inacreditável", Sofia disse a Rafael, enquanto revisavam mais alguns papéis que haviam conseguido no escritório de Artur, relacionados a transações bancárias suspeitas. "Toda essa vida de luxo, de influência, construída sobre roubo e mentiras."

"E Artur usou isso para te manipular, Sofia", Rafael acrescentou, com um tom de indignação. "Ele te manteve refém do medo, te fez acreditar que ele era o único que podia te proteger, quando na verdade ele era o maior perigo."

A revelação sobre a origem da fortuna dos Montenegro teve um impacto sísmico no mundo dos negócios. As ações das empresas ligadas aos Montenegro despencaram, e antigos sócios e investidores começaram a temer o contágio, buscando se desvincular o mais rápido possível. A reputação da família, que já estava abalada, foi pulverizada.

No entanto, um nome continuava a pairar nas sombras: Marcos. O antigo sócio de Artur e amigo de infância, que havia desaparecido logo após a prisão de Artur, era agora o principal suspeito de ter facilitado as operações ilegais da mina e de ter ajudado Artur a esconder os rastros.

"Precisamos encontrar Marcos", Sofia insistiu. "Ele sabe mais do que qualquer um sobre as transações. Ele é a chave para entender a extensão da rede criminosa."

Rafael concordou. "Estou trabalhando nisso. A polícia o está procurando, mas ele é astuto. Acredito que ele possa ter se escondido em algum lugar que ele conhecia bem, talvez relacionado aos negócios antigos da família Montenegro, ou até mesmo às operações da mina."

Uma pista surgiu de uma fonte inesperada. Helena, em seu processo de cura e de reconexão com seu passado, descobriu que o pai de Artur, Afonso, tinha um antigo refúgio de caça em uma região remota do interior. Um lugar que ele usava para se afastar de tudo, e onde ele supostamente realizava encontros secretos. Helena lembrou-se de ter ouvido Artur mencionar esse lugar com certa frequência, como um lugar de "memórias importantes".

"Artur sempre o chamou de 'o lugar onde tudo começou'", Helena contou a Sofia, a voz trêmula. "Ele disse que seu pai lhe ensinou muitas coisas lá, coisas sobre 'o verdadeiro valor das coisas'."

Sofia e Rafael cruzaram essa informação com os dados que haviam obtido. Uma das empresas offshore usadas por Afonso Montenegro para lavar dinheiro tinha sede em uma pequena cidade próxima à região onde ficava o refúgio de caça. Tudo indicava que aquele local poderia ser o esconderijo de Marcos.

Com a ajuda da polícia, uma equipe foi organizada para ir até o refúgio. O lugar era isolado, acessível apenas por uma estrada de terra precária. Ao chegarem, encontraram o refúgio em um estado de conservação precário, mas com sinais de que havia sido habitado recentemente. Havia embalagens de comida, roupas espalhadas, e um laptop ainda ligado.

Rafael, com cuidado, começou a examinar o conteúdo do laptop. E então, eles encontraram. Uma série de e-mails trocados entre Marcos e Artur, datados de poucos dias antes da prisão de Artur. Os e-mails revelavam um plano de fuga desesperado, e, mais importante, continham detalhes sobre a venda de uma parte significativa dos diamantes roubados que ainda estavam em posse de Marcos.

"Ele está vendendo as últimas pedras", Rafael murmurou, os olhos fixos na tela. "Ele está tentando fugir com o dinheiro. E nessas trocas de mensagens, ele menciona um comprador específico, um homem ligado a um cartel internacional de diamantes. Se conseguirmos interceptar essa transação, podemos pegar Marcos e o comprador juntos."

Sofia sentiu a adrenalina correr em suas veias. A caçada a Marcos estava chegando ao fim. Mas algo mais a incomodava. O olhar frio do pai de Artur no diário, a menção a um "pacto de silêncio" e a um "erro imperdoável". Seria possível que houvesse mais do que apenas o roubo de diamantes?

Enquanto vasculhavam o refúgio, Sofia encontrou uma caixa de metal enferrujada enterrada sob um piso solto. Dentro, havia documentos antigos e um pequeno álbum de fotografias. As fotos eram de Afonso Montenegro com um grupo de homens, em frente a uma mina. Em uma das fotos, um dos homens parecia muito com o comprador mencionado nos e-mails de Marcos. Mas o que chamou a atenção de Sofia foram as datas. Eram muito antigas, anteriores à fundação oficial da empresa Montenegro.

Em uma das últimas fotos, Afonso aparecia sozinho, com um olhar sombrio, segurando um objeto que Sofia não conseguia identificar. Ao lado, estava uma inscrição gravada na própria câmera, ilegível a princípio, mas que Sofia, com o coração apertado, conseguiu decifrar: "O Legado de Sangue".

"Rafael", Sofia chamou, a voz baixa e trêmula. "Acho que o segredo da família Montenegro não é apenas sobre diamantes roubados. Acho que tem algo a ver com morte."

Rafael se aproximou, olhando as fotos e os documentos. Ele pegou um dos papéis, um certificado de óbito antigo, com um nome que ele não reconhecia, e uma data que coincidia com uma das entradas no diário de Dona Aurora sobre o desaparecimento de um "rival" de Afonso.

"Isso é muito mais sério do que imaginávamos, Sofia", Rafael disse, a gravidade em sua voz espelhando a apreensão de Sofia. "Se Marcos está envolvido nisso, e se ele está tentando vender esses diamantes, ele pode estar vendendo também a prova de um crime muito mais antigo e sombrio. Precisamos agir rápido."

No exato momento em que eles se davam conta da gravidade da situação, o som de um motor se aproximou. Um carro parou bruscamente do lado de fora do refúgio. A porta se abriu, e Marcos apareceu, acompanhado por um homem corpulento, com um olhar frio e calculista – o mesmo homem que Sofia vira nas fotos antigas.

"Ora, ora, vejam só quem encontramos", Marcos disse, com um sorriso irônico. "Parece que vocês vieram buscar as lembrancinhas."

O homem ao lado dele deu um passo à frente, seus olhos fixos em Sofia e Rafael. A sombra da verdade escondida havia se materializado, e Sofia sentiu um arrepio de medo percorrer seu corpo. A prova incontestável do crime dos Montenegro estava ali, nas mãos de Marcos, e o perigo agora era iminente.

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