Entre Sombras III

Capítulo 4 — A Vertigem do Desejo Proibido

por Camila Costa

Capítulo 4 — A Vertigem do Desejo Proibido

Os dias que se seguiram foram um turbilhão de eventos. A reunião com os investidores de São Paulo fora um sucesso estrondoso, a assinatura do contrato para Trancoso selada com a pompa e a circunstância que Helena sabia orquestrar com maestria. Seus negócios prosperavam, seu império se expandia, mas a paz interior continuava a lhe escapar como areia entre os dedos.

A conversa com Rafael pairava em sua mente como uma nuvem persistente. A revelação de que seu pai havia, de alguma forma, confiado nela para protegê-la, e que ele sabia de seu passado, era um choque profundo. E o fato de Rafael ter se aproximado dela, sabendo de tudo isso, era ainda mais perturbador. Havia uma teia de intenções e segredos que ela precisava decifrar.

Em uma noite abafada de verão, Helena se encontrava novamente em sua varanda, o copo de vinho na mão, as luzes da cidade um espetáculo silencioso. A brisa, agora mais suave, trazia consigo o perfume adocicado das flores noturnas. Ela observava o reflexo do luar na água da baía, buscando um pouco de clareza em meio à confusão de seus sentimentos.

Rafael surgiu em seu campo de visão, como se tivesse sido invocado por seus pensamentos. Ele a observava de pé, a silhueta imponente contra o céu estrelado. Havia uma serenidade em seu olhar que, ao mesmo tempo que a confortava, a deixava em alerta.

“Você parece pensativa”, ele disse, aproximando-se lentamente. “Está lutando com alguma decisão?”

Helena sorriu fracamente. “Apenas… contemplando a vastidão. E as sombras que ela guarda.”

Rafael parou ao lado dela, o perfume amadeirado dele se misturando ao aroma da noite. “As sombras também têm sua beleza, Helena. E às vezes, elas nos mostram o caminho para a luz.”

Seus olhos se encontraram, e por um instante, a tensão entre eles se tornou quase palpável. A proximidade de Rafael, a forma como ele a olhava, desarmava suas defesas. Ela sentia um calor que ia além da bebida, um desejo que ela tentava reprimir com todas as suas forças.

“Você fala muito sobre luz e sombras, Rafael”, Helena disse, a voz um pouco rouca. “Parece que você entende bem delas.”

“Talvez porque eu mesmo já estive nas sombras por tempo demais”, ele respondeu, a voz baixa, carregada de uma melancolia que a atingiu em cheio. “E talvez porque eu veja em você uma luz que se recusa a ser apagada por nenhuma escuridão.”

Ele deu um passo à frente, e Helena sentiu seu corpo reagir involuntariamente. A brisa pareceu cessar, o som do mar se aquietou. Tudo o que existia era a presença dele, o calor que emanava dele, o desejo que começava a borbulhar em seu interior.

“Helena…” Ele sussurrou o nome dela, como se fosse uma prece.

Ela não respondeu, apenas o encarou, os olhos escuros cheios de uma emoção que ela não conseguia mais esconder. A lembrança de Lucas ainda estava lá, uma dor latente, mas a presença de Rafael era uma força avassaladora, um chamado irresistível.

Rafael, como se lesse seus pensamentos, estendeu a mão e acariciou suavemente o rosto dela. Seus dedos percorreram a linha de seu maxilar, um toque leve que enviou arrepios por todo o corpo de Helena. Ela fechou os olhos, rendendo-se à sensação, ao toque que ela tanto desejava e temia.

“Eu não deveria estar fazendo isso”, ele murmurou, a voz embargada pelo desejo. “Você é minha chefe, Helena. Minha amiga. E eu sei que seu coração ainda carrega as marcas de uma dor profunda.”

“Mas o meu corpo… ele anseia por isso, Rafael”, Helena confessou, abrindo os olhos e encontrando o olhar dele. A verdade saiu de seus lábios de forma crua e sincera. “Eu não aguento mais viver na sombra do passado, com medo de sentir. E você… você me faz sentir.”

A confissão dela foi o gatilho. Rafael a puxou para perto, seus corpos se chocando em um abraço apertado. Helena sentiu o coração dele batendo descompassado contra o seu, um ritmo que ecoava o dela. O aroma dele a envolveu, uma fragrância que se tornou sinônimo de desejo e de uma esperança perigosa.

Os lábios dele encontraram os dela em um beijo faminto, intenso, carregado de anos de desejo reprimido e de uma conexão que ia além da atração física. Helena retribuiu o beijo com a mesma intensidade, sentindo o mundo desaparecer ao seu redor. Era um beijo de redenção, de desespero, de uma entrega total.

As mãos de Rafael deslizaram por suas costas, puxando-a ainda mais para perto, enquanto as mãos dela se emaranhavam em seus cabelos, sentindo a textura macia e o calor de sua pele. Cada toque, cada carícia, era uma explosão de sensações que a fazia esquecer de tudo, exceto do momento presente.

Eles se afastaram por um breve instante, ofegantes, os olhos fixos um no outro. A paixão que ardia entre eles era inegável, a linha da razão completamente obscurecida.

“Isso é loucura, Helena”, Rafael sussurrou, a voz rouca. “Estamos cruzando uma linha perigosa.”

“Eu sei”, ela respondeu, a voz trêmula. “Mas eu não me importo. Eu quero isso, Rafael. Eu quero você.”

E, sem mais hesitações, eles se beijaram novamente, um beijo que selou a entrega, a rendição ao desejo que os consumia. As sombras da noite pareciam abraçá-los, protegendo-os em seu refúgio de paixão proibida.

Naquela noite, os muros de proteção que Helena havia erguido ao redor de seu coração desmoronaram. Ela se permitiu sentir, se permitiu desejar, se permitiu ser consumida pela vertigem do amor que florescia em meio às sombras. A lembrança de Lucas ainda estava lá, mas agora, misturada à sensação dos lábios de Rafael nos seus, ao toque de suas mãos em sua pele. Ela não sabia para onde essa nova jornada a levaria, mas naquele momento, tudo o que importava era o calor do abraço dele, o eco dos seus beijos, e a promessa silenciosa de um novo amanhecer que, talvez, estivesse finalmente chegando. A noite em Salvador, antes um convite à melancolia, transformou-se em um palco para um romance intenso, perigoso e inevitável.

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