Meu Captor, Meu Amor II

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Meu Captor, Meu Amor II", seguindo o seu pedido:

por Isabela Santos

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Meu Captor, Meu Amor II", seguindo o seu pedido:

Meu Captor, Meu Amor II Autor: Isabela Santos

Capítulo 16 — O Eco da Verdade

O sol da manhã mal ousava romper a densa cortina de nuvens que pairava sobre a cidade, um reflexo sombrio da tempestade que se abatera sobre a vida de Ana Carolina. O ar estava pesado, denso com o silêncio que se seguiu ao furacão de revelações. Sentada à beira da cama, as mãos frias e trêmulas em seu colo, ela sentia a verdade se incrustar em sua alma como cacos de vidro. Leonardo, o homem que ela um dia temeu e, em segredo, começou a amar, era o herdeiro de um império manchado pelo sangue de sua própria família. Aquele império que ele jurou reconstruir, que ele a aprisionara para proteger… e para quê? Para perpetuar o ciclo de dor e ganância?

Ao seu lado, Leonardo observava-a com uma angústia que espelhava a dela. Seus olhos escuros, geralmente intensos e cheios de um fogo contido, agora transbordavam uma tristeza profunda, um pesar que ele não conseguia mais esconder. Ele sabia que não havia desculpas, não havia justificativas que pudessem apagar a dor que ele causara, mesmo que involuntariamente. A revelação sobre a verdade por trás da morte de seu pai, a participação indireta da família dele na tragédia que definira a vida dela… era um fardo pesado demais para carregar.

"Ana Carolina," ele começou, a voz rouca, um sussurro que mal quebrava o silêncio opressor. "Eu sei que… que não há palavras para isso. Mas eu preciso que saiba que eu não sabia de tudo isso. Não no começo. Eu suspeitava, sim, que havia algo mais sombrio em nosso passado, algo que a minha família escondia. Mas o ódio que eles sentiam por você, a determinação em te manter longe… eu nunca imaginei que chegasse a esse ponto. Que eles fossem os responsáveis."

Ana Carolina ergueu os olhos, o olhar turvo de lágrimas não derramadas, mas carregado de uma dor antiga que agora ganhava contornos mais nítidos. "E por que você não me contou, Leonardo? Por que me manteve cativa, me fez acreditar que estava me protegendo, quando na verdade você era parte daquela mesma teia de mentiras?" Sua voz, apesar de fraca, carregava uma força latente, a força de quem estava prestes a desmoronar, mas ainda se recusava a ceder.

Leonardo apertou os punhos, os nós dos dedos brancos. "Eu estava com medo, Ana Carolina. Medo de te perder. Medo de que, se você soubesse a verdade completa, você me odiaria para sempre. E, em parte, eu estava certo, não é? Eu queria te manter perto, te proteger do que eu sabia que eles eram capazes. Eu acreditava que, se pudesse te controlar, poderia te manter segura. Um erro terrível, eu sei. Um erro que me consome."

Ele se aproximou, mas parou a uma distância respeitosa, como se temesse tocá-la, como se temesse que um simples toque pudesse quebrar o fio tênue que ainda os ligava. "Quando descobri a extensão do envolvimento deles… quando li as cartas do meu pai, as confissões dele… eu… eu não sabia como te contar. Como olhar nos seus olhos e confessar que o homem que você mais odiou neste mundo era o meu pai. E que eu, por mais que lutasse contra isso, era o filho dele."

Uma lágrima solitária rolou pela face pálida de Ana Carolina, traçando um caminho úmido em sua pele. "Você achou que um cativeiro seria a solução? Que me privar da minha liberdade, me afastar de tudo que eu conhecia, seria a minha salvação? Leonardo, a minha vida foi roubada por anos! Eu perdi meu pai, perdi minha mãe, minha casa… e agora você me diz que a culpa foi da sua família?" Um soluço escapou de seus lábios, um som de pura agonia.

"Eu sei, eu sei," ele repetiu, a voz embargada. "E eu carrego essa culpa. Mas eu também estava assustado com o que eles fariam se você se aproximasse da verdade. Eles não hesitariam em te silenciar para sempre, Ana Carolina. Eu vi o que eles são capazes de fazer. Eu vivi com isso a minha vida inteira. A minha intenção era te proteger, mesmo que o meu método fosse o mais cruel e egoísta dos possíveis."

Ela balançou a cabeça lentamente, os olhos fixos em um ponto distante, como se estivesse revivendo cada momento de seu cativeiro, cada instante de incerteza e medo. "Proteger? Você me aprisionou, Leonardo! Você me tirou do mundo, me fez acreditar que eu estava louca, que os meus medos eram infundados. Você me roubou a chance de honrar a memória do meu pai, de descobrir a verdade por conta própria. E agora… agora tudo que eu pensei ser verdade, tudo em que eu confiei, se desfez em pó."

"Eu nunca quis te machucar," Leonardo implorou, a voz baixa e desesperada. "Cada dia que você esteve aqui, eu senti a sua dor. Eu lutei contra os meus próprios demônios, contra o legado sombrio da minha família. Eu queria te libertar, mas eu não sabia como fazer isso sem te expor ao perigo que eu sabia que ainda existia. Eu estava preso em uma teia ainda maior que você, Ana Carolina. Uma teia de segredos e mentiras familiares."

Ele finalmente deu um passo à frente, estendendo a mão para tocar o rosto dela, mas hesitou novamente. Ana Carolina não se afastou. Seus olhos encontraram os dele, e pela primeira vez, ela viu não o predador, não o captor, mas um homem quebrado, atormentado pela própria verdade. Havia um vislumbre de dor, de arrependimento genuíno, que ela não podia negar.

"Eu… eu não sei o que pensar, Leonardo," ela sussurrou, a voz embargada. "Eu sinto que o chão sumiu sob os meus pés. A minha vida inteira foi uma mentira. A sua família… eles destruíram a minha. E você… você me manteve lá, enquanto sabia." As palavras saíram em um misto de acusação e confusão.

Leonardo fechou os olhos por um instante, engolindo em seco. "Eu sei que eu te causei um sofrimento imensurável. Eu não peço seu perdão, Ana Carolina. Eu não o mereço. Mas eu te imploro para que, um dia, você possa entender a minha luta. A minha própria batalha contra os fantasmas do passado. Eu não era o monstro que você pensava que eu era. Eu era apenas um homem perdido, lutando contra uma escuridão que eu não criei, mas que herdei."

Ele abriu os olhos novamente, o olhar intenso, buscando uma faísca de esperança naquele abismo de dor. "Eu te amo, Ana Carolina. Eu te amo mais do que a minha própria vida. E por amar você, eu não posso mais mentir. Eu não posso mais viver nas sombras. Eu vou te contar tudo. Tudo o que eu sei sobre o meu pai, sobre a sua família, sobre como tudo isso aconteceu. E então… então a decisão será sua. Eu te darei a minha vida para que você possa ter a sua de volta. Mas por favor, me deixe tentar te ajudar a curar essa ferida. Uma ferida que eu, sem querer, aprofundei."

Ana Carolina o observou, o coração dilacerado entre a raiva justa e um sentimento incipiente de compaixão. A verdade era uma arma de dois gumes, e ela sentia o seu peso em cada célula de seu corpo. A liberdade que ela tanto almejava finalmente estava ao alcance, mas o preço era a confrontação com um passado que a assombrava e um presente que a colocava cara a cara com o homem que, apesar de tudo, a amava. A tempestade passara, mas o eco da verdade ainda ressoava, promessas de cura e mais dor em seu rastro. Ela sabia que a jornada para a verdadeira liberdade estava apenas começando.

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